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Alunos demais para professores
de menos Dentre todos os problemas financeiros e administrativos que as universidades federais enfrentam atualmente, um dos mais graves é a carência de docentes em alguns cursos . Na Ufes, por exemplo, o departamento de Ciências da Informação - que engloba os cursos de Arquivologia e Biblioteconomia - conta com uma demanda de 450 alunos para apenas 12 professores efetivos, além de seis voluntários. A situação do curso de Música também é delicada, pois são apenas cinco professores no quadro efetivo. Segundo a ex-chefe do departamento de Ciências da Informação, professora Dulcinéa Rosemberg, a maior causa desse problema é o corte de verba para a educação, política aplicada principalmente a partir do governo Fernando Henrique Cardoso, uma vez que desde 1994 não é criada uma vaga sequer para professor dentro da universidade. "Nos últimos três anos, o governo realizou concursos para preencher as vagas já existentes", explica a professora. Isso quer dizer que os novos professores ocuparam vagas que estavam ociosas anteriormente. Nessa lógica, o Ministério do Planejamento autorizou no último dia 11, por meio da Portaria nº 293, a realização de concurso para professor do quadro efetivo das universidade federais, num total de 2500 vagas. Segundo o site do MEC, a divulgação dos editais deve sair em, no máximo, seis meses. É com a possibilidade de novas contratações que o diretor do Centro de Artes e coordenador interino do Colegiado de Música, Kleber Frizzera, tentará reequilibrar o quadro do curso - existente há três anos -, que se complicou desde o fim do convênio com a Escola de Música do Espírito Santo, em maio de 2004. De acordo com o diretor, há ainda agravantes como a falta de professores especializados na área, além de não existir muito investimento nos cursos que são pouco ligados ao mercado. Frizzera fala também que gastos com água, luz, telefone e terceirização são imediatos. Assim, os investimentos ficam em último plano. Em julho deste ano, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Ufes (CEPE), pela Resolução nº 24/2004, apontou os departamentos que mais necessitam contratar professores. O departamento de Engenharia Elétrica, por exemplo, possui 34 professores efetivos e, segundo o CEPE, precisaria de mais 11, enquanto o de História, com 16 efetivos, não precisaria de novos docentes. Com a alocação de 218 vagas de professores substitutos, o CEPE pretende remanejar esses espaços para que alguns cursos possam minimizar o problema da falta de professores. Assim espera a professora de Biblioteconomia, Dulcinéa Rosemberg, já que a sobrecarga dos educadores, além de afetar a própria saúde, compromete a qualidade do ensino e dificulta a realização de pesquisa e extensão nos cursos. Colecionador de problemas Amontoar dificuldades. É o que os departamentos têm conseguido fazer durante os últimos anos. A situação é generalizada. Faltam computadores nos laboratórios (quando existem laboratórios), técnicos qualificados, tinta e papel para as impressoras e uma infinidade de recursos para que os cursos funcionem devidamente. No departamento de Ciências da Informação, para piorar a situação da falta de professores, não há chefe no departamento. A professora Dulcinéa, que esteve frente ao cargo de junho de 2003 a outubro de 2004, conta que, devido à sobrecarga dos docentes, ninguém quer assumir a chefia. Assim, a direção do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) pode designar um professor ao cargo, caso ninguém se disponha. Agentes ou clientes? "É necessária uma mudança no perfil dos alunos. Eles estão se comportando mais como clientes do que agentes". A declaração de Kleber Frizzera retrata um pouco a realidade não só nas universidades como também na sociedade em geral. A presidente do Centro Acadêmico de Música, Evanira Nimer, admite a dificuldade de mobilizar os alunos, mas acredita numa maior organização agora que o curso se encontra em uma situação limite: além de perderem muitas aulas e de se submeterem a professores não-preparados para lecionar certas matérias, algumas turmas se recusaram a ter aulas com monitores, com receio de prejudicar sua formação acadêmica.
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