07/08/2004

Vilson Vieira Júnior

Fotos: Luanda Vazzoler

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Por uma Democracia de fato

O quarto dia de debates no 2º FOCO alerta para o perigo que enfrenta a sociedade e a democracia diante do monopólio dos meios de comunicação

Lutar pela democratização dos meios de comunicação para construir uma nova mídia e por uma sociedade mais livre, justa e igualitária. Essa foi a principal mensagem deixada no quarto dia do 2º Fórum de Comunicação Social da UFES (Foco). O evento, cujo tema foi "O monopólio dos meios de comunicação e sua influência no processo eleitoral", contou com as presenças da professora do departamento de Ciências Sociais da UFES, Marta Zorzal e Silva, e da representante da Associação Mundial de Rádios Comunitárias, Taís Ladeira.

O painel deixou claro a gravidade da realidade do monopólio midiático no Brasil e no mundo, além da mobilização de toda a sociedade (organizada ou não) pela democratização dos meios de comunicação. Outro ponto em destaque no painel foi a crise da política mundial devido à sua adequação às regras da grande mídia monopolizada.

A professora Marta Zorzal falou sobre a fragilidade do sistema partidário brasileiro, que possibilitou que a mídia obtivesse um controle efetivo do cenário político nacional, com o poder de decidir o rumo das eleições e mesmo seus resultados. Conforme relatou a professora em seu painel, os partidos políticos perderam considerável espaço para a mídia nas suas funções de informar a população acerca do processo político-eleitoral, tornando-se aquela a intermediadora entre a política e a sociedade, além de assumir o papel de difusora de representações e ideologias políticas. Os meios de comunicação monopolizados levaram à massificação do discurso político, desvinculando a imagem dos candidatos de seus partidos e ideologias.

Colocando o rádio no centro das discussões, a representante da Associação Mundial de Rádios Comunitárias, Taís Ladeira, falou da importância que esse veículo de comunicação tem , ainda hoje, no Brasil, com um poder de alcance capaz de atingir as regiões mais distantes do País, além da estreita relação que existe entre as comunidades desses locais - especialmente o interior brasileiro - e o rádio. Desse modo, conforme relatou a radialista, ele se tornou um poderoso instrumento na organização e mobilização dos movimentos sociais.

Na opinião de Taís Ladeira, o rádio é o veículo que melhor representa o ideal de democratização dos meios de comunicação, principalmente as rádios comunitárias. Mas para conquistar esse objetivo, é preciso enfrentar o atrasado modelo de concessão pública de emissoras de rádio e TV brasileiro que, como lembrou a palestrante, é o responsável pela concentração desses veículos em mãos de políticos e da iniciativa privada. Ela também apontou como outra grande dificuldade para o funcionamento das rádios comunitárias a burocracia do governo federal que, através do Ministério das Comunicações, entrava os inúmeros pedidos de criação desses veículos, dando privilegio às rádios de caráter comercial e religioso.

No bloco de debates, ao responder às perguntas dos estudantes, Taís Ladeira se emocionou ao falar do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que possui um projeto que forma jovens de seus assentamentos em Comunicação, e também das Rádios Camponesas, ligadas ao Movimento. No encerramento do painel, a palestrante lançou um desafio aos estudantes de Comunicação Social da UFES: que os alunos coloquem no ar, dentro de um ano, a rádio do centro acadêmico do curso.

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