Considerações "focais"...
O Fórum de Comunicação deste ano
trouxe pessoas interessantes e renomadas no cenário nacional.
Desta vez, o Foco procurou direcionar o tema das discussões,
que giraram em torno da política e do processo eleitoral. O evento
contou com a freqüência de grande parte dos estudantes de
Comunicação Social da Ufes. Alguns, entretanto, aproveitaram
o período para colocar as coisas em ordem e até descansar.
De qualquer forma, quem apareceu em pelo menos um dos cinco dias de
programação deve ter percebido que o II Foco ofereceu
boas oportunidades de reflexão e crescimento para os alunos.
Mas, como todo evento, teve grandes surpresas e grandes decepções.
Uma destas parece ser a presença de Almyr Gajardoni. O fundador
e ex-diretor da revista Superinteressante alimentou grandes expectativas
entre os estudantes, principalmente devido ao seu farto currículo.
Gajardoni já passou pela Folha de São Paulo, Veja, Jornal
do Brasil, IstoÉ e outros veículos aos quais se credita
grande público leitor. Ainda arrumou tempo na sua jornada de
quase cinqüenta anos bem vividos na área profissional para
escrever o livro "Idiotas e demagogos - pequeno manual de instruções
da democracia", em 1992. Tudo isso fez com que a platéia
esperasse sedenta pelas palavras de Gajardoni, que, para a decepção
de muitos, soaram como monocórdias reproduções
do texto elaborado pelo jornalista.
A estudante Liege Nogueira, 20, caloura da Ufes, foi uma dos que esperavam
mais da palestra de Almyr Gajardoni. "Ele só leu o texto,
não falou nada. Esta era a palestra que eu mais esperava".
Apesar disso, a estudante ressaltou que achou o evento muito bom. "O
tema escolhido é interessante e eu tinha pouco conhecimento a
respeito dele. O que mais gostei foi da palestra de Elizabeth Rodrigues".
Rodrigues é jornalista, professora aposentada da Ufes e especialista
em marketing eleitoral e político; participou do painel inaugural
do II Foco, realizado na última segunda-feira (26).
Outra estudante que teve as expectativas contrariadas a respeito da
palestra de Gajardoni foi Júlia Beling, do segundo período
de Jornalismo da Faesa. "Eu achei que ele ia falar sobre sua experiência,
mas ele só leu, assim como a Marta Zorzal. Não gosto desse
formato de palestra. Mas o tema deste ano é bem adequado. Achei
a palestra sobre Assessoria de Imprensa a mais interessante". (Zorzal
é professora do Departamento de Ciências Sociais da Ufes
e coordenadora do laboratório de pesquisas em Política).
Só pode comparar o evento deste ano quem esteve presente o ano
passado e acompanhou a primeira edição do evento. Nair
Rúbia Nascimento Baptista, do sétimo período, acredita
que a definição de um tema central foi bom para o resultado
do evento. "No I Foco os temas eram muito diversificados. Parece
que o objetivo deste ano ficou mais claro e o evento conseguiu atingir
melhor seu objetivo". O painel que mais interessou a aluna foi
o de tema "Comunicação e poder", mesa formada
por Taís Ladeira (Representante da Associação Mundial
de Rádios Comunitárias) e Marta Zorzal. "O debate
foi tão interessante que ninguém queria sair do auditório.
As duas conseguiram linkar suas falas, demonstrando cumplicidade".
Mas Rúbia Baptista também tem suas reclamações:
"A primeira palestra não foi boa, os nomes escolhidos não
conseguiram fazer um debate rico de reflexões mais profundas".
Como qualquer evento, o II Foco também teve algumas surpresas.
Uma delas foi a mesa organizada na última hora pelo Grav (Grupo
de Estudos Audiovisuais). O debate aconteceu na quarta-feira à
noite e contou com cerca de trinta alunos. Apesar do auditório
estar liberado para uso, o Grav preferiu fazer o painel na sala 206
do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, o que
proporcionou grande proximidade do público com os convidados.
O tema era a produção de vídeos no processo eleitoral,
mas isso não limitou a conversa. Ao final do debate, Daniel Dias
Victor, da Pacífica Filmes, já dava aulas de lentes especiais
de cinema. A falta de direção não empobreceu a
palestra; ao contrário, o que seria um painel se tornou conversa
informal e teve como direcionamento o que os alunos queriam ouvir e
os convidados queriam falar.
Outra surpresa foi a presença do Secretário de Comunicação
de Vila Velha, Sandro Penna, no último debate do evento. Penna
foi chamado na quinta-feira para falar na sexta, o que fez o profissional
quase desistir da "missão". O jornalista ocupou a cadeira
do Secretário de Comunicação do Governo do Espírito
Santo, Sebastião Barbosa, mas não deixou a falta de tempo
limitar seu discurso. Para o Professor da Ufes, José Antônio
Martinuzzo, a presença de Penna conseguiu preencher sem perda
alguma a ausência do outro convidado. "Conheço o trabalho
dos dois, os discursos seguem a mesma linha. A fala de Penna foi tão
enriquecedora quanto a de 'Tião' seria".
As opiniões capixabas que se ouviam pelos arredores do auditório
foram positivas. Mas o que as pessoas de fora do Estado acharam do Fórum?
O professor do curso de Jornalismo da PUC de Minas Gerais, Maurício
Lara, já participou de encontros em outros estados e achou a
freqüência dos estudantes um ponto marcante do Foco. "Sou
professor, sei como é isso. Os alunos costumam gostar desse tipo
de evento para ficar em casa. Aqui na Ufes, fui recebido com o auditório
praticamente lotado, o que é muito bom. Depois que o evento acaba,
muitos dos alunos que não compareceram e vêem a repercussão,
se arrependem. O Foco não deixou nada a desejar".