Culto ao corpo perfeito
O corpo é comunicação e traz consigo
sua história, seus valores e nos remete aos grupos sociais no
qual está inserido. O sistema capitalista quer "aprisionar"
o corpo e o usa como estereótipo para incitar o consumo, plantando
na sociedade o desejo, a necessidade pelo fútil
As relações do corpo com a tecnologia expressadas no cinema
ao longo da história foram discutidas no mini-curso "Corpo,
tecnologia e cinema" oferecido pela professora Renata Rezende nos
dias 26, 27 e 28 de julho. O mini-curso integram as atividades do II
Foco - Fórum de Comunicação Social da Ufes. O público
presente era composto em sua maioria de jovens estudantes dos períodos
iniciais do curso.
O tema é vinculado à tese de mestrado desenvolvida pela
professora na Universidade Federal Fluminense - UFF e também
será apresentado no próximo mês no INTERCOM em Porto
Alegre.
Para Renata Rezende, a busca pelo "corpo perfeito" é
imposta pela lógica capitalista. Assim, cresce o número
de cirurgias plásticas, tratamentos de beleza, academias de ginástica.
Cada sociedade traça seu perfil de corpo ideal. No Brasil, por
exemplo, o corpo carnavalesco é estereotipado nas mulatas.
A fim de explicar como a sociedade construiu a concepção
de corpo através das tecnologias, a professora dividiu a sociedade
em três momentos: sociedade industrial, sociedade de consumo e
sociedade da informação. Ressaltando que elas não
são distintas, e sim cumulativas, a sociedade atual carrega atributos
das anteriores. Para exemplificar cada momento foram exibidos e analisados
filmes que trazem contextos pertinentes. Ela utiliza como referencial
teórico o filósofo Michel Foucault. Segundo Rezende, a
opção pelo cinema em vez da literatura foi devido à
dessacralização deste meio de comunicação,
o que possibilita uma nova leitura do mundo e investigação
da realidade.
Para entender a sociedade industrial, o filme escolhido foi "Tempos
Modernos" de Charles Chaplin, que enfatiza a produção
massiva formadora do corpo-máquina. O discurso presente no filme
é a disciplina e a relação do normal com o patológico.
O filme "Gattaca", de Andrew Niccol, foi exibido para exemplificar
a sociedade de consumo, que também contém atributos da
industrial. Aí, a genética e o 'bio-corpo' são
enfatizados pela superação e disputa, onde um corpo tem
que se moldar aos padrões que o valide. Por fim, para analisar
a sociedade da informação, foi selecionado "S1m0ne",
do mesmo diretor. Surge então o 'bit-corpo', onde a imagem é
valorizada ao extremo e há uma repulsa ao orgânico. Neste
momento, não há uma preocupação somente
com a genética do corpo perfeito, e sim com a representação
deste. A imagem digital é pura, livre das imperfeições
do mundo "humano".
Renata Rezende considera que hoje vivemos na transição
da sociedade de consumo para a sociedade da informação.
Há uma busca pela imagem do corpo perfeito, haja vista a exploração
das formas femininas pela mídia. Aos poucos, os homens também
foram incorporados nestes novos padrões. Ela enfatiza que não
pretende criticar o modelo proposto pela atual sociedade capitalista,
mas sim analisar seu percurso histórico.
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