Eleições, comunicação e
marketing político
Painel sobre comunicação e política
lota o auditório do CCJE no primeiro dia do Foco
Os modelos de propaganda política na televisão
e o marketing político. Esses foram os principais temas debatidos
no painel inaugural do segundo Fórum de Comunicação
Social. "Comunicação e política: as eleições
e a mídia" foi o tema do debate, que teve como convidados
Afonso Albuquerque, doutor em comunicação pela Universidade
Federal Fluminense e Elizabeth Rodrigues, especialista em marketing
político.
A palestra teve início com quase uma hora de atraso. O auditório
Manuel Vereza, praticamente lotado, foi se esvaziando à medida
que se aproximava o horário de almoço. A professora Ruth
Reis, chefe do Departamento de Comunicação Social, foi
a coordenadora deste painel.
Afonso Albuquerque abriu a palestra falando sobre os modelos de propaganda
política praticados hoje, principalmente na televisão.
Ele citou como exemplos os três modelos mais importantes de propaganda:
modelos americano, europeu e brasileiro.
De acordo com o professor, o modelo brasileiro, ao contrário
do que a maioria da população pensa, não é
uma cópia do americano. A propaganda política nacional
é única pois possui uma base sólida, apesar de
conter características dos outros dois modelos.
"A propaganda eleitoral nos outros países faz uma discussão
do tema da campanha, apresenta o candidato e ataca o adversário.
No Brasil, devido principalmente ao horário eleitoral gratuito,
às vezes sobra tempo na televisão, então, os candidatos
acabam fazendo uma meta campanha, que é falar da sua própria
campanha. Fala-se dos comícios e das pesquisas eleitorais",
exemplificou Albuquerque.
Elizabeth Rodrigues falou sobre marketing político. Ela é
dona de uma empresa que já ajudou a eleger diversos políticos,
entre eles o atual governador Paulo Hartung. De acordo com ela uma campanha
só pode ter sucesso se for ousada e se conseguir concluir o "processo
chave: atrair, seduzir e convencer".
De acordo com a empresária, independente do que se anuncia, o
comunicador só será bem sucedido se ele estiver baseado
na verdade. Para ilustrar ela fez um paralelo entre o "marketing"
do cristianismo e do nazismo. "O cristianismo está baseado
em um suposto de verdade, por isso ele sobrevive até hoje, mais
de dois mil anos depois da morte de Jesus. Já a campanha nazista
foi toda baseada em uma mentira, em uma suposta superioridade de raça,
por isso durou pouco tempo".