EVENTOS


03/12/2004

Kênia Freitas
e
Raquel Machado

 

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Casa do povo vira sala de cinema

Assembléia legislativa abre espaço para a discussão do cinema nacional

Democratizar o espaço público e discutir a produção audiovisual: esse era o objetivo da I Mostra de Vídeo Produção Independente, que aconteceu entre os dias 23 e 26 de novembro na "casa do povo" (Assembléia Legislativa). O evento foi uma parceria entre a Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas do Espírito Santo (ABD&C/ES) e a Assembléia Legislativa.

Ocupando seu espaço

A realização da Mostra na Assembléia Legislativa veio reforçar a política da atual Mesa Diretora de trazer a comunidade para a "casa do povo". "Esse aqui é um espaço público que deve ser ocupado pelos diversos setores da sociedade", afirmou a jornalista da TV Assembléia e organizadora do evento, Carla Osório. Outro objetivo era o de fomentar debates sobre as políticas públicas voltadas para o setor, o cineclubismo, e a regionalização da produção audiovisual. Essas discussões se deram em palestras oferecidas pelo evento, também na Assembléia. No mais, a Mostra ofereceu um Workshop de Cinematografia Digital com o diretor de fotografia Carlos Ebert.

Foram exibidos 31 vídeos, capixabas e nacionais, que após o evento passaram a fazer parte da programação da TV Assembléia. Dentre as 18 produções do Espírito Santo que concorriam a prêmios, em quatro categorias, as vencedoras foram: "Cordel dos atingidos" de Ricardo Sá (melhor documentário), "88 A. C. Uma viagem Nena. Arlindo Castro" de Nena (melhor filme alternativo) e "Dores e Odores" de Jefinho Pinheiro (melhor ficção e escolha do júri popular).

Mudança de plano

Notou-se a ausência de uma grande parcela do "povo" na mostra. Os espaços vazios impediram uma discussão mais ampla sobre as questões levantadas. "O público alvo eram os realizadores e as pessoas interessadas no assunto", considerou a presidente da ABD&C/ES, Saskia Sá. Mas não foi assim que aconteceu. A participação de produtores e de interessados estava aquém da expectativa dos organizadores, fazendo até mesmo com que os espaços físicos reservados fossem repensados.

Por isso, a última mesa redonda foi transferida do auditório III para uma pequena sala no 9º andar da Assembléia. Mas esse fato não afetou o nível do debate, que contou com a presença dos realizadores da mostra e da Dra. em Comunicação pela USP, Bernadette Lyra.

Um dos focos do bate-papo foi a constante luta travada entre o cinema e o audiovisual. "Costumam dizer que ralé faz audiovisual e elite cinema. Mas isso não tem sentido, pois ninguém perde nessa história, só se fortalece", relatou Bernadette.

Sobre as produções capixabas, a especialista disse que os três filmes premiados são perfeitos, mas que muitos problemas ainda devem ser superados: "O incentivo não pode parar por aqui. Esse tipo de mostra abre caminho para a produção mais jovem, ao mesmo tempo que dignifica o papel da Assembléia".

Final Feliz

Além de transmitir inúmeros estudos sobre cinema e comunicação, Bernadette Lyra fez o público que estava presente no encerramento do evento transbordar de emoção. Nas suas colocações finais, ela relatou a superação de um sofrimento pessoal: "Estou muito feliz de estar aqui na terra do meu coração, o Espírito Santo. Dia 26 de novembro é a data em que meu filho morreu em um acidente na Nossa Senhora dos Navegantes. Mas só hoje, 11 anos depois, foi que eu consegui passar esse dia bem. Muito obrigada, meu coração está aliviado".


 

 
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