Artigo

29/03/03

Gustavo Badaró é aluno do curso de Psicologia da Ufes

 

 

 

 

 

 

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CONEUFES 2003:
A RECONSTRUÇÃO DO MOVIMENTO

Gustavo Badaró

O 3º Coneufes, realizado nos dias 14,15 e 16 de março, constitui-se como um marco decisivo no Movimento Estudantil da Ufes. No entanto, não devemos tratá-lo como um evento que, a partir de sua ocorrência, resolveu todas as questões de organização do ME da Ufes, apesar de nos ter possibilitado passos decisivos nessa direção.

Organização provém do termo grego organon, que indica instrumento. Nesse sentido, o Coneufes foi da maior importância, na medida que instrumentalizou o ME com ferramentas que até então não dispúnhamos.

Foram inscritos 28 cursos no Congresso, ou seja, a maioria dos cursos da Ufes estava representada, apesar da realização do Congresso ter se dado no tão conturbado final de período letivo. Os delegados eleitos pelos cursos (cada curso tinha direito a cinco) participaram em peso, integrando grupos de trabalho diversos: meio ambiente, política cultural na universidade, política de cotas, educação à distância etc, que ocuparam-se de definir eixos para nossa intervenção dentro e fora da Ufes.

A deliberação mais importante do congresso, e que foi a que demandou maior tempo, foi a definição do Estatuto do DCE/Ufes, que na verdade serve para legislar todo o ME da Universidade. E pela primeira vez, nos 25 anos de existência do DCE/Ufes, o seu estatuto pôde ser devidamente registrado, consolidando a existência legal da nossa entidade, e servindo de referencial para um debate político digno, que possibilite a integração do nosso movimento. Assim, poderemos evitar impasses que ocorriam justamente pela falta de um documento claro e validado que servisse de referencial para a atuação a partir do movimento estudantil.

No entanto, cumpre salientar que esse Congresso não foi suficiente para encerrarmos de maneira definitiva uma série de questões que se referem à dinâmica do movimento. Algumas tópicas do próprio estatuto ainda carecem de um debate mais aprofundado com a comunidade acadêmica e com as entidades representativas do ME a fim de se tornarem mais legítimas na medida que se fundarem a partir de um referendo por parte dos estudantes. Alterações estatutárias só podem ser feitas em outro congresso, mas questões omissas podem, e devem, ser discutidas em assembléias gerais e demais fóruns legítimos de representação estudantil, bem como adiantar o debate sobre possíveis alterações estatutárias futuras, preparando já um congresso ainda mais produtivo e representativo.

Se alguns impasses não puderam ser resolvidos de maneira definitiva por esse Congresso, no mínimo conseguimos apontar a urgência de debatermos e fazermos consultas mais ampliadas à comunidade estudantil em relação a pontos específicos que, agora, estão localizados. Anteriormente, nem detectados estavam.

Mas a importância maior desse Congresso, a meu ver, tem raízes no seu caráter educacional: várias pessoas que dele participaram, como este que lhes fala, nunca haviam participado de um congresso antes. Assim, muito do que não foi mudado, ou debatido, ou redefinido, se deu até mesmo pela tentativa da lógica fatalista neoliberal de nos fazer desaprender o fazer coletivo, constituindo uma hegemonia onde o individualismo grassa e o coletivo encontra dificuldades em se enraizar como prática consistente e consciente na vida das comunidades. Mas provamos que É POSSÍVEL!
Apesar desse ter sido o 3º Coneufes, esse Congresso se constituiu como o primeiro, tendo em vista que este fórum, que é a instância máxima do ME da Ufes, já não acontecia há quatro anos. Além disso, serviu a propósitos de base, como a definição de um estatuto que seja devidamente legalizado. Serviu ainda para demonstrar a potencialidade deste fórum em termos de organização e mobilização, abrindo a possibilidade para tornarmos esta prática uma constante, anual, como próprio estatuto exige.

A desorganização, a falta de referenciais claras e definidas do processo de representação estudantil serve apenas àqueles, como a diretoria atual do DCE e a nossa reitoria, que se servem do silêncio e da confusão no ME para usarem as instituições públicas aos seus interesses particulares e aos interesses de seus grupos fechados.

Mas a era da negligência e da dualidade de poder no ME chegou ao fim, e nos próximos congressos não mais definiremos estatutos completos, apenas algumas alterações quando for o caso, e poderemos cada vez mais utilizar essa incrível ferramenta para organizar a nossa ação.

Somos muitos, mas é fundamental que saibamos se podemos caminhar juntos, e para onde queremos caminhar juntos. Aprendemos mais um pouco, e demos uma lição de mobilização que devem servir de espelho aos demais movimentos, pois, em condições extremamente adversas (fim de período, um DCE inexistente, reitoria autoritária) estivemos lá, construindo coletivamente, para estarmos em cada vez mais lugares.

Já estou esperando a colheita. Cumpre irrigarmos adequadamente esta cultura.

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