07/08/2004

COLABORAÇÃO

Reportagem: Karina Dal'Col Vieira
Edição: Helena Santos
(Alunas do 6º periodo do curso de Comunicação Social - Ufes)

 

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Culto ao corpo perfeito

O corpo é comunicação e traz consigo sua história, seus valores e nos remete aos grupos sociais no qual está inserido. O sistema capitalista quer "aprisionar" o corpo e o usa como estereótipo para incitar o consumo, plantando na sociedade o desejo, a necessidade pelo fútil

As relações do corpo com a tecnologia expressadas no cinema ao longo da história foram discutidas no mini-curso "Corpo, tecnologia e cinema" oferecido pela professora Renata Rezende nos dias 26, 27 e 28 de julho. O mini-curso integram as atividades do II Foco - Fórum de Comunicação Social da Ufes. O público presente era composto em sua maioria de jovens estudantes dos períodos iniciais do curso.
O tema é vinculado à tese de mestrado desenvolvida pela professora na Universidade Federal Fluminense - UFF e também será apresentado no próximo mês no INTERCOM em Porto Alegre.

Para Renata Rezende, a busca pelo "corpo perfeito" é imposta pela lógica capitalista. Assim, cresce o número de cirurgias plásticas, tratamentos de beleza, academias de ginástica. Cada sociedade traça seu perfil de corpo ideal. No Brasil, por exemplo, o corpo carnavalesco é estereotipado nas mulatas.

A fim de explicar como a sociedade construiu a concepção de corpo através das tecnologias, a professora dividiu a sociedade em três momentos: sociedade industrial, sociedade de consumo e sociedade da informação. Ressaltando que elas não são distintas, e sim cumulativas, a sociedade atual carrega atributos das anteriores. Para exemplificar cada momento foram exibidos e analisados filmes que trazem contextos pertinentes. Ela utiliza como referencial teórico o filósofo Michel Foucault. Segundo Rezende, a opção pelo cinema em vez da literatura foi devido à dessacralização deste meio de comunicação, o que possibilita uma nova leitura do mundo e investigação da realidade.

Para entender a sociedade industrial, o filme escolhido foi "Tempos Modernos" de Charles Chaplin, que enfatiza a produção massiva formadora do corpo-máquina. O discurso presente no filme é a disciplina e a relação do normal com o patológico. O filme "Gattaca", de Andrew Niccol, foi exibido para exemplificar a sociedade de consumo, que também contém atributos da industrial. Aí, a genética e o 'bio-corpo' são enfatizados pela superação e disputa, onde um corpo tem que se moldar aos padrões que o valide. Por fim, para analisar a sociedade da informação, foi selecionado "S1m0ne", do mesmo diretor. Surge então o 'bit-corpo', onde a imagem é valorizada ao extremo e há uma repulsa ao orgânico. Neste momento, não há uma preocupação somente com a genética do corpo perfeito, e sim com a representação deste. A imagem digital é pura, livre das imperfeições do mundo "humano".

Renata Rezende considera que hoje vivemos na transição da sociedade de consumo para a sociedade da informação. Há uma busca pela imagem do corpo perfeito, haja vista a exploração das formas femininas pela mídia. Aos poucos, os homens também foram incorporados nestes novos padrões. Ela enfatiza que não pretende criticar o modelo proposto pela atual sociedade capitalista, mas sim analisar seu percurso histórico.

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