Eventos


12/11/2004

Patrícia Galleto

 

Voltar

Rodando as Externas

Cinema em todos os cantos da cidade foi ponto alto na 11ª edição do Vitória Cine Vídeo

Nem só de Glória viveu o 11º Vitória Cine Vídeo. Filmes, vídeos e eventos paralelos também deixaram o teatro, onde tradicionalmente acontece a mostra competitiva de curtas e médias, para dar uma voltinha por alguns pontos da cidade.

Quem pensava que praia e cinema não combinavam teve a oportunidade de mudar de idéia. No terceiro dia da maratona cinematográfica, pessoas de todas as idades e classes sociais se acomodaram nas areias da Curva da Jurema para assistir ao filme "Feminices", de Domingos Oliveira. Apesar do vento forte, a noite agradou grande parte da platéia. "Esse tipo de evento ao ar livre é muito interessante, além de ser uma oportunidade para as pessoas que não têm acesso às salas", disse a bibliotecária Ava Carminati. Para ela, essa iniciativa é uma forma de democratizar o cinema. "Tinha que ter muito mais, ainda que com um preço simbólico", acrescentou.

Por essa ser uma região centralizada, muitas pessoas acabaram caindo de pára-quedas, de bicicleta, ou a pé mesmo, como o tratador de cavalos, Vagner Souza: "Não estava sabendo dos filmes do Glória. Aqui na praia meu irmão já tinha vindo, mas eu não. É a primeira vez".
A exibição de filmes na praia não foi novidade no festival. Um dos organizadores do evento, Leonardo Gomes, conta que essa é uma forma de levar o cinema para os mais variados públicos: "A gente procura abrir ao máximo para abranger todo mundo". Leonardo ressalta, ainda, que usar a praia como espaço é mais um atrativo para a platéia e uma ótima forma de promover o Vitória Cine Vídeo.

Da praia para as ruas, o Cine Galpão Itinerante levou o cinema, em cinco sessões, para bairros da periferia de Vitória. Vídeos, curtas e o longa "Narradores de Javé" atraíram pessoas de todos os tipos, inclusive aquelas que estavam só de passagem. "Me falaram que ia passar um filme aqui, mas eu não sabia direito o que era", declarou a manicure Maria Aparecida de Souza, moradora do bairro de Santo Antônio. Os curtas visitaram as comunidades de Nova Palestina, Estrelinha e Inhagueta, Ilha das Caieiras, Santo Antônio, Bairro Universitário e Grande Vitória.

O Cinema Itinerante, assim como o Cinema na Praia, tem como proposta central levar filmes de qualidade àquelas pessoas que não podem ir até eles. Este ano, o projeto saiu das escolas e passou a ocupar as ruas. Vale lembrar que toda a programação do festival foi gratuita.

Além das sessões alternativas, o 11º Vitória Cine Vídeo contou com a exibição de cinco longas-metragens inéditos após as mostras competitivas, no próprio teatro Glória.

Destacaram-se também os espaços de debates com os realizadores, as palestras com conhecedores do cinema nacional e o I Festival de Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul, que mostrou vídeos no teatro Carmélia.

Os encontros com os realizadores aconteceram todos os dias que houve a mostra competitiva, no Hotel Ilha do Boi. Produtores e interessados puderam trocar experiências a partir de questões não só técnicas como também sociais e políticas relacionadas ao cinema nacional.

As discussões políticas tiveram maior espaço nas palestras, em especial a que aconteceu no dia 4, no Hotel Ilha do Boi. Nomes como Orlando Senna, Geraldo Moraes e Luís Carlos Lacerda se reuniram para falar do projeto da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav). Foram levantadas questões sobre as atuais dificuldades da produção independente, a participação do Governo nesse processo, as leis de proteção ao cinema e a importância dos festivais.

Com crescente pluralidade de espaços, o 11º Vitória Cine Vídeo vem se reafirmando a cada edição como um importante e completo festival do cinema nacional. Os amantes da sétima arte já sentem saudade, e fica a torcida para que mais eventos como esse apareçam em cena e para que o cinema não seja a estrela da cidade apenas uma vez por ano.


Falcatrua no Festival!

Na carona do Vitória Cine Vídeo, o Videoclube Falcatrua exibiu na quinta-feira, dia 4, vídeos trazidos do festival Digitofagia, de São Paulo, e vídeos de realizadores que vieram para o festival de Vitória e que não concorreram a prêmios. O evento fez parte do "Festival é Falcatrua", promovido pelo videoclube em parceria com o Coletivo Maruípe e o Projeto Antimofo. Os vídeos foram projetados na porta da galeria Homero Massena, no centro da cidade, e contou com o som eletrônico dos DJs, pelo menos até o Disque-Silêncio se manifestar por volta das 2 horas da manhã.

A escolha de fazer a exibição na semana do Vitória Cine Vídeo teve como objetivo, além de reunir pessoas de diferentes Estados que gostam de cinema, mostrar que o projeto veio mesmo para ficar. Um dos organizadores, Fabrício Noronha, explicou: "Nosso principal objetivo não é nem falar que o Falcatrua existe, até porque muitas pessoas já o conhecem, mas sim dizer que ele continua, que ele não acabou por causa dessa história de processo na Justiça". O videoclube, fundado por estudantes da Ufes, projeta filmes baixados na Internet, criando um espaço de exibição para as produções que não chegam às salas de cinema. O Falcatrua já foi processado pela Europa e pela Lumier por exibição sem autorização das distribuidoras.

Saiba mais sobre o Vitória Cine Vídeo

 
Hosted by www.Geocities.ws

1 1 1 1