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Extensão
8/04/03
Larissa
Modenesi |
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Ong capixaba presta assistência
jurídica gratuita e promove inclusão social Iniciativa
inédita de quatro universitários capixabas, a Organizadores
de Práticas Sociais (OPS), organização não-governamental
formada pelos estudantes Carlos Eduardo Simões, Cinthya Andrade
de Paiva Gonçalves, Mariana Leandro Pereira e Samina Ferreira,
vem transformando realidades. O projeto presta assessoria jurídica
popular para entidades do terceiro setor.
"Sempre onde houver um grupo reunido, não vinculado nem ao
Estado nem ao mercado, que queira criar algum tipo de associação
sem fins lucrativos, então a OPS estará disposta a ajudar",
afirma Mariana Pereira. Cinthya Paiva, idealizadora, complementa dizendo
que o trabalho é de assessoria inicial e que a ONG acompanha o
grupo à medida que ele requisita a assessoria. "Nossa proposta
é fazer com que esses grupos conscientizem-se de seus direitos
e sejam capazes de incorporar um espírito de autogestão",
diz.
Surgida há mais de um ano, a ONG é fruto de um trabalho
que começou quando Cinthya, hoje mestre em Direito e também
estudante de Publicidade na Ufes, estudava Direito. O embrião foi
um projeto de extensão chamado Núcleo de Assessoria Jurídica
Popular (Najup), que a motivou a, mais tarde, como docente, aplicá-lo
em uma faculdade particular, com o nome de Núcleo de Assessoria
ao Cidadão (Nasci). Em contato com a proposta, alguns alunos, hoje
membros da ONG, viram a oportunidade de exercer tudo o que a faculdade
não lhes oferecia. A experiência empírica foi, então,
a principal motivação.
Funcionamento
A OPS funciona em parceria com grandes organizações do terceiro
setor. Instituições como a Cáritas do Brasil e o
Centro de Defesa dos Direitos Humanos são apenas algumas delas.
Pelo contato direto que têm com a comunidade, apontam quais associações
ou grupos precisam de determinada assessoria. Funcionam como agentes intermediários
de todo o processo.
Buscando o mínimo de interferência, as reuniões são
feitas na própria comunidade, e os horários dos assessorados,
respeitados.
Benefícios
A ONG, apesar de seu pouco tempo de existência, contabiliza bons
resultados. Entres seus beneficiados, um dos que mais se destaca é
a Recuper-Lixo, Associação de Catadores de Materiais Recicláveis
do Município da Serra.
O projeto é um exemplo de como boas idéias podem ter abrangência
social e ambiental e ainda gerar lucros. Fundada há três
anos e oito meses, segundo seu coordenador, Joel Fanticeli, a Recuper-Lixo
realiza "o trabalho social de geração de renda e de
preservação do meio ambiente".
Os associados, 17 membros, entre catadores, prensadores, selecionadores
- na coleta seletiva -, uma secretária e um coordenador, têm
ganho mensal que varia dependendo da quantidade de material coletado,
e assim escapam das estatísticas de desemprego. Os trabalhadores,
antes excluídos do mercado, garantem sua subsistência e adquirem
valores pessoais. Para se associar, segundo eles mesmos, basta estar desempregado
e "entender o espírito cooperativista".
Fanticeli credita grande parte do sucesso da Recuper-Lixo à ONG.
"Foi um apoio decisivo. A partir de encontros que tínhamos
entre a OPS e nossos associados, pudemos nos conscientizar e tornar o
grupo unido". E foi a união do grupo a responsável
por várias de suas conquistas: juntos, adquiriram, com o apoio
de terceiros, o terreno e os galpões onde funciona a organização,
além de caminhão e prensa hidráulica.
O coordenador afirma que fundamental também foi a forma como as
reuniões foram organizadas e a dinâmica que a ONG utilizou.
"Nos deixavam muito à vontade e conseguiam passar de forma
descomplicada os conceitos", justifica.
Troca
No caso Recuper-Lixo, o retorno não foi grande apenas para a associação.
Através do projeto, os componentes da OPS entraram em contato com
um dos missionários envolvidos na causa dos catadores e foram convidados
para atuar na Itália. Convite aceito, o grupo já está
fazendo por lá um trabalho de acompanhamento jurídico de
cooperativas sociais italianas geridas pela sociedade civil. Seu maior
objetivo é futuramente trazer ao Brasil idéias para implantar
o conceito que, segundo eles, é inédito por aqui. E já
há que espere o retorno. "Estamos aguardando que eles voltem
para retomarmos o trabalho. Ainda temos bastante o que fazer", finaliza
Joel.
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