13/06/03

Geraldo Ramos

 

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Conselho proíbe trote na UFES

O Conselho Universitário aprovou, em sessão extraordinária no dia 9 de maio, a Resolução 13/2003, que dita normas a respeito das atividades de recepção dos calouros nos campi da universidade. De acordo com a decisão, fica proibida a prática dos conhecidos trotes na Ufes. O Centro ao qual o curso estiver subordinado fica responsável por organizar as atividades. O documento estabelece a criação de uma comissão, que deverá ser aprovada pelo Conselho Departamental, que será responsável por coordenar qualquer processo de recepção dos novos estudantes.

A decisão do conselho acompanha uma orientação anterior da Reitoria no sentido de coibir a prática do trote. Ainda de acordo com a resolução, a comissão contará com apenas um aluno entre os membros, além do vice-diretor do Centro e um representante do corpo docente.

Regulamentação

De acordo com o assessor de Imprensa da Ufes, Luiz Vital, a resolução foi aprovada com objetivo de disciplinar o processo. "A resolução, na verdade, regulamenta o trote e o aluno que se sentir agredido tem o direito de denunciar, e através da denúncia será instaurado processo administrativo disciplinar", disse o assessor.

Membro do Centro Acadêmico de Administração e estudante do 3º período, Bianca Spagnol, 19 anos, concorda com a resolução. Para ela, "não é papel do centro acadêmico contribuir com o trote, a não ser o trote solidário".

O curso de Administração, a exemplo do de Odontologia, esteve envolvido em problemas relativos ao trote quando uma aluna, no semestre passado, foi hospitalizada após ser submetida a uma atividade organizada por alunos veteranos do curso.

Ameaçados

Estudantes do curso de Oceanografia realizaram no último dia 15 de maio o que chamaram de "trote ecológico". Durante um passeio pelo campus, em que os calouros andavam em fila, de mãos dadas, sob comando dos veteranos, os alunos foram surpreendidos pelo protesto de um estudante desconhecido, nas imediações do Centro Tecnológico (CT), que os ameaçou sugerindo denúncia à Reitoria pelo que considerou um desrespeito com os calouros.

Questionados sobre a resolução, os alunos diziam desconhecer, porém, admitiam que sabiam de alguma proibição. "Mas não achamos que estamos transgredindo nada pois o trote que estávamos aplicando não era violento", disse o estudante do 5.º período Luciano Teixeira, 19.

"Nós nem estávamos humilhando os calouros. Eles até reclamaram que paramos. O 'cara' lá do CT começou a gritar com a gente, nos chamou de baderneiros, disse mais um monte de coisas. Quando ele ameaçou nos denunciar, paramos com a brincadeira", disse o estudante do 3.º período Henrique Coelho, 19 anos. Os calouros, com faixas na cabeça indicando que eram recém-chegados, reclamavam, decepcionados com a dispersão. O trote interrompido terminou com churrasco no Clubufes.

 

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