Pesquisa eleitoral não muda voto de eleitor
Esse foi o tema em debate no terceiro dia do Foco
"Pesquisa não ganha eleição".
Foi com essa frase que o cientista político e presidente do Conselho
Superior do Centro de Estudo da Opinião Pública, Marcus
Figueiredo, iniciou sua palestra "Pesquisa eleitoral: credibilidade,
função e influência na decisão do voto".
O evento foi parte da programação do 2º Fórum
de Comunicação da Ufes.
De acordo com Figueiredo, o que acontece é a manipulação
dos resultados das pesquisas eleitorais pela grande mídia, que
pode favorecer um candidato em detrimento de outros. Do ponto de vista
técnico é "extremamente difícil fraudar uma
pesquisa. A rigor, sociologicamente, a pesquisa, enquanto objeto exclusivo
de observação, tem baixa influência na formação
da opinião pública", enfatiza o cientista político.
Figueiredo, que também é coordenador do Laboratório
de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião
Pública do IUPERJ explicou que, a partir do momento que os resultados
de pesquisas eleitorais passaram a ser divulgados na imprensa "a
mídia começou aprender que pesquisa é informação
historicamente pontual e que a taxa de incerteza e questões de
ordem técnica e tecnológica devem ser levadas em consideração
antes de fazer a manchete".
Logo quando as pesquisas eleitorais começaram a ser mostradas
na imprensa, problemas como imprecisão na divulgação
dos resultados e falta de conhecimento técnico na avaliação
destes eram comuns. Para uma parcela da população, da
imprensa e para alguns políticos, os erros das pesquisas estavam
ocorrendo por razões comerciais, e não técnicas.
A divulgação exigida por lei deve mostrar o resultado
apurado (que inclui votos brancos, nulos e NR/NS - não respondeu
/ não sabe) e o resultado válido, que considera apenas
as respostas objetivas.
"A pesquisa de opinião pública é produto de
uma rede de debate social", explica Figueiredo. Um fato ocorrido
hoje pode provocar mudança de opinião em uma parcela da
população. A imprensa é pautada pelos resultados
das pesquisas e, conseqüentemente, esses resultados se tornam agenda
da população, isso é, o assunto que corre de boca
em boca é decorrente do fato noticiado.
O primeiro momento de uma pesquisa, geralmente realizada no período
pré-eleitoral (de janeiro a junho), não apresenta interesse
do ponto de vista do eleitor. A principal contribuição
desse trabalho é que, a partir dos resultados, é possível
visualizar o cenário político, e os partidos passam a
conhecer o potencial de votos dos candidatos que pretendem lançar.
É também nesse momento que surgem as possibilidades de
financiamento de campanha.
O cientista político define o voto como um instrumento que substitui
"armas de fogo, pedras" em um processo eleitoral. O candidato
deve construir um discurso para traçar os objetivos estratégicos
de uma campanha: deter sua base eleitoral inicial, minar as bases adversárias
e ganhar seus eleitores, além de conquistar os votos dos eleitores
indecisos.
Uma norma recente determina a divulgação do número
de registro da pesquisa e da base territorial. Isso garante a validade
legal do trabalho. No entanto, o registro da pesquisa nos cartórios
eleitorais deve ser feito cinco dias antes de ir para as ruas e, de
acordo com Figueiredo, em cidades pequenas, o tempo é suficiente
para um candidato mobilizar sua militância na região a
ser pesquisada, o que pode interferir no resultado.