ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
NUM SÓ LUGAR
A possibilidade de aprimorar os conhecimentos oferecida pelos PET`s
atrai um número cada vez maior de estudantes
Melhoria da qualidade do ensino de graduação.Este
é o objetivo principal dos Programas de Educação
Tutorial (PET). Através da orientação de um professor
doutor e com uma equipe de, no máximo, doze bolsistas mais alunos
voluntários agregados, os PET´s realizam diversas atividades
que chamam a atenção da comunidade universitária.
Atualmente a Ufes possui apenas seis dos cerca de 300 programas espalhados
por todo país. São os cursos de psicologia, economia,
serviço social, educação física, matemática
e engenharia da computação. Para ingressar no PET, o graduando
deve passar por um processo de seleção que pode variar
de acordo com o curso. "Cada programa tem autonomia para definir
a forma de seleção", disse o professor e tutor do
PET de Economia Reinaldo Carcanholo. Segundo o professor, somente alguns
quesitos são exigidos pelo Ministério da Educação
(MEC), que é o órgão mantenedor. Por exemplo, o
aluno deve ter entre 22 e 23 anos de idade, não ter reprovação
e estar entre o segundo e o quarto período.
Os estudantes que integram os PET´s têm a liberdade para
propor atividades a serem realizadas, assim como o tutor. Não
há uma obrigatoriedade ou imposição por parte do
orientador. "Todos elaboram projetos de atividades individuais
ou para todo o grupo, que são discutidos numa reunião
com o tutor" afirmou o aluno do 8º período de economia
e integrante do PET há três anos, Lyncon Wchoa.
No geral, as atividades desenvolvidas pelos PET´s concentram-se
nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Os projetos
mais comuns são as monitorias e os seminários, oferecidos
tanto para os universitários quanto para a comunidade fora da
Ufes. Dessa forma, pode-se oferecer uma formação integral
ao bolsista e, ao mesmo tempo, integrá-lo aos demais alunos.
Segregação
Quando se fala em PET, uma questão é comum: Não
seria este programa uma forma de divisão dos que são mais
"capazes" que outros? Para o professor Carcanholo esta é
uma briga constante. "O ideal seria que o PET fosse a universidade
inteira". Segundo ele, todo estudante deveria ser remunerado por
exercer uma função social: está aprendendo a ser
um profissional que prestará serviço para a comunidade
mais tarde.
Para o estudante do 1º período de educação
física e não participante do programa, Filipi Firmino,
o PET acaba se tornando um sistema de excelência, com métodos
de seleção que criam uma elite intelectual dentro do curso.
Filipe ainda ressalta que não há uma rotatividade grande,
pois o estudante que entra no PET fica até o final do curso.
Poucas vagas são disponibilizadas anualmente.
Remuneração e fiscalização
Para desenvolver as atividades, o aluno recebe mensalmente uma bolsa
no valor de R$ 240 e cumpre uma carga horária de 20 horas semanais.
O tutor, os bolsistas e os voluntários são permanentemente
supervisionados pela pró-reitoria de graduação
(Prograd), que fiscaliza o trabalho dos PET´s por meio dos relatórios
de planos e de atividades, que devem ser enviados todo o ano. Os grupos
devem explicar como e porque estão realizando determinadas atividades
e quais estão sendo os resultados. A Prograd, por meio de uma
comissão local de avaliação e acompanhamento (seis
professores escolhidos pelos bolsistas, pelo tutor e pela Prograd),
analisa estes relatórios e faz um outro, desta vez encaminhado
à comissão nacional, organizada pelo MEC.
Após avaliação, o MEC envia às universidades
um parecer relatando os aspectos bons que estão sendo realizados
e principalmente os que precisam ser melhorados sob a pena de extinção
do programa.
Interesse
A estudante do 6º período de Educação Física
e participante do PET há 2 anos, Patrícia Barcelos, tem
observado que a procura para ingressar no PET está gradualmente
aumentando. "O PET é a oportunidade de se dedicar a várias
atividades ao mesmo tempo" disse Patrícia, que ressalva
a importância da bolsa até o final do curso. "Não
precisamos nos preocupar em procurar estágio, vivemos mais a
universidade". Segundo ela, estes são os principais aspectos
do interesse que leva os graduandos ao PET.
No momento não há abertura para novos Programas de Educação
Tutorial. Porém no próximo ano o MEC deve divulgar um
edital com as datas para inscrições de novos projetos.
A previsão é de que os grupos dupliquem na Ufes.
Para se formar um grupo PET, um professor com título de doutor,
ativamente inserido no curso, deve elaborar um projeto definindo objetivos
e formas de ação a seguir. O projeto é encaminhado
ao MEC que avalia a viabilidade da criação do grupo.