Artigo

26/03/04

Bruno Marques é estudante de Comunicação Social da Ufes

 

 

 

 

 

 

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14 de março: uma data para nos fazer pensar

No próximo domingo, dia 14 de março, serão completados 121 anos da morte de um dos maiores pensadores da História: o filósofo alemão Karl Marx. Referência do pensamento político de esquerda, o nome de Marx é, na maior parte das vezes, percebido de modo simplista e até mesmo estereotipado. Mas, muito mais do que um símbolo do socialismo e do comunismo, Marx representa antes de qualquer outra coisa a capacidade de reflexão e de crítica do homem sobre a realidade.

Lembrar a morte de Marx, então, nos remete à cruel constatação de que, muito além do próprio abandono das teses marxistas sobre o Estado e sobre o capitalismo em geral, a própria reflexão e o olhar crítico parecem ter desaparecido. Nos remete a um mundo que parece não comportar mais o próprio pensamento. Um mundo no qual não se pode parar, muito menos pensar.

A impressão que se tem é de que só há um caminho possível, uma maneira de se viver e de se relacionar. Prega-se o "fim da História", anuncia-se o auge dos tempos firmado em toda a efemeridade, individualismo e senso de produtividade possível. Tudo parece fazer parte de uma grande empresa. Vive-se o eu, aqui, agora, pronto para ganhar o máximo com o mínimo de esforço. E o resto? Que se dane!!! Vive-se quase que instintivamente, como um animal comum, sem conceber o passado e projetar o futuro. Simplesmente fecha-se os olhos e vai.

Tal postura não se pode chamar exatamente de um ideal, já que, pelo contrário, se evita pensar a respeito. Tampouco de pensamento único. Talvez o mais correto fosse dizer um modo único de se viver-não-pensando.

Aquele que se propõe a ir contra essa condição torna-se um verdadeiro "estranho no ninho". O mais comum, por parte dos que recusam essa visão crítica, é o apelo à "sobrenatural" força do dinheiro. Cada vez mais só se ouve as pessoas dizendo que as coisas não têm mais jeito, que não há saída, nem opção senão "correr atrás de dinheiro".

Ora, que todo mundo hoje está de alguma forma submetido à força do capital, à força do mercado, todos sabemos. A questão não é essa como alguns insistem em colocar. A questão é: será que porque "estamos" "submetidos" a toda uma estrutura de poder e relativamente "dependentes" de um emprego, de dinheiro e de uma série de outras coisas, já não se pode pensar? Será que por isso devemos abdicar da nossa reflexão, do nosso olhar, da nossa crítica? Isso é um absurdo sem tamanho.

Isso é inconcebível e sobretudo incoerente, pois muitos dos que assim dizem queixam-se diariamente de sua vida e de quanto estão infelizes. Daí a necessidade de se tentar mudar, daí a necessidade de reviver a crítica.

Que a data da morte de Marx nos sirva de estímulo a essa mudança. Que seja vista não do modo usual, pelo qual se idolatra ou se crucifica Marx simplesmente por fazê-lo. Que seja vista não de maneira infantil, mas sim, que nos inspire a acreditar que pensar criticamente a realidade é tão bom quanto necessário.

 

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