03/12/2004

Patrícia Arruda

 

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Estatística: Poucos se formam, muitos desistem

Curso de Estatística da Ufes apresenta um dos maiores índices de desistência

Desde sua criação, o curso de estatística da Universidade Federal do Espírito Santo apresenta baixa relação candidato/vaga e, além disso, um número muito reduzido de pessoas que se formam (cinco pessoas no máximo). No entanto, a partir de 2001, quando o processo seletivo para o ingresso no curso foi modificado, esse número vem crescendo gradualmente.

A chefe do Departamento de Estatística, professora Maria Angélica de Oliveira, revela que o pequeno número de formandos é uma realidade nacional, semelhante ao que acontece em outros lugares onde o curso é oferecido. Ela explica que os alunos já entram despreparados e encontram dificuldades em permanecer no curso. "Muitos vieram de escolas públicas e chegam defasados à universidade. Isso, atrelado ao fato de a maioria deles precisar trabalhar em razão do baixo poder aquisitivo de suas famílias, o que contribui para que grande parte dos estudantes abandonem o curso antes de concluí-lo", diz Maria Angélica.

No intuito de preparar os alunos que iniciam no curso de Estatística, uma nova metodologia foi empregada no processo seletivo de 2001. Essas alterações se diferem do que ocorre para a entrada nos outros cursos, exceto em Matemática, que faz uso do mesmo procedimento: os 120 candidatos classificados na primeira etapa do vestibular não realizarão a segunda etapa do processo seletivo, como é previsto para os demais cursos. O candidato deve cursar as disciplinas Matemática Básica I (oferecida pelo departamento de Matemática) e Estatística Básica I (oferecida pelo Departamento de Estatística) no primeiro período letivo, e obter média que o classifique dentro do número de vagas (um total de 40). Somente após o encerramento do período passam à condição de alunos do curso.

Segundo a chefe do Departamento de Estatística, o número de formandos tem melhorado em virtude dessas modificações, contudo, atesta que ainda não é o que desejam. "Temos conseguido formar mais alunos num período de quatro anos. Essa é uma nova realidade dentro do curso, graças às mudanças adotadas no processo seletivo, mas ainda não é o ideal", diz a professora.

A ex-aluna Fabrícia Izoton, formada em maio de 2004, revela que o curso é difícil por natureza e critica a escassez de professores. Ela alega, também, que há professores despreparados dando aulas, prejudicando o desempenho dos estudantes.

Em maio do próximo ano, doze pessoas se formarão. É um recorde na história do curso, visto que, num único período, nunca existiu um número superior a cinco pessoas obtendo tal graduação.


 

 
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