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Estágios de Vivência aumentam experiência de estudantes Um programa alternativo para o recesso que se aproxima: passar 10 dias em comunidades integrantes de movimentos sociais, localizadas no norte do Espírito Santo Alunos e professores de todos os cursos da Ufes estão convidados para, de 12 a 22 de novembro, viverem uma experiência diferente: morar em comunidades que fazem parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), ou Remanescentes de Quilombos. O programa, chamado estágio de vivência, é uma iniciativa da Federação de Órgãos para Assistência e Educação (Fase) e dos movimentos, interessados em estabelecer um intercâmbio com a academia. Estão disponíveis 40 vagas para o MST, 30 para o MPA e 10 para os Remanescentes de Quilombos. Esta será a terceira vez que um estágio desse tipo acontecerá na Ufes. Nos anos de 1998 e 1999, por iniciativa de professores da universidade, eles desenvolveram o estágio de vivência (como projeto de extensão). Alunos de vários cursos passaram 15 dias em acampamentos e assentamentos do MST no norte do Espírito Santo. Durante o período, eles participaram das atividades cotidianas dos moradores e desenvolveram com eles alguns trabalhos. "Nós até gostaríamos de ter colaborado mais, mas o tempo foi curto e, para os assentados, esse não era o objetivo principal da nossa ida", conta Leandra Dias Coutinho, hoje já formada em Pedagogia pela Ufes, que participou dos dois estágios. A proposta do estágio deste ano tem ainda menos ênfase no desenvolvimento de atividades durante o período da vivência. "Queremos que as pessoas conheçam uma realidade diferente, vejam de perto como são os movimentos. Esse contato pode dar a elas a noção de que são atores sociais capazes de se mobilizar também", diz um dos coordenadores do estágio, Edmar Lopes (mais conhecido como "Mezenga"), contratado pela Fase para organizar o projeto. Ele diz ainda que dessa experiência podem surgir pesquisas acadêmicas interessantes, mas que o objetivo maior não é observar, é participar. Como nos estágios anteriores, os participantes irão para comunidades no norte do Estado. O que ainda não foi definido é se esse estágio também será considerado um projeto de extensão. Preparação Além da preparação, acontecerão também atividades depois do retorno, como fazer um registro escrito da experiência e uma exposição com fotos tiradas nos locais visitados. Edmar Lopes espera que, depois da volta, os estagiários possam também se mobilizar de alguma forma para renovar o Movimento Estudantil. "Gostaria que a gente pudesse fazer um movimento novo, no qual caibam, de fato, pessoas e pensamentos diferentes", fala entusiasmado. Disposição Leandra Dias Coutinho afirma que quem se envolve nessa atividade tem mesmo que estar pronto para tudo. "Tem que estar aberto, comer o que tiver e fazer as atividades que os membros da comunidade fizerem." Embora possa parecer arriscado, ela também conta que o movimento tem muita responsabilidade com as pessoas que vão para lá. "Eles não deixariam ninguém ir para lá passar fome". Sua experiência no MST foi muito gratificante e ela recomenda esse tipo de estágio. "É um ganho pessoal imensurável. A gente passa a perceber que o aprendizado não está só na universidade." |
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