04/07/2003

Hellen Kaniski
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Falta de controle coloca em risco a qualidade da segurança na Universidade

A falta de uma política de fiscalização somada à facilidade de se tornar um vigilante colocam em xeque a credibilidade das empresa
de segurança que atuam na Universidade


A prisão em flagrante do vigilante da empresa Plantão Vigilância Ltda., que presta serviços à Ufes, coloca em questão a qualidade dos profissionais que estão sendo treinados e recrutados por essas empresas.

A terceirização desse serviço permitiu que a Universidade reduzisse gastos, além de isentar-se de situações como essa. Com isso, porém, não há como ter controle em relação à capacitação dos profissionais contratados, o que provoca um clima de instabilidade e insegurança.

Esse fato é agravado pela facilidade de ingressar nessa profissão. A maioridade de 21 anos, a ficha limpa de antecedentes criminais, mais documentos autênticos de identificação permitem que qualquer pessoa faça o curso de vigilante, que dura 12 dias. No final, já é concedido o porte de armas a esses "recém-profissionais". Se uns vêem nessa oportunidade uma forma digna de ganhar a vida, outros usam essas condições como fachada para cometerem crimes. Para piorar, não existe uma política de fiscalização que garanta a qualidade desse serviço.

"Essa é uma negligência geral do governo em todo o país, já que não impõe exigências nem fiscaliza essas empresas. Os maiores bandidos se infiltram nesse ramo e desfrutam de um amplo campo de ação", comenta o diretor de Serviço Gerais da Prefeitura Universitária, Anival Luiz dos Santos.

Os responsáveis pelo Centro de Treinamento Profissional de Segurança Privada (CTPS), identificados pela secretária como coronel Figueiredo e David Beiriz, foram diversas vezes procurados para falarem sobre o curso de formação de vigilantes, sua validade e conseqüências, mas a informação da secretária era que sempre estavam bastante ocupados e não poderiam atender ao Universo.Ufes.

Histórico

Um vigilante da empresa Plantão Vigilância Ltda. foi preso na madrugada do dia 31 de maio após roubar um aparelho de CD de um Fiat Uno no estacionamento de acesso central no campus de Goiabeiras, em frente à guarita principal em que trabalhava. No momento do roubo ocorriam duas festas no campus, uma no Centro de Artes e outra na cantina do Sintufes.

De acordo com o diretor de Serviços Gerais da Prefeitura Universitária, Anival Luiz dos Santos, a partir do momento em que ele começou a receber informações sobre arrombamentos e furtos de veículos, passou a investigar as razões de tais delitos e por que não eram registrados. Todos os indícios levantavam suspeita sobre a conduta desse vigilante, que passou a ter suas ações controladas até ser pego em flagrante.

Atualmente a vigilância na Ufes é feita por duas empresas, Plantão Vigilância Ltda. e Tasa Vigilância e Segurança Ltda. A Universidade também disponibiliza seu próprio quadro de funcionários, sendo que alguns são responsáveis pela ronda motorizada e outros trabalham à paisana. O monitoramento eletrônico é feito por 35 câmeras e 45 sistemas de alarme.

Sobre os funcionários públicos, Anival esclarece: "A Ufes contrata somente concursados e com experiência na área, ou seja, com formação específica para isso. Só trabalha quem tem credencial da Polícia Federal, e periodicamente esses profissionais se submetem a cursos de reciclagem e capacitação. A nossa preocupação é com uma boa instrução do profissional, para que, situações como essa que não são previsíveis, possam ao menos ser evitadas".

 
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