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Ufes contribui no combate ao câncer de pele O Programa de Assistência Dermatológica aos lavradores pomeranos do Espírito Santo é composto por um grupo voluntariado que viaja até as comunidades luteranas onde, em um fim de semana, fazem o diagnóstico e o tratamento dos pacientes com câncer de pele. O projeto é uma parceria entre a Universidade Federal de Espírito Santo (Ufes), a Secretaria Estadual de Saúde (SESA), Prefeituras Municipais e a Associação Albergue Martinho Lutero (IECLB). Uma parceria que deu certo O projeto teve início em 27 de setembro de 1987, coordenado pelo dermatologista e professor do Departamento de Clínica Médica do Centro Biomédico da Ufes, Carlos Cley Coelho. Ele vinha observando, no ambulatório de doenças de pele do Hospital Universitário "Cassiano Antônio Morais - HUCAM", a crescente freqüência de casos de câncer de pele entre os lavradores pomeranos de vários municípios capixabas. Esses agricultores de origem européia não possuíam conhecimento nem assistência médica que lhes permitisse a prevenção de doenças dermatológicas como a fotodermatose e outro, mais grave ainda, o câncer cutâneo, causadas pela exposição excessiva ao sol numa pele clara e pouco protegida. Em novembro de 1984, foi inaugurado o
Albergue Martim Lutero que atua até hoje no apoio aos doentes
que, por diversas razões, necessitam de tratamento médico-hospitalar
na Grande Vitória. O elevado índice de câncer de
pele entre os beneficiários do Albergue chamou a atenção
da equipe de dermatologia do HUCAM. A gravidade dos casos apresentados
despertou o interesse do trabalho no sentido de reverter o quadro. Como atuam... Anualmente onze comunidades de dez municípios do estado são visitadas pelo programa. Essas viagens são programadas e divulgadas no começo do ano pelo Albergue em cada localidade das comunidades luteranas. A equipe, composta por um grupo de 25 estudantes dos últimos períodos de medicina, médicos cirurgiões plásticos, dermatologistas, epidemiologista, enfermeiras e técnicos em enfermagem, além de inúmeros colaboradores da Associação, viaja uma vez por mês para as comunidades luteranas oferecendo atendimento aos lavradores pomeranos. O grupo trabalha na assistência e na conscientização da população pomerana, alertando-os sobre o perigo da super exposição aos raios ultra-violeta nas lavouras da Serra Capixaba. Brunela Tose, estudante do 11º período de medicina da Ufes e monitora do projeto, já participou de mais de quinze viagens. Ela revela que as pessoas estão mais conscientes e sabem da importância da prevenção. "A gente chega lá e vê que eles utilizam o chapéu com abas mais largas e roupas de mangas compridas como foi ensinado", diz. Em média são realizados, por semana, 400 a 500 atendimentos, entre 80 e 100 tratamentos clínicos e, também, entre 80 e 100 pequenas cirurgias das lesões para biópsia. Além disso, uma vez por semana os pacientes mais graves contam com um ambulatório de dermatologia no Hospital das Clínicas de Vitória, onde podem ser atendidos enquanto esperam pela visita do programa à sua comunidade. Os diagnósticos feitos pelos estudantes são posteriormente analisados pelos médicos. O projeto não tem interesse em expandir sua área de atuação, uma vez que a iniciativa visa somente a população de agricultores pomeranos que não têm condições de procurar tratamento em outras cidades. Existe um outro projeto para atender a população da Grande Vitória, o "Salve a sua Pele", que fica no bairro Ibes, em Vila Velha. Quem pode participar O programa é um Projeto de Extensão Permanente da Ufes e podem participar estudantes dos últimos períodos de medicina que cursam ou já cursaram a disciplina de dermatologia (oferecida no 9º período do curso). Para ganhar o certificado do Projeto é preciso que o estudante tenha feito, no mínimo, quatro viagens. A procura para participar do projeto é grande, mas como há um limite de vagas alguns ficam de fora, tendo prioridade os alunos que ajudam no ambulatório. A estudante de medicina, que pretende seguir a carreira de Dermatologista, revela que pretende continuar indo às comunidades pomeranas. "Eu gosto muito de ajudar e o programa é uma forma de suprir o que falta aqui na faculdade, além disso, reflete na maneira de como lidar com os pacientes", diz Brunela. |