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03/12/2004

Kênia Freitas

 

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Virando as páginas da literatura

Congresso discute os novos rumos dos estudos literários diante das inovações da produção recente

O que está sendo produzido atualmente na literatura? O que tem valor literário e quem decide isso? Como as novas tecnologias estão alterando os rumos da produção recente? Qual a postura da crítica literária diante das transformações de um mundo dito "pós-moderno"? Deveriam as discussões sobre literatura se reduzir à academia?

Essas são apenas algumas das muitas questões que foram discutidas no IV Congresso de Estudos Literários, que aconteceu entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro na Ufes. O evento, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), teve como tema as Multiteorias - correntes críticas, culturalismo, transdisciplinaridade. Durante o congresso, professores e estudantes puderam apresentar seus trabalhos em conferências ou comunicações.

Panorama atual

Um quadro bastante contraditório da literatura contemporânea foi traçado durante o congresso. De um lado, destacou-se que os brasileiros continuam a ler muito pouco. De outro, afirmou-se que a produção literária recente é bastante fértil. A professora Beatriz Resende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tentou explicar essa falsa oposição. Segundo ela, as novas tecnologias facilitaram a publicação de escritores da novíssima geração (apelidada por alguns críticos de "geração 00"). "As pequenas editoras independentes; as ferramentas da internet, como os blogs e os fóruns de discussão... tudo isso faz com que os jovens escritores não esperem o reconhecimento da academia ou do mercado para divulgar seus livros", afirmou Beatriz, que considera que a literatura brasileira vive um dos seus grandes momentos.

E os leitores?

O fato da veiculação de livros está maior e mais democrática não aumentou o número de leitores. Para o professor Evandro Nascimento, da Universidade Federal de Juiz de Fora, esse problema é, em parte, culpa dos estudiosos da área. "Você fetichizar a literatura e viver em um mundo fechado é uma pobreza", reclamou o professor.

Essa distância de realidades entre os acadêmicos e os leitores pode ser verificada no próprio congresso. Mesmo com a entrada gratuita e a disponibilidade de atividades em diversos horários, o público era sempre muito restrito aos professores da área. Alguns estudantes tentaram romper a barreira, mas esbarraram em dificuldades para acompanhar as discussões. "O número de referências a autores foi enorme e era essencial para se entender as conferências", afirmou o estudante de comunicação, Leonardo ViSo.

No entanto, Leonardo não se sentiu desmotivado, ao contrário, sua curiosidade foi despertada para conhecer esses novos autores. Atitude que comprava a importância da realização de mais eventos como esse.

 

 
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