Por uma Democracia de fato
O quarto dia de debates no 2º FOCO alerta para
o perigo que enfrenta a sociedade e a democracia diante do monopólio
dos meios de comunicação
Lutar pela democratização dos meios de
comunicação para construir uma nova mídia e por
uma sociedade mais livre, justa e igualitária. Essa foi a principal
mensagem deixada no quarto dia do 2º Fórum de Comunicação
Social da UFES (Foco). O evento, cujo tema foi "O monopólio
dos meios de comunicação e sua influência no processo
eleitoral", contou com as presenças da professora do departamento
de Ciências Sociais da UFES, Marta Zorzal e Silva, e da representante
da Associação Mundial de Rádios Comunitárias,
Taís Ladeira.
O painel deixou claro a gravidade da realidade do monopólio midiático
no Brasil e no mundo, além da mobilização de toda
a sociedade (organizada ou não) pela democratização
dos meios de comunicação. Outro ponto em destaque no painel
foi a crise da política mundial devido à sua adequação
às regras da grande mídia monopolizada.
A professora Marta Zorzal falou sobre a fragilidade do sistema partidário
brasileiro, que possibilitou que a mídia obtivesse um controle
efetivo do cenário político nacional, com o poder de decidir
o rumo das eleições e mesmo seus resultados. Conforme
relatou a professora em seu painel, os partidos políticos perderam
considerável espaço para a mídia nas suas funções
de informar a população acerca do processo político-eleitoral,
tornando-se aquela a intermediadora entre a política e a sociedade,
além de assumir o papel de difusora de representações
e ideologias políticas. Os meios de comunicação
monopolizados levaram à massificação do discurso
político, desvinculando a imagem dos candidatos de seus partidos
e ideologias.
Colocando o rádio no centro das discussões, a representante
da Associação Mundial de Rádios Comunitárias,
Taís Ladeira, falou da importância que esse veículo
de comunicação tem , ainda hoje, no Brasil, com um poder
de alcance capaz de atingir as regiões mais distantes do País,
além da estreita relação que existe entre as comunidades
desses locais - especialmente o interior brasileiro - e o rádio.
Desse modo, conforme relatou a radialista, ele se tornou um poderoso
instrumento na organização e mobilização
dos movimentos sociais.
Na opinião de Taís Ladeira, o rádio é o
veículo que melhor representa o ideal de democratização
dos meios de comunicação, principalmente as rádios
comunitárias. Mas para conquistar esse objetivo, é preciso
enfrentar o atrasado modelo de concessão pública de emissoras
de rádio e TV brasileiro que, como lembrou a palestrante, é
o responsável pela concentração desses veículos
em mãos de políticos e da iniciativa privada. Ela também
apontou como outra grande dificuldade para o funcionamento das rádios
comunitárias a burocracia do governo federal que, através
do Ministério das Comunicações, entrava os inúmeros
pedidos de criação desses veículos, dando privilegio
às rádios de caráter comercial e religioso.
No bloco de debates, ao responder às perguntas dos estudantes,
Taís Ladeira se emocionou ao falar do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem-Terra (MST), que possui um projeto que forma jovens de seus
assentamentos em Comunicação, e também das Rádios
Camponesas, ligadas ao Movimento. No encerramento do painel, a palestrante
lançou um desafio aos estudantes de Comunicação
Social da UFES: que os alunos coloquem no ar, dentro de um ano, a rádio
do centro acadêmico do curso.
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