Rodando as Externas
Cinema em todos os cantos da cidade foi ponto alto
na 11ª edição do Vitória Cine Vídeo
Nem só de Glória viveu
o 11º Vitória Cine Vídeo. Filmes, vídeos e
eventos paralelos também deixaram o teatro, onde tradicionalmente
acontece a mostra competitiva de curtas e médias, para dar uma
voltinha por alguns pontos da cidade.
Quem pensava que praia e cinema não combinavam teve a oportunidade
de mudar de idéia. No terceiro dia da maratona cinematográfica,
pessoas de todas as idades e classes sociais se acomodaram nas areias
da Curva da Jurema para assistir ao filme "Feminices", de
Domingos Oliveira. Apesar do vento forte, a noite agradou grande parte
da platéia. "Esse tipo de evento ao ar livre é muito
interessante, além de ser uma oportunidade para as pessoas que
não têm acesso às salas", disse a bibliotecária
Ava Carminati. Para ela, essa iniciativa é uma forma de democratizar
o cinema. "Tinha que ter muito mais, ainda que com um preço
simbólico", acrescentou.
Por essa ser uma região centralizada, muitas pessoas acabaram
caindo de pára-quedas, de bicicleta, ou a pé mesmo, como
o tratador de cavalos, Vagner Souza: "Não estava sabendo
dos filmes do Glória. Aqui na praia meu irmão já
tinha vindo, mas eu não. É a primeira vez".
A exibição de filmes na praia não foi novidade
no festival. Um dos organizadores do evento, Leonardo Gomes, conta que
essa é uma forma de levar o cinema para os mais variados públicos:
"A gente procura abrir ao máximo para abranger todo mundo".
Leonardo ressalta, ainda, que usar a praia como espaço é
mais um atrativo para a platéia e uma ótima forma de promover
o Vitória Cine Vídeo.
Da praia para as ruas, o Cine Galpão Itinerante levou o cinema,
em cinco sessões, para bairros da periferia de Vitória.
Vídeos, curtas e o longa "Narradores de Javé"
atraíram pessoas de todos os tipos, inclusive aquelas que estavam
só de passagem. "Me falaram que ia passar um filme aqui,
mas eu não sabia direito o que era", declarou a manicure
Maria Aparecida de Souza, moradora do bairro de Santo Antônio.
Os curtas visitaram as comunidades de Nova Palestina, Estrelinha e Inhagueta,
Ilha das Caieiras, Santo Antônio, Bairro Universitário
e Grande Vitória.
O Cinema Itinerante, assim como o Cinema na Praia, tem como proposta
central levar filmes de qualidade àquelas pessoas que não
podem ir até eles. Este ano, o projeto saiu das escolas e passou
a ocupar as ruas. Vale lembrar que toda a programação
do festival foi gratuita.
Além das sessões alternativas, o 11º Vitória
Cine Vídeo contou com a exibição de cinco longas-metragens
inéditos após as mostras competitivas, no próprio
teatro Glória.
Destacaram-se também os espaços de debates com os realizadores,
as palestras com conhecedores do cinema nacional e o I Festival de Jovens
Realizadores de Audiovisual do Mercosul, que mostrou vídeos no
teatro Carmélia.
Os encontros com os realizadores aconteceram todos os dias que houve
a mostra competitiva, no Hotel Ilha do Boi. Produtores e interessados
puderam trocar experiências a partir de questões não
só técnicas como também sociais e políticas
relacionadas ao cinema nacional.
As discussões políticas tiveram maior espaço nas
palestras, em especial a que aconteceu no dia 4, no Hotel Ilha do Boi.
Nomes como Orlando Senna, Geraldo Moraes e Luís Carlos Lacerda
se reuniram para falar do projeto da Agência Nacional do Cinema
e do Audiovisual (Ancinav). Foram levantadas questões sobre as
atuais dificuldades da produção independente, a participação
do Governo nesse processo, as leis de proteção ao cinema
e a importância dos festivais.
Com crescente pluralidade de espaços, o 11º Vitória
Cine Vídeo vem se reafirmando a cada edição como
um importante e completo festival do cinema nacional. Os amantes da
sétima arte já sentem saudade, e fica a torcida para que
mais eventos como esse apareçam em cena e para que o cinema não
seja a estrela da cidade apenas uma vez por ano.
Falcatrua no Festival!
Na carona do Vitória Cine Vídeo, o Videoclube
Falcatrua exibiu na quinta-feira, dia 4, vídeos trazidos do festival
Digitofagia, de São Paulo, e vídeos de realizadores que
vieram para o festival de Vitória e que não concorreram
a prêmios. O evento fez parte do "Festival é Falcatrua",
promovido pelo videoclube em parceria com o Coletivo Maruípe
e o Projeto Antimofo. Os vídeos foram projetados na porta da
galeria Homero Massena, no centro da cidade, e contou com o som eletrônico
dos DJs, pelo menos até o Disque-Silêncio se manifestar
por volta das 2 horas da manhã.
A escolha de fazer a exibição na semana do Vitória
Cine Vídeo teve como objetivo, além de reunir pessoas
de diferentes Estados que gostam de cinema, mostrar que o projeto veio
mesmo para ficar. Um dos organizadores, Fabrício Noronha, explicou:
"Nosso principal objetivo não é nem falar que o Falcatrua
existe, até porque muitas pessoas já o conhecem, mas sim
dizer que ele continua, que ele não acabou por causa dessa história
de processo na Justiça". O videoclube, fundado por estudantes
da Ufes, projeta filmes baixados na Internet, criando um espaço
de exibição para as produções que não
chegam às salas de cinema. O Falcatrua já foi processado
pela Europa e pela Lumier por exibição sem autorização
das distribuidoras.
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mais sobre o Vitória Cine Vídeo