
|
Preparar sem pagar Universidade para Todos é opção para quem procura um bom cursinho a baixo custo Que o vestibular é um modelo de processo seletivo elitista todos já estão cansados de saber. Ingressa na Ufes quem tiver passado na prova, ou seja, quem tiver feito a melhor preparação para passar na prova, o que remete, inevitavelmente, aos cursinhos particulares. Conhecimento se confunde com resultados e a qualidade do ensino é medida pelo número de aprovações. Tal é a idéia que se vende e para a qual não faltam compradores. Na arena da livre concorrência, cursinhos se digladiam ao mesmo tempo em que se multiplicam. Raros são os que conseguem a aprovação tendo estudado por conta própria. Assim, "sem alternativa", os vestibulandos recorrem a esses cursinhos, geralmente a um custo elevado. O fato é que sim, existem alternativas: cursinhos que procuram escapar à lógica desse "mercadão". Nessa categoria, o exemplo que tem ganhado mais importância é, sem dúvida, o Universidade para Todos. A lógica de ensino é a mesma, porém não há o caráter de empresa. Desse modo, as taxas cobradas aos estudantes é mínima se comparadas às dos colégios de marca maior. O Universidade para Todos surgiu em 1996, como projeto de extensão da Ufes - condição sustentada até hoje. Na ocasião, discentes de Economia e outros cursos resolveram se juntar para criar, em moldes bem modestos, uma turminha de pré-vestibular, que, com o tempo, conforme o projeto dava certo, foi ficando mais que modesta. Hoje, o cursinho conta 17 turmas, num total que vai de 900 a 1000 estudantes. Estes, por sua vez, são de um perfil muito distinto daquele que se reconhece em alunos de cursinhos particulares: via de regra, são jovens que cursaram o ensino médio em escolas da rede pública, o que constitui pré-requisito para sua matrícula; além disso, geralmente advêm de famílias com baixo poder aquisitivo, cuja renda mensal não supera seis salários. Há entre eles uma procura predominante pelos cursos na área de humanas. Sucesso Mesmo enfrentando algumas dificuldades, como a falta de uma estrutura própria - as aulas são dadas nos prédios do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da Ufes (CCJE) - ou o difícil acesso à informática, o projeto tem sucessivamente alcançado resultados expressivos no Vest-Ufes. Em 2003, por exemplo, foram 256 aprovados, cerca de 25% do total de inscritos. O único curso em que ainda não conseguiu aprovar é o de Medicina, precisamente o mais concorrido. Quem dá os números é José
Vasconcelos Maria, coordenador do Universidade para Todos e um de seus
fundadores. Para ele, estes só fazem provar a qualidade do ensino
ali prestado. "Quando passamos para sala de aula, não ficamos
nem um pouco a desejar. Na nossa equipe de professores, a grande maioria
também leciona nos principais cursinhos de Vitória",
salienta. Além de tudo, o projeto possui uma parceria com a Emescam,
através da qual os seus alunos podem conseguir bolsas de até
80% na faculdade.
|