03/12/2004

Milena Murta

 

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ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO NUM SÓ LUGAR

A possibilidade de aprimorar os conhecimentos oferecida pelos PET`s atrai um número cada vez maior de estudantes

Melhoria da qualidade do ensino de graduação.Este é o objetivo principal dos Programas de Educação Tutorial (PET). Através da orientação de um professor doutor e com uma equipe de, no máximo, doze bolsistas mais alunos voluntários agregados, os PET´s realizam diversas atividades que chamam a atenção da comunidade universitária.

Atualmente a Ufes possui apenas seis dos cerca de 300 programas espalhados por todo país. São os cursos de psicologia, economia, serviço social, educação física, matemática e engenharia da computação. Para ingressar no PET, o graduando deve passar por um processo de seleção que pode variar de acordo com o curso. "Cada programa tem autonomia para definir a forma de seleção", disse o professor e tutor do PET de Economia Reinaldo Carcanholo. Segundo o professor, somente alguns quesitos são exigidos pelo Ministério da Educação (MEC), que é o órgão mantenedor. Por exemplo, o aluno deve ter entre 22 e 23 anos de idade, não ter reprovação e estar entre o segundo e o quarto período.

Os estudantes que integram os PET´s têm a liberdade para propor atividades a serem realizadas, assim como o tutor. Não há uma obrigatoriedade ou imposição por parte do orientador. "Todos elaboram projetos de atividades individuais ou para todo o grupo, que são discutidos numa reunião com o tutor" afirmou o aluno do 8º período de economia e integrante do PET há três anos, Lyncon Wchoa.

No geral, as atividades desenvolvidas pelos PET´s concentram-se nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Os projetos mais comuns são as monitorias e os seminários, oferecidos tanto para os universitários quanto para a comunidade fora da Ufes. Dessa forma, pode-se oferecer uma formação integral ao bolsista e, ao mesmo tempo, integrá-lo aos demais alunos.

Segregação

Quando se fala em PET, uma questão é comum: Não seria este programa uma forma de divisão dos que são mais "capazes" que outros? Para o professor Carcanholo esta é uma briga constante. "O ideal seria que o PET fosse a universidade inteira". Segundo ele, todo estudante deveria ser remunerado por exercer uma função social: está aprendendo a ser um profissional que prestará serviço para a comunidade mais tarde.

Para o estudante do 1º período de educação física e não participante do programa, Filipi Firmino, o PET acaba se tornando um sistema de excelência, com métodos de seleção que criam uma elite intelectual dentro do curso. Filipe ainda ressalta que não há uma rotatividade grande, pois o estudante que entra no PET fica até o final do curso. Poucas vagas são disponibilizadas anualmente.

Remuneração e fiscalização

Para desenvolver as atividades, o aluno recebe mensalmente uma bolsa no valor de R$ 240 e cumpre uma carga horária de 20 horas semanais.

O tutor, os bolsistas e os voluntários são permanentemente supervisionados pela pró-reitoria de graduação (Prograd), que fiscaliza o trabalho dos PET´s por meio dos relatórios de planos e de atividades, que devem ser enviados todo o ano. Os grupos devem explicar como e porque estão realizando determinadas atividades e quais estão sendo os resultados. A Prograd, por meio de uma comissão local de avaliação e acompanhamento (seis professores escolhidos pelos bolsistas, pelo tutor e pela Prograd), analisa estes relatórios e faz um outro, desta vez encaminhado à comissão nacional, organizada pelo MEC.

Após avaliação, o MEC envia às universidades um parecer relatando os aspectos bons que estão sendo realizados e principalmente os que precisam ser melhorados sob a pena de extinção do programa.

Interesse

A estudante do 6º período de Educação Física e participante do PET há 2 anos, Patrícia Barcelos, tem observado que a procura para ingressar no PET está gradualmente aumentando. "O PET é a oportunidade de se dedicar a várias atividades ao mesmo tempo" disse Patrícia, que ressalva a importância da bolsa até o final do curso. "Não precisamos nos preocupar em procurar estágio, vivemos mais a universidade". Segundo ela, estes são os principais aspectos do interesse que leva os graduandos ao PET.


No momento não há abertura para novos Programas de Educação Tutorial. Porém no próximo ano o MEC deve divulgar um edital com as datas para inscrições de novos projetos. A previsão é de que os grupos dupliquem na Ufes.

Para se formar um grupo PET, um professor com título de doutor, ativamente inserido no curso, deve elaborar um projeto definindo objetivos e formas de ação a seguir. O projeto é encaminhado ao MEC que avalia a viabilidade da criação do grupo.

 

 
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