19/09/2003


Flávia Carpanedo

 

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Estágios de Vivência aumentam experiência de estudantes

Um programa alternativo para o recesso que se aproxima: passar 10 dias em comunidades integrantes de movimentos sociais, localizadas no norte do Espírito Santo

Alunos e professores de todos os cursos da Ufes estão convidados para, de 12 a 22 de novembro, viverem uma experiência diferente: morar em comunidades que fazem parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), ou Remanescentes de Quilombos. O programa, chamado estágio de vivência, é uma iniciativa da Federação de Órgãos para Assistência e Educação (Fase) e dos movimentos, interessados em estabelecer um intercâmbio com a academia. Estão disponíveis 40 vagas para o MST, 30 para o MPA e 10 para os Remanescentes de Quilombos.

Esta será a terceira vez que um estágio desse tipo acontecerá na Ufes. Nos anos de 1998 e 1999, por iniciativa de professores da universidade, eles desenvolveram o estágio de vivência (como projeto de extensão). Alunos de vários cursos passaram 15 dias em acampamentos e assentamentos do MST no norte do Espírito Santo. Durante o período, eles participaram das atividades cotidianas dos moradores e desenvolveram com eles alguns trabalhos. "Nós até gostaríamos de ter colaborado mais, mas o tempo foi curto e, para os assentados, esse não era o objetivo principal da nossa ida", conta Leandra Dias Coutinho, hoje já formada em Pedagogia pela Ufes, que participou dos dois estágios.

A proposta do estágio deste ano tem ainda menos ênfase no desenvolvimento de atividades durante o período da vivência. "Queremos que as pessoas conheçam uma realidade diferente, vejam de perto como são os movimentos. Esse contato pode dar a elas a noção de que são atores sociais capazes de se mobilizar também", diz um dos coordenadores do estágio, Edmar Lopes (mais conhecido como "Mezenga"), contratado pela Fase para organizar o projeto. Ele diz ainda que dessa experiência podem surgir pesquisas acadêmicas interessantes, mas que o objetivo maior não é observar, é participar.

Como nos estágios anteriores, os participantes irão para comunidades no norte do Estado. O que ainda não foi definido é se esse estágio também será considerado um projeto de extensão.

Preparação

Antes da vivência, os estagiários passarão por uma preparação, que se dará através de seminários e conversas que vão acontecer no decorrer desses dois meses que precedem a viagem. "É importante instruir as pessoas sobre o seu comportamento numa situação como essa. Elas não podem se deixar tratar com distinção dos membros da comunidade e devem aceitar todas as regras do grupo em que estiverem", ressalta Leandra Coutinho. Ainda não estão marcadas as datas dos seminários, mas já estão acontecendo reuniões dos coordenadores com pessoas interessadas. A próxima será no dia 23 de setembro, terça-feira, às 17 horas, no Teatro Metrópolis.

Além da preparação, acontecerão também atividades depois do retorno, como fazer um registro escrito da experiência e uma exposição com fotos tiradas nos locais visitados. Edmar Lopes espera que, depois da volta, os estagiários possam também se mobilizar de alguma forma para renovar o Movimento Estudantil. "Gostaria que a gente pudesse fazer um movimento novo, no qual caibam, de fato, pessoas e pensamentos diferentes", fala entusiasmado.

Disposição

Uma das participantes do estágio de vivência deste ano é a estudante Cynthia da Guia Segundo, 7º período de Pedagogia. "Quero conhecer mais profundamente um movimento social", diz. Ela ainda não sabe para qual movimento vai, mas fala que, se for preciso, está "disposta a pegar a enxada."

Leandra Dias Coutinho afirma que quem se envolve nessa atividade tem mesmo que estar pronto para tudo. "Tem que estar aberto, comer o que tiver e fazer as atividades que os membros da comunidade fizerem."

Embora possa parecer arriscado, ela também conta que o movimento tem muita responsabilidade com as pessoas que vão para lá. "Eles não deixariam ninguém ir para lá passar fome". Sua experiência no MST foi muito gratificante e ela recomenda esse tipo de estágio. "É um ganho pessoal imensurável. A gente passa a perceber que o aprendizado não está só na universidade."

Estágio de Vivência
E-mail: [email protected]
Fase: 3322-6330

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