| Artigo
Coluna dedicada a constribuições
dos leitores.
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14 de março: uma data para nos fazer pensar No próximo domingo, dia 14 de março, serão completados 121 anos da morte de um dos maiores pensadores da História: o filósofo alemão Karl Marx. Referência do pensamento político de esquerda, o nome de Marx é, na maior parte das vezes, percebido de modo simplista e até mesmo estereotipado. Mas, muito mais do que um símbolo do socialismo e do comunismo, Marx representa antes de qualquer outra coisa a capacidade de reflexão e de crítica do homem sobre a realidade. Lembrar a morte de Marx, então, nos remete à cruel constatação de que, muito além do próprio abandono das teses marxistas sobre o Estado e sobre o capitalismo em geral, a própria reflexão e o olhar crítico parecem ter desaparecido. Nos remete a um mundo que parece não comportar mais o próprio pensamento. Um mundo no qual não se pode parar, muito menos pensar. A impressão que se tem é de que só há um caminho possível, uma maneira de se viver e de se relacionar. Prega-se o "fim da História", anuncia-se o auge dos tempos firmado em toda a efemeridade, individualismo e senso de produtividade possível. Tudo parece fazer parte de uma grande empresa. Vive-se o eu, aqui, agora, pronto para ganhar o máximo com o mínimo de esforço. E o resto? Que se dane!!! Vive-se quase que instintivamente, como um animal comum, sem conceber o passado e projetar o futuro. Simplesmente fecha-se os olhos e vai. Tal postura não se pode chamar exatamente de um
ideal, já que, pelo contrário, se evita pensar a respeito.
Tampouco de pensamento único. Talvez o mais correto fosse dizer
um modo único de se viver-não-pensando. Ora, que todo mundo hoje está de alguma forma submetido à força do capital, à força do mercado, todos sabemos. A questão não é essa como alguns insistem em colocar. A questão é: será que porque "estamos" "submetidos" a toda uma estrutura de poder e relativamente "dependentes" de um emprego, de dinheiro e de uma série de outras coisas, já não se pode pensar? Será que por isso devemos abdicar da nossa reflexão, do nosso olhar, da nossa crítica? Isso é um absurdo sem tamanho. Isso é inconcebível e sobretudo incoerente, pois muitos dos que assim dizem queixam-se diariamente de sua vida e de quanto estão infelizes. Daí a necessidade de se tentar mudar, daí a necessidade de reviver a crítica. Que a data da morte de Marx nos sirva de estímulo
a essa mudança. Que seja vista não do modo usual, pelo
qual se idolatra ou se crucifica Marx simplesmente por fazê-lo.
Que seja vista não de maneira infantil, mas sim, que nos inspire
a acreditar que pensar criticamente a realidade é tão
bom quanto necessário.
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