07/08/2004

Jaider Manoel
e
Victor Duarte

Fotos: Max Dias
e
Euler Mota

 

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ÚLTIMO DIA DO FOCO DISCUTIU A FUNÇÃO DA ASSESSORIA DE IMPRENSA

Fórum de Comunicação debateu a relação desses profissionais com o processo eleitoral

Após uma semana de palestras e de debates sobre o assunto "O papel da Comunicação nos processos políticos eleitorais", o Fórum de Comunicação (FOCO) foi encerrado nessa última sexta-feira.

Diante de um publico de quase 180 pessoas, entre alunos, professores e profissionais de comunicação, o painel do último dia do II FOCO tratou sobre o tema "O assessor e o jornalista frente às estratégias de agendamento midiático durante os mandatos". O debate foi coordenado pela Professora do Curso de Comunicação Social da UFES, Juçara Brittes.

A parte expositiva do painel foi iniciada por Maurício Lara Camargos, professor do Curso de Jornalismo da PUC/MG. Ele comentou sobre a pressão pela qual o assessor de um candidato passa durante o dia-a-dia de uma campanha política e disse ainda que esse profissional tem um papel muitas vezes decisivo em uma disputa eleitoral. Segundo Camargos, a falta de noção por parte do assessorado em relação as reais funções do assessor torna o trabalho muito complicado, pois o candidato em vários momentos acredita que qualquer acontecimento deva ser transformado em notícia. De acordo com o professor, o responsável pela assessoria sempre é o primeiro a ser culpado por qualquer crise, falha ou desatenção durante a campanha, mesmo que isso não seja diretamente ligado com a área de comunicação, pois o candidato passa ao assessor a responsabilidade de tentar "esconder" da imprensa esses problemas e evidenciar apenas os feitos positivos.

Segundo Camargos "o assessor não deve ser ingênuo, mas não pode perder os escrúpulos. Ele não é um lobista, sempre vão pedir para aliciar a opinião da imprensa, passar por cima das redações". Ele disse ainda que o assessor de imprensa em geral, tanto de políticos, órgãos públicos ou de empresas particulares, passa pelos mesmos questionamentos, e que normalmente é mais fácil se render às mazelas da profissão do que manter seus valores éticos. Camargos encerrou sua exposição com a frase: "Se temos compromisso com a sociedade, devemos o assumir em nosso dia-a-dia".

Secretário de Comunicação de Vila Velha comenta a falta de formação dos Jornalistas

O segundo participante da mesa foi o Secretário de Comunicação da Prefeitura de Vila Velha, Sandro Penna, que substituiu na última hora o Secretário de Comunicação do Governo do Estado, Sebastião Barbosa, que por motivos profissionais não pode comparecer ao evento. Sandro iniciou sua fala traçando um panorama do atual sistema de comunicação da Prefeitura de Vila Velha, que segundo ele, foi necessário passar por uma reformulação, através da centralização das atividades comunicativas pela assessoria, sendo que nas gestões anteriores cada secretaria da prefeitura era responsável pela sua própria comunicação. De acordo com o assessor, as mudanças foram implantadas diante da preservação da transparência das ações públicas, que segundo ele, é a principal bandeira da atual gestão do prefeito Max Filho. Dentre as inovações está a criação de uma Ouvidoria, que garante o feedback da população com a prefeitura.

Sandro explicou as dificuldades encontradas durante o período das enchentes do inicio do ano em Vila Velha, em que era necessário, por parte dos profissionais da assessoria, uma divulgação das medidas que o prefeito estava tomando para sanar os danos na cidade. "Era necessário mostrar trabalho" disse. Ele comentou ainda sobre a dificuldade que o assessor possui em divulgar uma informação para um jornalista despreparado. A rotatividade e as más condições salariais e de trabalho acabam desqualificando os profissionais de redação, acarretando uma falta de conhecimento prévio por parte dos jornalistas.

Sindicato reprova profissionais de redação que trabalham simultaneamente em assessoria

A terceira palestrante do dia foi a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo Suzana Tatagiba Fundão. Ela relacionou o trabalho da assessoria de imprensa com a redação dos jornais, e comentou que o sindicato não aprova que o jornalista trabalhe nos dois meios simultaneamente. Suzana salientou que todo jornalista possui uma carga ideológica, mas essa não pode interferir em suas atividades dentro da redação. Ela falou do relacionamento que o profissional de assessoria tem com as redações, o qual nem sempre é agradável. Muitos assessores consideram os meios de comunicação como algo a ser utilizado a todo momento para beneficio de seus clientes, ocorrendo brigas pelos espaços na mídia entre assessores de candidatos diferentes. "O que mais encontramos no mercado é assessor chato", disse a presidente do sindicato.

De acordo com Suzana, os candidatos costumam reclamar através de seus assessores com os meios de comunicação quando é publicado algo desfavorável, como por exemplo uma pesquisa eleitoral em que ele esteja mal colocado na opinião publica: "Os candidatos simplesmente ignoram as pesquisas quando não revelam aquilo que eles esperavam". Outro grande problema enfrentado pelos jornalistas no relacionamento com os assessores é encontrado durante a cobertura de eleições no interior, em que, segundo Suzana, além do candidato o próprio assessor desconhece os esquemas e divulgação de noticia das redações da região metropolitana. Suzana salientou sobre a postura profissional que o jornalista deve manter diante do candidato, mesmo que este seja de sua preferência.

A Segunda edição do FOCO foi realizada pelo Departamento do Curso de Comunicação Social no Auditório Manuel Vereza, no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) na UFES, contando com seis espaços para palestras e dois mini - cursos.







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