03/12/2004

Danilo Bicalho

 

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ESTUDANTES NAS RUAS CONTRA A REFORMA UNIVERSITÁRIA

Cerca de 15 mil manifestantes protestaram contra as Reformas Universitária, Sindical e Trabalhista, na Esplanada dos Ministérios em Brasília.


O dia 25 de Novembro foi bastante agitado na Capital Federal. Cerca de 15 mil manifestantes, entre eles estudantes, sindicalistas, professores e servidores públicos de todo o país, tomaram a Esplanada dos Ministérios, numa demonstração de insatisfação com os rumos do governo de Lula da Silva.

A "Marcha" contou com a participação dos principais partidos da esquerda brasileiro - PT (Partido dos Trabalhadores), P-SOL (Partido Socialismo e Liberdade) e PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados), que se uniriam naquele momento na luta em prol de um objetivo comum: demonstrar sua insatisfação com as Reformas Sindical, Trabalhista e Universitária apresentadas pelo Governo, além de entidades como a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES).

A manifestação começou por volta das 10 horas, em frente à Catedral de Brasília e se estendeu até por volta das 15 horas, sendo encerrada com uma peça de um grupo de teatro da Universidade de Brasília, em frente ao Ministério da Educação.

Durante todo o protesto, muitas bandeiras, faixas e palavras de ordem, que variavam desde o "Essa reforma é privatização", até o "Fora Lula", entoado por alguns militantes. Percebia-se, apesar de naquele momento buscarem um objetivo comum, a diversidade de pensamentos ali reunidas. As divergências ganharam maior destaque quando discursaram os representantes de cada entidade e de partido, principalmente quando representantes do PT discursavam e eram vaiados e acusados de traidores pelos militantes do PSTU, em grande número na manifestação.

Enquanto a grande maioria dos manifestantes mantinham-se sob um sol escaldante à frente do carro de som em que discursavam os líderes políticos, uma outra parte deles aproveitou o límpido espelho d'água, em frente ao Congresso Nacional, para se refrescar. Ainda bradando palavras de ordem, se posicionaram frente ao Congresso numa manifestação irreverente, mas pacífica. A Guarda Republicana assistia a tudo e também pôde se refrescar com a água lançada pelos estudantes.

Para os telespectadores e os leitores dos veículos de comunicação da grande imprensa, essa pode ter sido a imagem que marcou a manifestação contra as Contra-Reformas do governo Lula, confirmando para os militantes o grau de dificuldade da luta que abraçam, mas ,ao contrário do que espera a elite brasileira, fortalecendo a certeza de que esta luta se faz necessária para que possam alcançar seus ideais.

Estudantes da Ufes marcam presença

Cerca de 100 estudantes da Ufes foram a Brasília para participarem da Marcha Nacional "Vamos Barrar essa Reforma". Um número relativamente grande em comparação à participação em manifestações anteriores.

Uma possível explicação para essa participação é o envolvimento dos estudantes com o "Fórum de Debates Reforma Universitária ou Demolição?", realizado por professores servidores e estudantes da Universidade e que despertou o interesse dos estudantes para com o tema.

Outra possível explicação seria o interesse apenas pela viagem, oportunidade para curtir e fazer turismo com custos abaixo do normal.

Porém, o que se viu em Brasília foi o absoluto engajamento dos capixabas à luta contra as reformas (descartando a segunda opção aqui levantada). Os estudantes destacaram-se pela sua empolgação e pela dedicação à luta, mesmo depois de horas e caminhada sob um sol impiedoso.

É claro que após cumprida sua missão na Capital da República, a delegação capixaba aproveitou o tempo restante e a viagem de volta para casa para se divertir. Afinal, eles mereceram.


Por que barrar a Reforma Universitária?

Para os manifestantes presentes em Brasília, o motivo é óbvio: a reforma está intrinsecamente ligada à política econômica de caráter neoliberal do Governo. A aprovação dessa reforma resultaria na definição de um modelo educacional que privilegia o setor privado, acenando para o total desmonte da Universidade Pública.

Entre os pontos mais criticados pelos manifestantes destacam-se o Prouni, as PPP's e o modelo de autonomia universitária proposto (veja quadro abaixo). Ainda segundo os manifestantes, esses pontos se chocam com as reivindicações históricas dos movimentos docente e discente, retirando do Estado a responsabilidade pela Educação.

Apesar de considerarem alguns pontos da reforma como críticos, os militantes ressaltam a importância de que essa reforma seja entendida em seu conteúdo geral, como o início do processo de privatização do ensino público.

 

 
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