Alunos buscam mais alternativas para continuar discutindo
política
Paralelamente à programação de palestras,
o II Foco ofereceu também dois mini-cursos, ministrados no período
da tarde. Com o tema "Estratégias da disputa eleitoral midiática",
a professora do Departamento de Comunicação da Ufes, Dalva
Ramaldes, explorou a relação que existe entre os meios
de comunicação e a política. Cerca de trinta alunos
estiveram presentes para prestigiar a apresentação de
parte da tese de doutorado da professora.
Durante o mini-curso, que foi realizado no dia 27, Ramaldes falou sobre
a última disputa eleitoral brasileira. Tratando especificamente
do segundo turno das eleições presidenciais de 2001, a
professora elucidou as estratégias usadas nas propagandas políticas
televisivas das campanhas dos candidatos do PT e PSDB (Lula e Serra,
respectivamente).
As estratégias
Em busca da confiança do eleitorado e de passar
credibilidade no discurso, as campanhas ressaltam, principalmente, a
ética do candidato e a capacidade técnica de governar.
Segundo Ramaldes, "o conteúdo das campanhas são muito
semelhantes e, por isso, os 'marqueteiros' investem mais na imagem de
seu cliente. É clara a mudança na aparência de Lula.
Sua barba, por exemplo, não foi retirada, mas moldada de forma
a ser social e politicamente aceita", comenta.
Ramaldes também discorreu sobre a importância dos personagens
na montagem do discurso político. "Os personagens são
essenciais nas campanhas, principalmente porque eles falam aquilo que
não é conveniente que seja dito pelo seu candidato. Se
é preciso desqualificar o concorrente para angariar mais votos,
é melhor que a fala esteja na boca de outra pessoa", explica.
De acordo com Ramaldes, a publicidade usa dois tipos de personagens,
chamados 'aliados', para compor o elenco da propaganda. Os aliados populares
são pessoas comuns que estabelecem uma relação
de identificação com o espectador. Esses personagens aparecem
como donas-de-casa, trabalhadores, todos em cenas do cotidiano. Já
o aliado olimpiano - em alusão aos deuses de Olimpo - é
usado para dar mais credibilidade ao candidato. São pessoas conhecidas
da sociedade que surgem para legitimar o discurso político. "Cantores,
atores, políticos, estudiosos, especialistas. Todos lembram dessas
pessoas na televisão", pontua Ramaldes.
Entre outras estratégias apresentadas, a professora falou do
recurso da intertextualidade. "As campanhas de televisão
também utilizam matérias que saíram em outros veículos,
como jornais e revistas, e as exibem para ratificar a aceitação
de seu candidato na sociedade".
O aluno Geraldo Ramos, do 8º período de Comunicação
Social, saiu bastante satisfeito com o mini-curso. "O conteúdo
foi muito bom e as análises foram bem instigantes". A estudante
Daniella Zanotti, 3º período, concorda. "Ela demonstrou
muita segurança a respeito do tema".
As dificuldades
Alguns participantes tiveram dificuldade em acompanhar
o raciocínio da explanação, visto que toda a tese
da professora está baseada na semiótica. "A análise
do conteúdo das campanhas foi muito boa, mas como ainda não
estudei semiótica, achei complicado entender alguns conceitos
que ela usou, como a significação através do sentido",
lamenta Vitor Taveira Rocha, do 1º período.
Outros alunos, como Gleyson Tete, do 3º período, disseram
que teriam aproveitado melhor a palestra se tivesse lido um material
antecipadamente. "Um texto-guia explicando alguns termos da semiótica
facilitaria a compreensão do conteúdo", afirma Tete.
George Vianna Silva Souza, do 3º período, lamentou a falta
de tempo para aprofundar o assunto. "Infelizmente, não houve
muito debate ao final da palestra e ficou faltando interação
com os participantes do mini-curso".
Dalva Ramaldes é professora da Universidade Federal do Espírito
Santo desde 1993. Faz parte da primeira turma formada em Jornalismo
por essa mesma universidade.