21/10/2003


Franciani Bernardes

 

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Transferência do curso de Farmácia para a Ufes não resolve problemas

Nem mesmo um departamento foi constituído por causa do pequeno número de professores. Os alunos dizem que precisam fazer a limpeza de salas e laboratório

Há mais de dois anos que o curso de Farmácia da Faculdade de Farmácia e Biomédicas do Espírito Santo (Fafabes) foi transferido para o campus de Maruípe da Ufes. Devido a um convênio entre os Governos Federal e Estadual, o curso que antes era responsabilidade estadual foi integrado à Ufes. No entanto, muitos alunos estão insatisfeitos com a falta de recurso que o curso vem encontrando após a mudança.

O curso não tem ao menos departamento. O coordenador, o professor André Augusto Gomes Faraco, informou que uma média de 30 professores compõe o corpo docente, mas que apenas três são contratados e efetivados, sendo a maior parte ainda funcionários estaduais. "De acordo com o regimento interno da universidade, para haver a formação de um departamento é preciso que haja 12 professores contratados. Portanto, a quantidade de docentes contratados existente hoje faz com que a formação deste departamento fique inviável."

Muitos alunos estão insatisfeitos. "Sem departamento, os professores não têm voto nas reuniões e, apesar de terem voz, fica muito mais difícil conseguirmos os benefícios que tanto precisamos", lamenta uma das integrantes do Centro Acadêmico, Caline Airão Destéfani, aluna do 3º período.

Os alunos reclamam também da falta de assistência ao curso. Segundo uma outra integrante do Centro Acadêmico, Luciana Camizão, também aluna do 3º período, faltam funcionários para limpeza das salas e do laboratório. "Quando as salas estão muito sujas, nós mesmos fazemos a limpeza. No laboratório de Química os alunos têm que fazer a limpeza do material, porque não temos técnico pra arrumar a vidraria, ver o que falta de reagentes e outros serviços mais específicos que precisamos fazer enquanto estamos em aula."

O coordenador do curso afirmou que há um rodízio de funcionários e que a causa do problema pode ser a dificuldade de manter a periodicidade da limpeza devido ao grande número de salas.

Laboratório

A falta de qualidade do laboratório de Química também gera reclamações. "O ideal seria que pudéssemos usar o laboratório de Química do campus de Goiabeiras, devido a maior qualidade dos materiais, mas isso não nos foi viabilizado", lamenta Rafael Vieira, do 5º período.

O chefe do Departamento de Química, o professor Eloi. Silva Filho, disse que os cursos que usam o laboratório do campus de Goiabeiras, também enfrentam problemas de lotação. Segundo ele, o prédio não tem espaço nem estrutura para receber os alunos de Farmácia.

"Dez turmas utilizam o laboratório de Química. Essa quantidade já é avançada. O ideal seria que os alunos de Farmácia tivessem o próprio laboratório reformulado no Centro Biomédico."

Segundo Eloi, em 2002 foi feito um projeto para a construção de um novo laboratório no campus de Goiabeiras, mas o projeto está parado por falta de recurso do MEC e da Reitoria.

Farmácia-Escola

A Farmácia-Escola do curso não existe. "Este é mais um importante recurso que nos falta", lamenta o professor André Faraco. "Mas o projeto da Farmácia-Escola já foi feito, já encaminhamos ao Centro Biomédico, à universidade e agora está sendo estudado pelo MEC e, pelo que se espera, o andamento deve estar em estágio avançado", afirma.

Apesar dos problemas, André Faraco está esperançoso com alguns avanços: "O MEC destinou 61 vagas de professores para a Ufes, sendo cinco para o curso de Farmácia. Com a contratação destes profissionais, fica mais fácil conseguir a formação do departamento. Essas cinco vagas vão facilitar a efetivação desta tão esperada conquista."

 

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