Artigo


13/08/2004

 

 

Jaider Manoel

 

 

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O RETORNO DA CELESTE

Após o advento do futebol por parte dos britânicos, o Uruguai foi a primeira grande potência futebolística, vindo a sagrar-se campeã da primeira edição da Copa do Mundo, realizada em 1930 em solo uruguaio. Tudo bem que, devido às dificuldades de transporte intercontinental da época, poucos times europeus puderam participar dessa competição, mas, provavelmente, mesmo com mais participantes o resultado não seria outro.

É difícil acreditar, mas até o início dos anos 50 eles eram a equipe a ser batida. Um reflexo dessa história foi a conquista da Copa do Mundo realizada no Brasil, o famoso Maracanaço de 50, quando eles venceram de virada na final , por 2 a 1, a seleção brasileira de Zizinho, Barbosa - que sofreu o peso da culpa do segundo gol uruguaio até sua morte - entre outros, a que muitos consideram a primeira grande seleção brasileira.

Entretanto, o futebol uruguaio sofreu uma queda vertiginosa. Do seu bicampeonato até hoje a Celeste Olímpica (carinhoso apelido recebido por serem também os primeiros campeões olímpicos de futebol) presenciou a perda do posto de terceira potência do futebol sul-americano (normalmente atrás dos sempre favoritos Argentina e Brasil) para equipes como Paraguai, Colômbia e Chile, ficando algumas vezes atrás até mesmo de emergentes instantâneos como Bolívia e Equador. A última boa apresentação da seleção uruguaia foi na copa de 70, mas nessa oportunidade o Brasil deu o troco e eliminou a Celeste nas semifinais da Copa do México. Mas, de lá pra cá nossos amigos cisplatinos ficaram de fora de alguns mundiais, como as ausências em 94 e 98. Entre os sete países que já conquistaram algum Mundial - Brasil, Uruguai, Argentina, Itália, Alemanha, França, Inglaterra - os uruguaios são os piores colocados no atual ranking da FIFA.

A Celeste não conseguiu manter um processo de renovação de seu plantel ao longo da história. Enquanto nós e nossos "hermanos" argentinos presenciamos a cada temporada o surgimento de novas promessas como Kaká, Diego, Robinho, Tévez e D'Alessandro, e por conseqüência formar constantemente seleções favoritas nos mundiais, os uruguaios são obrigados a viver do passado. E passado para eles significa... Maracanaço de 50. Esse triunfo é de tamanha importância para eles que Gighia, autor do gol do título, bom jogador, porém não era lá um craque, possui maior relevância do que os verdadeiros grandes nomes do futebol daquele país, como Schiaffino, Rubens Sosa, Francescoli, Pedro Rocha (o maior de todos) e o contemporâneo Recoba.

Porém, há uma luz no fim do túnel. Apesar da péssima classificação na atual eliminatória sul-americana para a Copa da Alemanha, os uruguaios fizeram uma boa Copa América e deixaram seus torcedores empolgados e esperançosos por bons resultados futuros. A seleção de Dario Silva, Forlan e Monteiro, mesmo sem os titulares absolutos Recoba e Carine, fizeram justiça à mística da raça uruguaia e prometem esquentar a disputa pela vaga no próximo Mundial.

Para os brasileiros é muito interessante esse possível novo bom momento da Celeste. E que venham novos êxitos para o futebol uruguaio, para assim, quem sabe, eles possam esquecer, pelo menos por um tempo, o Maracanaço de 50.

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