07/08/2004

COLABORAÇÃO

Reportagem: Helena Santos
Edição: Marialina Antolini
(Alunas do curso de Comunicação Social - Ufes)

 

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Considerações "focais"...

O Fórum de Comunicação deste ano trouxe pessoas interessantes e renomadas no cenário nacional.

Desta vez, o Foco procurou direcionar o tema das discussões, que giraram em torno da política e do processo eleitoral. O evento contou com a freqüência de grande parte dos estudantes de Comunicação Social da Ufes. Alguns, entretanto, aproveitaram o período para colocar as coisas em ordem e até descansar. De qualquer forma, quem apareceu em pelo menos um dos cinco dias de programação deve ter percebido que o II Foco ofereceu boas oportunidades de reflexão e crescimento para os alunos.

Mas, como todo evento, teve grandes surpresas e grandes decepções. Uma destas parece ser a presença de Almyr Gajardoni. O fundador e ex-diretor da revista Superinteressante alimentou grandes expectativas entre os estudantes, principalmente devido ao seu farto currículo. Gajardoni já passou pela Folha de São Paulo, Veja, Jornal do Brasil, IstoÉ e outros veículos aos quais se credita grande público leitor. Ainda arrumou tempo na sua jornada de quase cinqüenta anos bem vividos na área profissional para escrever o livro "Idiotas e demagogos - pequeno manual de instruções da democracia", em 1992. Tudo isso fez com que a platéia esperasse sedenta pelas palavras de Gajardoni, que, para a decepção de muitos, soaram como monocórdias reproduções do texto elaborado pelo jornalista.

A estudante Liege Nogueira, 20, caloura da Ufes, foi uma dos que esperavam mais da palestra de Almyr Gajardoni. "Ele só leu o texto, não falou nada. Esta era a palestra que eu mais esperava". Apesar disso, a estudante ressaltou que achou o evento muito bom. "O tema escolhido é interessante e eu tinha pouco conhecimento a respeito dele. O que mais gostei foi da palestra de Elizabeth Rodrigues". Rodrigues é jornalista, professora aposentada da Ufes e especialista em marketing eleitoral e político; participou do painel inaugural do II Foco, realizado na última segunda-feira (26).

Outra estudante que teve as expectativas contrariadas a respeito da palestra de Gajardoni foi Júlia Beling, do segundo período de Jornalismo da Faesa. "Eu achei que ele ia falar sobre sua experiência, mas ele só leu, assim como a Marta Zorzal. Não gosto desse formato de palestra. Mas o tema deste ano é bem adequado. Achei a palestra sobre Assessoria de Imprensa a mais interessante". (Zorzal é professora do Departamento de Ciências Sociais da Ufes e coordenadora do laboratório de pesquisas em Política).

Só pode comparar o evento deste ano quem esteve presente o ano passado e acompanhou a primeira edição do evento. Nair Rúbia Nascimento Baptista, do sétimo período, acredita que a definição de um tema central foi bom para o resultado do evento. "No I Foco os temas eram muito diversificados. Parece que o objetivo deste ano ficou mais claro e o evento conseguiu atingir melhor seu objetivo". O painel que mais interessou a aluna foi o de tema "Comunicação e poder", mesa formada por Taís Ladeira (Representante da Associação Mundial de Rádios Comunitárias) e Marta Zorzal. "O debate foi tão interessante que ninguém queria sair do auditório. As duas conseguiram linkar suas falas, demonstrando cumplicidade". Mas Rúbia Baptista também tem suas reclamações: "A primeira palestra não foi boa, os nomes escolhidos não conseguiram fazer um debate rico de reflexões mais profundas".

Como qualquer evento, o II Foco também teve algumas surpresas. Uma delas foi a mesa organizada na última hora pelo Grav (Grupo de Estudos Audiovisuais). O debate aconteceu na quarta-feira à noite e contou com cerca de trinta alunos. Apesar do auditório estar liberado para uso, o Grav preferiu fazer o painel na sala 206 do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, o que proporcionou grande proximidade do público com os convidados. O tema era a produção de vídeos no processo eleitoral, mas isso não limitou a conversa. Ao final do debate, Daniel Dias Victor, da Pacífica Filmes, já dava aulas de lentes especiais de cinema. A falta de direção não empobreceu a palestra; ao contrário, o que seria um painel se tornou conversa informal e teve como direcionamento o que os alunos queriam ouvir e os convidados queriam falar.

Outra surpresa foi a presença do Secretário de Comunicação de Vila Velha, Sandro Penna, no último debate do evento. Penna foi chamado na quinta-feira para falar na sexta, o que fez o profissional quase desistir da "missão". O jornalista ocupou a cadeira do Secretário de Comunicação do Governo do Espírito Santo, Sebastião Barbosa, mas não deixou a falta de tempo limitar seu discurso. Para o Professor da Ufes, José Antônio Martinuzzo, a presença de Penna conseguiu preencher sem perda alguma a ausência do outro convidado. "Conheço o trabalho dos dois, os discursos seguem a mesma linha. A fala de Penna foi tão enriquecedora quanto a de 'Tião' seria".

As opiniões capixabas que se ouviam pelos arredores do auditório foram positivas. Mas o que as pessoas de fora do Estado acharam do Fórum? O professor do curso de Jornalismo da PUC de Minas Gerais, Maurício Lara, já participou de encontros em outros estados e achou a freqüência dos estudantes um ponto marcante do Foco. "Sou professor, sei como é isso. Os alunos costumam gostar desse tipo de evento para ficar em casa. Aqui na Ufes, fui recebido com o auditório praticamente lotado, o que é muito bom. Depois que o evento acaba, muitos dos alunos que não compareceram e vêem a repercussão, se arrependem. O Foco não deixou nada a desejar".

 
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