Cidadania e Jornalismo
O papel do jornalista na sociedade é fundamental
no esclarecimento do cidadão, principalmente no processo político
O segundo dia do Fórum de Comunicação
Social trouxe como discussão o papel do jornalista no esclarecimento
do cidadão. Participação popular no processo político,
acesso da população às informações,
democracia, capital atrelado à mídia e enfoque dado à
notícia política foram os principais pontos levantados
pelos palestrantes durante o evento.
A mesa, coordenada pelo professor da Ufes Victor Gentilli, contou com
a presença do jornalista político convidado Almyr Gajardoni,
fundador e ex-diretor da revista Superinteressante. Gajardoni trabalhou
em renomados veículos da comunicação impressa,
tais como as revistas Veja, Istoé, o Jornal do Brasil e a Folha
de São Paulo. Ele destacou que a população deve
participar permanentemente de todo o processo político, não
se restringindo apenas ao momento da eleição e que a mídia
tem papel fundamental nessa conscientização. "Cabe
à imprensa alertar e informar o cidadão de como funcionam
o governo, as instituições e o processo democrático,
o que poderia aumentar a participação popular no processo
político".
Gajardoni enfatizou ainda que dois problemas que afligem o regime democrático
são a desigualdade social e a pobreza. Estes seriam empecilhos
à promoção de uma maior consciência da população.
Soma-se a estes o fato de a mídia conferir maior destaque aos
cargos do Executivo, em detrimento do Legislativo. A atitude, muitas
vezes, acaba por privar o cidadão de uma visão mais ampla
do processo político. Além disso, a população
se prende às grandes promessas no momento da escolha do candidato.
"Presidentes que muito prometem acabam decepcionando, como é
o caso do atual governo", exemplificou.
A falta de acesso à informação por parte das pessoas
de baixa renda foi abordada pelo palestrante Francisco Albernaz, cientista
político e professor do departamento de Ciências Sociais
da Ufes. Segundo ele, a desigualdade entre as pessoas quanto ao acesso
à informação está diretamente ligada à
desigualdade sócio-econômica. "As baixas renda e escolaridade
são fatores determinantes na privação das pessoas
às informações. A criação de jornais
de bairro seria uma forma de amenizar essa situação",
completou.