.:Cultura
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30/07/2004
Marcelo Rossi
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Revista Quase traz vida para o
mercado editorial capixaba
Única revista em quadrinhos do Espírito
Santo lança sua quinta edição, mantendo o humor letal
das edições anteriores
Fazer uma revista de quadrinhos em mercado editorial em
que não há nenhuma tradição como é
o capixaba já pode ser considerada uma loucura, chegar a quinta
edição, sem duvida alguma é uma grande vitória.
Essa é a trajetória da revista Quase, projeto desenvolvido
por alunos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que
está comemorando o lançando da sua quinta edição.
A turma de corajosos que desenvolveram a Quase é formada por Daniel
Furlan, Klaus Berg Nippes (Keka), Fabio Turbay (Fat), Gabriel Labanca,
alunos de Publicidade e Propaganda e Juliano Enrico, aluno de Artes Plásticas.
A trupe ainda conta com um membro "fantasma", Wener Marq, aluno
de Desenho industrial e responsável pela diagramação
da revista.
A idéia da revista surgiu durante uma oficina de animação
no 8º Vitória Cine Vídeo, em 2001, quando os integrantes
da revista resolveram trabalhar em sua paixão: as histórias
em quadrinhos. Eles buscam agregar todos os estilos de quadrinhos que
os participantes gostavam, tentado assim dar "uma cara" a Quase.
Depois de quase um ano, chegou ao mercado capixaba a primeira edição
da Quase, classificada como a número 0. Segundo Klaus Berg, para
poderem lançar a revista, os integrantes tiveram além de
correr atrás de patrocínio, tirar dinheiro do próprio
bolso. "Tínhamos uma quantia em dinheiro, mas que não
seria suficiente para pagar as despesas da primeira edição,
então fizemos uma reunião e decidimos investir o nosso próprio
dinheiro no projeto", afirma.
Os temas tratados pela revista podem não ser muito agradáveis
para boa parte da população, tanto que nesta quinta edição
são tratados assuntos como pedofilia, zoofilia, prostituição
infantil e críticas as religiões católicas e protestantes.
Mesmo com esses assuntos polêmicos, a revista, com sua edição
nº 1, foi indicada ao Prêmio Ângelo Agostini, um dos
mais importantes do segmento no País.
Segundo os integrantes da revista, o público leitor é formado
principalmente de pessoas de 13 a 30 anos de idade, dos mais variados
círculos sociais, desde metaleiros até patricinhas. As edições
da Quase têm uma regularidade bimestral, com uma tiragem média
de 1500 exemplares por edição. Além do estado, a
Quase pode ser encontrada em bancas nas cidades de São Paulo, Rio
de Janeiro e Belo Horizonte.
Polêmicas
A revista Quase alcançou uma grande divulgação
entre a população capixaba devido às polêmicas
em que esteve envolvida. Isso aconteceu principalmente a partir da 3ª
edição, quando a chamada comunidade intelectual capixaba,
passou a criticar os quadrinhos publicados pela revista. Os motivos dessas
criticas foram às charges realizadas com os movimentos culturais
capixabas. "A principio foi sem querer, mas as reações
das pessoas foram extremas, enquanto uns adoraram a idéia, outros
passaram a nos ameaçar com processos e até houve ameaças
de agressão física", diz Daniel.
Outra questão polêmica foi o lançamento de camisas
com temas de anti-capixabismo, tais como: "Destrua o Rio Jucu",
"Moqueca causa câncer anal", também não
foram bem aceitas por parte da sociedade capixaba. Houve até um
caso de leitor da revista que estava na Barra do Jucu com uma camisa dizendo
"Congo é o c...", que foi agredido pelos moradores do
local e teve a sua camisa rasgada.
Daniel afirma que estas questões se devem ao fato de que a sociedade
capixaba "nunca ter sido criticada". "O problema no Espírito
Santo é que antigamente tudo o que era produzido no estado era
porcaria, já hoje em dia é proibido falar mal do que é
feito aqui, isso é uma crítica pobre que em nada ajuda a
cultura capixaba", afirma.
Toda essa polêmica favoreceu a Quase. "Houve um caso de um
cantor de uma banda de reggae que foi alvo de uma brincadeira na revista
que ligou para uma rádio em que estávamos dando uma entrevista
e começou a bater boca com a gente, inclusive nos ameaçando.
Nas dias seguintes as revistas sumiram das bancas, pois muita gente ficou
interessada na polêmica", afirma Klaus Berg.
Verdade seja dita, gostando ou não da Quase, a revista "chegou
para ficar", coisa rara, tanto no mercado editorial capixaba quanto
brasileiro, pois atualmente grande parte das revistas independente morrem
antes mesmo da segunda edição.
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Juliano Enrico, Gabriel Labanca, Daniel Furlan, Klaus Berg Nippes
(Keka), Fabio Turbay (Fat)
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