07/08/2004

COLABORAÇÃO

Reportagem: Camila Torres - aluna do 6º período
Edição: Helena Santos

 

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Alunos buscam mais alternativas para continuar discutindo política

Paralelamente à programação de palestras, o II Foco ofereceu também dois mini-cursos, ministrados no período da tarde. Com o tema "Estratégias da disputa eleitoral midiática", a professora do Departamento de Comunicação da Ufes, Dalva Ramaldes, explorou a relação que existe entre os meios de comunicação e a política. Cerca de trinta alunos estiveram presentes para prestigiar a apresentação de parte da tese de doutorado da professora.

Durante o mini-curso, que foi realizado no dia 27, Ramaldes falou sobre a última disputa eleitoral brasileira. Tratando especificamente do segundo turno das eleições presidenciais de 2001, a professora elucidou as estratégias usadas nas propagandas políticas televisivas das campanhas dos candidatos do PT e PSDB (Lula e Serra, respectivamente).

As estratégias

Em busca da confiança do eleitorado e de passar credibilidade no discurso, as campanhas ressaltam, principalmente, a ética do candidato e a capacidade técnica de governar. Segundo Ramaldes, "o conteúdo das campanhas são muito semelhantes e, por isso, os 'marqueteiros' investem mais na imagem de seu cliente. É clara a mudança na aparência de Lula. Sua barba, por exemplo, não foi retirada, mas moldada de forma a ser social e politicamente aceita", comenta.

Ramaldes também discorreu sobre a importância dos personagens na montagem do discurso político. "Os personagens são essenciais nas campanhas, principalmente porque eles falam aquilo que não é conveniente que seja dito pelo seu candidato. Se é preciso desqualificar o concorrente para angariar mais votos, é melhor que a fala esteja na boca de outra pessoa", explica.

De acordo com Ramaldes, a publicidade usa dois tipos de personagens, chamados 'aliados', para compor o elenco da propaganda. Os aliados populares são pessoas comuns que estabelecem uma relação de identificação com o espectador. Esses personagens aparecem como donas-de-casa, trabalhadores, todos em cenas do cotidiano. Já o aliado olimpiano - em alusão aos deuses de Olimpo - é usado para dar mais credibilidade ao candidato. São pessoas conhecidas da sociedade que surgem para legitimar o discurso político. "Cantores, atores, políticos, estudiosos, especialistas. Todos lembram dessas pessoas na televisão", pontua Ramaldes.

Entre outras estratégias apresentadas, a professora falou do recurso da intertextualidade. "As campanhas de televisão também utilizam matérias que saíram em outros veículos, como jornais e revistas, e as exibem para ratificar a aceitação de seu candidato na sociedade".

O aluno Geraldo Ramos, do 8º período de Comunicação Social, saiu bastante satisfeito com o mini-curso. "O conteúdo foi muito bom e as análises foram bem instigantes". A estudante Daniella Zanotti, 3º período, concorda. "Ela demonstrou muita segurança a respeito do tema".

As dificuldades

Alguns participantes tiveram dificuldade em acompanhar o raciocínio da explanação, visto que toda a tese da professora está baseada na semiótica. "A análise do conteúdo das campanhas foi muito boa, mas como ainda não estudei semiótica, achei complicado entender alguns conceitos que ela usou, como a significação através do sentido", lamenta Vitor Taveira Rocha, do 1º período.

Outros alunos, como Gleyson Tete, do 3º período, disseram que teriam aproveitado melhor a palestra se tivesse lido um material antecipadamente. "Um texto-guia explicando alguns termos da semiótica facilitaria a compreensão do conteúdo", afirma Tete.

George Vianna Silva Souza, do 3º período, lamentou a falta de tempo para aprofundar o assunto. "Infelizmente, não houve muito debate ao final da palestra e ficou faltando interação com os participantes do mini-curso".

Dalva Ramaldes é professora da Universidade Federal do Espírito Santo desde 1993. Faz parte da primeira turma formada em Jornalismo por essa mesma universidade.

 
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