03/12/2004

Juliana Bourguignon

 

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Expectativas Dobradas

Mudanças previstas para a prova objetiva da Ufes deixaram alunos e professores apreensivos

O último dia 28 foi de muita expectativa para os 25.682 inscritos no processo seletivo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Essa ansiedade pode ser explicada pela apreensão natural que os estudantes sentem ao perceberem que, finalmente, chegou a hora de conhecer a prova para a qual se prepararam ao longo do ano. Desta vez, contudo, os vestibulandos tiveram um motivo adicional que os atormentava: o novo modelo de prova da Ufes.

Pouco antes do início da avaliação, marcada para as 14 horas, tudo que se sabia a respeito do novo teste é que ele se assemelharia com o estilo de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Essa mudança causava polêmica entre os candidatos. Segundo a estudante da Fundação Bradesco, Sheila Batista, esse novo método tende a igualar os alunos de cursinhos particulares, públicos e - como no seu caso - filantrópicos. Sheila, que disputa uma vaga ao curso de Comunicação Social, acredita que, com isso, a Ufes estaria privilegiando o raciocínio dos concorrentes.

Também candidata à Comunicação Social, a estudante, Paula Bermurdes, foi cautelosa em seu julgamento: "Ainda não vi a prova, mas 60 questões em um dia é muito pesado. Além disso, a banca não orientou direito quanto ao estilo de prova. "Está tudo muito vago", afirmou.

As surpresas começaram com o bater do sinal, às 19h07, que indicou o início da primeira fase do processo seletivo, prevista para terminar às 19 horas.

Os primeiros candidatos só começaram a sair por volta das 16 horas. A crediarista, Helena Barradas, que "briga" por uma vaga ao curso de Medicina Veterinária, aprovou o novo estilo do teste: "Desse jeito é melhor, pois testa mais a capacidade de percepção do candidato, se ele é bem informado, e não somente o conhecimento das disciplinas", constatou Helena, que não fez cursinho.

Entretanto, alguns professores, ao tomarem conhecimento do exame, divergiram opiniões. Para o professor de Matemática Jarbas Miranda, as mudanças foram válidas porque problematizaram os conteúdos de cada disciplina com questões do cotidiano. A proposta da prova, que teve como tema central o meio ambiente, foi incentivar a interdisciplinaridade. Além disso, ele achou positivo concentrar a especificidade de cada disciplina na segunda etapa de provas. "Com isso o estilo de ensino também deve mudar e os professores terão que se atualizar", disse Jarbas.

Já o professor de história, Abel Santana, considerou a prova fraca. Ele ressalta que não é culpa do modelo de prova utilizado, mas da elaboração das questões: "As abordagens dos conteúdos foram feitas superficialmente. Um bom aluno, aquele que está antenado em tudo, não teve dificuldades em resolver o teste", destaca Abel. Ele acrescenta, ainda, que o nível de dificuldade dos testes da Ufes sempre foi um incentivo para os estudantes se dedicarem ao último ano do Ensino Médio: "Acredito que a Ufes deva dificultar a seleção para os próximos anos".

De acordo com a presidente da comissão coordenadora do Vestibular, Sandra Ferreira, não há uma previsão de mudanças estruturais para os próximos anos. Ela disse que para fazer uma avaliação precisa da repercussão do novo sistema é necessário que a prova seja aplicada seqüencialmente.

Resta agora esperar para ver se novas mudanças virão na segunda etapa, que acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de dezembro, e criar novas expectativas para o Vest/2006.


 

 
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