| Artigo
|
Lembranças do Orem... Na última semana a Ufes sediou pela primeira vez a Olimpíada Regional de Medicina (Orem). Se para os alunos da Medicina isso foi uma grande vitória, para a comunidade universitária o que fica é uma péssima lembrança. Aulas suspensas durante quatro dias, não descontados do calendário, professores impedidos de entrar em suas salas para trabalhar e talvez o mais sério: a imagem institucional abalada por um evento marcado pelo desrespeito à comunidade acadêmica. Afora os prejuízos ao Ensino, à Pesquisa e à Extensão, encontramos ainda outras conseqüências. Até mesmo entrar e sair do campus tornou-se tarefa das mais desafiadoras nesses dias. As imediações da Ufes ficaram repletas de alunos que vinham e voltavam dos bares da Rua da Lama, provocando tumulto nas ruas e dando trabalho aos agentes de trânsito e, claro, a trabalhadores, estudantes e professores desta universidade. Paralelamente a tantos transtornos, destacamos aqui o desrespeito aos alunos do curso de Comunicação Social, que poderiam ter aproveitado tamanho evento para exercitar o jornalismo que eles aprendem nas salas de aula. Em especial, manifestamos nosso repúdio às agressões moral e física sofridas por uma estudante enviada ao evento para fazer uma reportagem para o Universo.Ufes. Depois de tentar uma credencial de imprensa por quatro dias para ter acesso às áreas restritas e poder entrevistar os participantes do Orem, ela pagou pelo ingresso e conseguiu entrar no último dia de megashows - e não podemos esquecer de ressaltar que ela pagou por um evento que acontecia dentro da Ufes, programado por entidades estudantis. Pois então... nesse evento de que participava porque havia comprado um ingresso, como outras milhares de pessoas que lá estavam, a estudante foi agredida por um dos membros da organização, estudante de Medicina - quem diria?! -, que a insultou questionando sua autoridade, sua representatividade, sua importância, e concluiu classificando o curso que ela representava de "curso de m..." - desculpe-nos leitores, mas julgamos ser necessário conhecer os termos que às vezes utilizam alguns estudantes de nossa Universidade, futuro portador de um diploma que lhe exige respeito ao próximo e capacidade de diálogo. Não bastasse, esse estudante tentou expulsá-la do local - lembra-se que falamos acima do pequeno detalhe que ela pagou pelo ingresso? -, chamando para isso nada menos que seis seguranças. Seis! E seis seguranças particulares, contratados pela organização da festa realizada em área federal. Infelizmente, não temos mesmo boas notícias
para dar desse evento que trouxe à Ufes mais de 3 mil alunos
do Rio de Janeiro, agitou o campus, suspendeu aulas, interrompeu o trabalho
de professores, prejudicou o calendário, provocou uma denúncia
no Ministério Público, uma na Delegacia da Mulher e outras
na Ouvidoria, e, tragicamente, encerrou-se com a morte de um dos participantes,
dentro do campus.
|