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Burocracia compromete o funcionamento da pré-escola da Ufes O repasse, antes feito mensalmente, hoje só acontece se a direção da Criarte enviar ofício à universidade explicando a necessidade do recurso A Criarte, pré-escola voltada aos filhos de funcionários, professores e alunos da Ufes, tem vivido sérios problemas para manutenção de suas atividades devido à falta de verbas destinadas pela universidade às suas atividades. Fundada em 5 de novembro de 1984, a Criarte atende a 154 crianças, sendo 36 filhos de professores, 51 de funcionários e 67 de alunos, aos quais oferece ensino e ainda uma refeição por dia sem cobrar nada. Além disso, a escola funciona como um laboratório para os alunos do curso de Pedagogia, que desenvolvem novas técnicas de ensino e alfabetização. Até 1998, a escola recebia um repasse mensal de aproximadamente R$ 70 por servidor com aluno matriculado, o que, a números de hoje, representaria uma cifra mensal da ordem de R$ 6.700, mais que suficiente para suprir todas as suas necessidades. Porém, os repasses foram diminuindo a cada ano, até serem totalmente suspensos em 2000, quando até mesmo as refeições fornecidas pelo Restaurante Universitário pararam de ser servidas. O diretor da Criarte, Sebastião Neves Balestrero, denuncia que não há nenhum demonstrativo do que é feito com o dinheiro descontado dos servidores, apesar de a verba não chegar à escola. Atualmente, qualquer recurso pretendido pela escola deve ser solicitado por meio de ofícios, com comprovação de necessidade e concorrência pública, que podem ou não ser aprovados pelo departamento financeiro, o que tem limitado tanto os investimentos básicos, incluindo a troca de sanitários e descargas dos banheiros, como projetos maiores, envolvendo a expansão das atividades, com a criação de mais um grupo de alunos de alfabetização. O chefe do Departamento Financeiro da Ufes, Onorildo
Honorato Mouro, se defende e explica que o desconto feito em folha dos
servidores é de apenas R$ 15 e é feito um crédito
de R$ 55 para os que não têm filhos na Criarte, sendo que
os repasses anteriormente feitos geraram dívidas que a Ufes não
tinha como explicar na prestação de contas à União.
Para Onorildo, o que tem acontecido com a Criarte não é
um caso isolado, mas uma constante em todos os departamentos da universidade,
que tem desviado dinheiro de investimentos para pagamento de contas básicas,
contas essas que têm sido reajustadas constantemente, enquanto o
dinheiro liberado pelo governo continua no mesmo montante. |
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