.:Cultura


03/10/03

Helena Santos

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"A universidade é um lugar de produção e pensamento, e a arte é isso"

Orlando da Rosa Farya, 45, é professor do curso de Artes Plásticas da Ufes desde 1999. Atualmente ministra aulas de Cultura e Desenho para graduandos, e de História da Arte para pós-graduandos. Formou-se em licenciatura em Artes Plásticas pela Ufes em 1986, tem três especializações e um mestrado. Expões seus trabalhos desde 1979. É um dos organizadores do Vitória Cine Vídeo, evento de maior repercussão no assunto no Estado, que completa sua 10ª edição em dezembro deste ano. 'Lando' - como comumente é chamado - é responsável por toda a criação gráfica do festival.

Nesta entrevista, Lando fala sobre o curso de Artes e sua relação com o cinema, abrangendo o papel da Ufes na produção videográfica e cinematográfica local.

UU - Como você, sendo típico artista plástico, se interessou em aplicar seus conhecimentos em um festival de cinema?

Lando - Eu sempre me interessei por cinema e há muito tempo me interesso por vídeos, em fazer vídeo. Fiz algumas oficinas nos anos 80, participei de festivais de arte. Um tio meu era distribuidor de cinema em São Paulo. Quando eu era adolescente ia para lá e ficava vendo cinema o dia inteiro, já que eu entrava de graça. Algum tempo depois [na quarta versão do Vitória Cine Vídeo, em 1997] Cláudia Cabral [então Secretária de Cultura de Vitória] convidou Beatriz Lindenberg e Lúcia Caus para fazerem o festival. Aí a Beatriz me convidou para organizar junto com elas.

UU - Como está a produção de filmes e vídeos no curso de Artes Plásticas?

Lando - De filme eu não sei, mas no curso existe uma matéria que é Vídeo, em que os alunos apresentam muita coisa legal. Sempre tem muita gente interessada na matéria.

UU - O fato de ainda não termos um curso de Cinema na Universidade é motivo para que a produção não atinja níveis superiores?

Lando - O artista plástico Lando, professor da Ufes e responsável pela criação gráfica do Vitória Cine Vídeo, fala ao Universo.Ufes sobre a produção artística no EstadoEu acho que sim. Se tivesse o curso, teria maior produção. E tendo mais, tem melhor. E as condições melhoram também.

UU - E a situação precária dos equipamentos? É um fator que impede a produção local?

Lando - Com certeza. A gente não tem equipamento, não tem técnicos, praticamente nada. Sem essa infra-estrutura básica, a produção fica bem mais difícil.

UU - Existe a idéia de unir no mesmo espaço físico os cursos de Artes Plásticas e Comunicação Social. Você acha que isso favoreceria a produção de vídeos e filmes local, com a integração dos alunos dos dois cursos?

Lando - Eu ouço isso pelos corredores. Desde quando eu era aluno essa história já existia. Seria interessante se fosse apresentado um projeto mostrando quais as vantagens para os dois cursos, porque os objetivos de Artes e Comunicação são muito diferenciados. Existe uma interseção por causa do vídeo, mas me parece que na Comunicação é mais voltado para a publicidade e o jornalismo. A nossa discussão é outra. É mais voltada para o campo da filosofia, da história e da função da arte.

UU - Os alunos de Artes começaram a se interessar mais pelo cinema depois que o Vitória Cine Vídeo começou a ter uma repercussão grande?

Lando - Acho que influenciou, sim, a fazer cinema, sim. Cinema e vídeo.

UU - Você acha que o Vitória Cine Vídeo é motivador para que mais pessoas escolham o curso de Artes no vestibular? O festival já alcançou essa influência?

Lando - Não sei, não tenho a menor idéia.

UU - A universidade é uma instituição fundamental para a produção cinematográfica e videográfica local, mesmo não oferecendo o curso específico de Cinema?

Lando - Sim, a universidade é um lugar de produção e pensamento, e a arte é isso. Aqui se fomenta a discussão, é fundamental. Sem esse espaço seria muito pior.

UU - O que falta no Estado para que a produção local deslanche?

Lando - Uma política que compreenda a real função da cultura na sociedade. E muito mais dinheiro também.

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