12/12/2003


Samantha Lievore

 

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Aluno da Ufes que quiser fazer cursos de férias precisa trancar a matrícula ou reprovar

Por causa do calendário atrasado, durante o período dos cursos a Ufes está em aula, o que dificulta a participação dos estudantes

A cada dia aumenta a procura de universitários por cursos de línguas, estágios e estudos orientados no exterior, já que o mercado de trabalho exige um certo diferencial para quem procura emprego. Entretanto, os alunos da Ufes vêm encontrando dificuldades para fazer esses cursos, pois a maioria deles se realiza nas férias de janeiro e julho, quando a Ufes ainda está em período letivo, devido ao calendário alterado por causa das greves. Isso impossibilita os estudantes que querem ampliar seus estudos, ficando atrás daqueles que estudam em faculdades particulares.

São oferecidos para universitários cursos com duração variando de um mês a um ano, sendo que os mais procurados são para locais como Estados Unidos, Inglaterra, França e Espanha. Muitos, inclusive, são disponibilizados através de provas de seleção por convênios feitos pela Ufes com as universidades estrangeiras. Mesmo assim, quem quiser fazer um programa de estudos fora do país tem que estar disponível a perder um período.

"Tenho um amigo que foi cursar um semestre de Engenharia na França, e como o ano letivo daqui da Ufes e de lá começam em épocas muito diferentes, teve que trancar o curso por um ano, para poder se adaptar", disse Rodrigo Britto, 20, estudante do 4º período de Engenharia Civil. "Esse tipo de coisa desanima qualquer um."

Na mesma turma de Rodrigo, Gustavo Barbosa, 20, que ficou de dezembro ao início de abril de 2003 nos Estados Unidos fazendo curso de inglês, afirma que, apesar de atrasar o curso, é o tipo de experiência que vale a pena. "Fiquei quatro meses porque tive que perder o período todo, ao contrário de alguns amigos que estudam em faculdades particulares e, ficando três meses, não perderam nem um dia de aula. Eu não queria trancar a matrícula, mas não teve jeito. Mesmo assim, conhecer culturas e gente diferente, melhorar o meu inglês e também praticar esportes radicais compensaram." E completa: "Fazer snowboard (surf na neve) dá tanta adrenalina quanto o curso de Engenharia. Vai fazer pra você ver!"

Se o fato do calendário estar atrasado já é um empecilho para os alunos, com a última greve ficou ainda mais difícil programar qualquer tipo de curso no exterior. O estudante do 5º período de Engenharia Civil Bruno Nardotto, 21, já havia programado sua viagem para a Inglaterra em março do ano que vem, quando o semestre 2003/2 da Ufes se encerraria. Com a greve, teve que mudar os planos.

"Estava tudo certo para eu ir em março, quando eu já vou estar formado em Administração por uma faculdade particular e quando o período da Ufes já teria acabado. Agora, com a greve, tive que adiar o meu curso de inglês e só vou poder viajar no fim de abril", disse, afirmando que isso só prejudica os estudantes. "Quem se prejudica, além de atrasar o curso, é a gente."

Bruno ainda disse ser inviável fazer qualquer tipo de curso de um a dois meses, já que é pouco tempo para valer a pena trancar o período e tempo suficiente para ficar reprovado por falta. "Conheço gente de vários cursos da Ufes que deixaram de lado a chance de estudar, tanto fora do país como do Estado, por causa desse calendário que a universidade tem", disse, desapontado.

Para os estudantes que, ainda com todos os pontos desfavoráveis, mantiverem a intenção de cursar programas de estudos fora da universidade, a única forma adequada de não perder a vaga é trancar o curso. Sendo assim, o aluno pode solicitar o trancamento de matrícula na Prograd (Pró-Reitoria de Graduação), por seis meses ou um ano. Esse processo só pode ser feito uma vez, e caso seja pedido o prazo de seis meses o tempo restante perderá a validade.

Para quem por algum motivo já trancou matrícula uma vez e precisa trancar novamente, não há mais possibilidade através dos recursos oferecidos pela universidade. Por isso, esses alunos costumam pegar somente uma matéria e reprovar por falta, já que, mesmo com o calendário irregular, a Ufes não oferece outras formas de reajuste e incentivo aos seus universitários.

 

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