07/08/2004

Fotos: Mikaella Campos

COLABORAÇÃO

Matéria: Cynthia Silva
Revisão: Marialina Antolini
(Alunas do 6º período de Comunicação Social da Ufes)

 

 

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Pesquisa eleitoral não muda voto de eleitor

Esse foi o tema em debate no terceiro dia do Foco

"Pesquisa não ganha eleição". Foi com essa frase que o cientista político e presidente do Conselho Superior do Centro de Estudo da Opinião Pública, Marcus Figueiredo, iniciou sua palestra "Pesquisa eleitoral: credibilidade, função e influência na decisão do voto". O evento foi parte da programação do 2º Fórum de Comunicação da Ufes.

De acordo com Figueiredo, o que acontece é a manipulação dos resultados das pesquisas eleitorais pela grande mídia, que pode favorecer um candidato em detrimento de outros. Do ponto de vista técnico é "extremamente difícil fraudar uma pesquisa. A rigor, sociologicamente, a pesquisa, enquanto objeto exclusivo de observação, tem baixa influência na formação da opinião pública", enfatiza o cientista político.

Figueiredo, que também é coordenador do Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública do IUPERJ explicou que, a partir do momento que os resultados de pesquisas eleitorais passaram a ser divulgados na imprensa "a mídia começou aprender que pesquisa é informação historicamente pontual e que a taxa de incerteza e questões de ordem técnica e tecnológica devem ser levadas em consideração antes de fazer a manchete".

Logo quando as pesquisas eleitorais começaram a ser mostradas na imprensa, problemas como imprecisão na divulgação dos resultados e falta de conhecimento técnico na avaliação destes eram comuns. Para uma parcela da população, da imprensa e para alguns políticos, os erros das pesquisas estavam ocorrendo por razões comerciais, e não técnicas. A divulgação exigida por lei deve mostrar o resultado apurado (que inclui votos brancos, nulos e NR/NS - não respondeu / não sabe) e o resultado válido, que considera apenas as respostas objetivas.

"A pesquisa de opinião pública é produto de uma rede de debate social", explica Figueiredo. Um fato ocorrido hoje pode provocar mudança de opinião em uma parcela da população. A imprensa é pautada pelos resultados das pesquisas e, conseqüentemente, esses resultados se tornam agenda da população, isso é, o assunto que corre de boca em boca é decorrente do fato noticiado.

O primeiro momento de uma pesquisa, geralmente realizada no período pré-eleitoral (de janeiro a junho), não apresenta interesse do ponto de vista do eleitor. A principal contribuição desse trabalho é que, a partir dos resultados, é possível visualizar o cenário político, e os partidos passam a conhecer o potencial de votos dos candidatos que pretendem lançar. É também nesse momento que surgem as possibilidades de financiamento de campanha.

O cientista político define o voto como um instrumento que substitui "armas de fogo, pedras" em um processo eleitoral. O candidato deve construir um discurso para traçar os objetivos estratégicos de uma campanha: deter sua base eleitoral inicial, minar as bases adversárias e ganhar seus eleitores, além de conquistar os votos dos eleitores indecisos.

Uma norma recente determina a divulgação do número de registro da pesquisa e da base territorial. Isso garante a validade legal do trabalho. No entanto, o registro da pesquisa nos cartórios eleitorais deve ser feito cinco dias antes de ir para as ruas e, de acordo com Figueiredo, em cidades pequenas, o tempo é suficiente para um candidato mobilizar sua militância na região a ser pesquisada, o que pode interferir no resultado.




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