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Comunidade universitária questiona acordo entre Petrobras e Ufes Professores, estudantes e técnicos lotaram
o Cine Metrópolis para tentar esclarecer muitas dúvidas
sobre o contrato que seria assinado no dia 7 Na mesa estavam o gerente geral da Petrobras no Espírito Santo, Márcio Bezerra, o reitor José Weber Macedo, a presidente da Adufes, Marlene Pires, e coordenadora do Sintufes, Janine Teixeira. Márcio Bezerra apresentou, em linhas gerais, a proposição da empresa, confirmando a intenção da construção do prédio, e anunciou possibilidades em contrapartidas que a estatal poderia viabilizar a partir do convênio com a Ufes. "Dinheiro não é problema para a empresa", afirmou Márcio Bezerra. A empresa teve um faturamento superior a R$ 5 bilhões no primeiro trimestre de 2003. O investimento global no projeto com a Ufes desde que a parceria começou, há dois anos, foi em torno de R$ 7,7 milhões. Possibilidades como a curiosa idéia de construção de um outro campus universitário foi acenada pelo gerente. Bezerra comentou o sucesso da parceria entre a Petrobras e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no desenvolvimento da pesquisa em petróleo e gás, como exemplo do que pode ser a parceria com a Ufes. Este exemplo foi contestado por um dos professores do Centro de Ciências Exatas, formado na federal carioca. A empresa demonstrou pressa na aprovação da proposta. Alheia ao trabalho da Comissão Técnica, que estuda as questões que envolvem a construção de uma edificação desse porte dentro do campus e que vai interferir na vida acadêmica nos próximos 40 anos, há o interesse que o acordo entre as partes seja assinado até o dia 7 de julho. O presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, visita o Espírito Santo nessa data. A assinatura, porém, será adiada após o resultado da audiência público, em virtude dos inúmeros questionamentos feitos por alunos e professores. Apoio Contraponto Após as falas do gerente da estatal e do reitor, o espaço foi aberto aos presentes. A partir das falas, a audiência mudou de configuração. O mar de rosas apresentado pela empresa e defendido pela reitoria transformou-se completamente. A deputada estadual e aluna do Direito Brice Bragatto (PT) foi a primeira a falar. Questionou a pressa em se firmar um convênio dessa magnitude. Além disso, enumerou alguns dos possíveis problemas estruturais pelos quais passaria a universidade a partir da instalação da empresa na Ufes. "Com a vinda desses 1.500 funcionários para dentro do campus, são mais 1.500 pessoas, no mínimo, circulando pelo campus. São mais 1.000 vagas de estacionamento a mais", disse a deputada. Brice ainda acrescentou que esse debate não deveria estar limitado apenas às partes que estão tratando do assunto por dizer respeito a todo o Estado, o que considerou "grave". Alertou sobre o processo de eleição para reitor que está às vésperas de ser iniciado e acrescentou, por fim, que vai levar o assunto para ser discutido na Assembléia Legislativa. Movimento Estudantil Um representante discente no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), aluno da Administração e aliado da atual gestão do DCE, manifestou-se favorável ao acordo e tachou de radicais os estudantes que estavam criticando a proposta. Houve até um bate-boca entre alguns alunos presentes e o representante, que foi chamado de mentiroso e disse ser de todos os estudantes a responsabilidade da fraqueza do movimento estudantil que se pratica na Ufes. Foi vaiado durante a fala. Outros estudantes se manifestaram e foi feito um pedido por um deles: que não se assinasse qualquer documento até o dia 7, como pretendido pela empresa, tendo em vista a polêmica complexidade já flagrante em torno do assunto. Surpresa Um professor, representante do Centro Tecnológico, disse que o CT não está satisfeito com a parceria que a Ufes tem com a Petrobras. O professor apresentou alguns dos motivos, entre eles o fato de a empresa não ter cumprido o combinado com relação à compra de livros. Outra informação que contrapôs as exposições do gerente da empresa e do reitor foi o esclarecimento da parceria entre a Petrobras e a UFRJ, apresentado por um professor que estudou naquela universidade. Para ele, as diferenças nas relações entre a empresa e a universidade no Rio de Janeiro é que definiram o sucesso naquela área. Lá a parceria é específica no setor de pesquisa, quando aqui apenas será instalada a sede administrativa da empresa. O professor, que foi delegado do Espírito Santo na plenária dos Servidores Públicos Federais em Brasília, acrescentou que a parceria com a empresa gerou um corte entre a "riqueza" e a "miséria". Segundo ele, há cursos que dispõem de incentivos diversos e equipamentos de alta tecnologia para o desenvolvimento das atividades. Já outros dependem de tudo, e funcionam na penúria. Professores de vários departamentos, estudantes, servidores técnicos, funcionários da Petrobras e outros interessados participaram da audiência, o que demonstrou a preocupação com o assunto. O presidente da Assembléia Legislativa e estudante do curso de Comunicação Social, deputado Cláudio Vereza (PT), também se manifestou. Para ele, este debate tem de acontecer com toda a sociedade capixaba. "Coloco a Assembléia Legislativa à disposição para discutir esse assunto", disse. Insatisfação Não menos complexa, foi colocada por alguns a questão de a Universidade estar em ano de eleição de reitor e que a pressa na aprovação desse convênio gera especulações. "Por quê a pressa, senhor reitor?", perguntou um professor. As falas de professores, alunos e técnicos mantiveram a linha da prudência na análise do acordo, além de, em grande maioria, criticarem a condução do processo pela reitoria. Os professores manifestaram a insatisfação ao serem alijados do processo. A audiência pública foi uma iniciativa da Adufes e do Sintufes, que informaram ser a primeira de outras audiências sobre o assunto. |
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