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Artigo
28/02/2003
Maurílio Mendonça é estudante
do 5º periodo do curso de Comunicação Social da Ufes
Coluna dedicada a constribuições
dos leitores.
O Universo Ufes não se responsabiliza por opiniões emitidas
nos artigos.
As contrbuições podem ser enviadas através do email
[email protected]
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Só faltava
essa...
Maurílio Mendonça
Nos últimos meses, devido ao meu último
emprego, pude ter acesso à cultura do Espírito Santo,
estado que amo e conheço desde que nasci, há 21 anos.
Durante todo este tempo conheci praias, montanhas, cachoeiras, centros
municipais, monumentos naturais e humanos... Fica até difícil
não se apaixonar por um estado desses. Porém, neste último
domingo, a Rede Globo me fez passar vergonha ao banalizar a cultura
capixaba. Sei, no mínimo, que nossa cultura não precisa
de nenhuma mega-emissora mundial para ser sustentada.
Durante um de seus intervalos vespertinos, a maior emissora de televisão
brasileira fez uma chamada para um dos seus principais programas atuais:
Big Brother Brasil III. Nesta chamada, um dos participantes mais cotados
para levar o prêmio, o Dhomini, teve como música-tema "Anjo
Samile", da banda Casaca, um dos grupos mais conhecidos do Estado
e que, junto com o Dallas Company (que também teve uma de suas
músicas como tema no BBBII), representa nacionalmente - seja
como for - os grupos do Espírito Santo.
O fato é que não fiquei muito assustado quando ouvi a
música do Casaca no programa global, mas sim quando no Fantástico
(horas mais tarde), num dos quadros mais importantes do programa: Me
leva Brasil, o jornalista Maurício Kubrusly retratou o município
da Serra, aqui no Espírito Santo.
Na reportagem, ele conhece e explica ao telespectador uma das festas
tradicionais da cultura capixaba: a fincada do mastro de São
Benedito. Nesta festa, bandas de congo, música representante
da cultura capixaba, dão o ritmo para o evento e ensinam um pouco
mais da cultura do meu estado (por sinal, muito mal conhecida pelos
próprios capixabas).
Até aí, tudo bem. O Maurício, o Fantástico
e a Rede Globo mostram um pouco do Espírito Santo pela primeira
vez neste quadro do programa dominical e explicaram todo o processo
cultural que envolvia a festa.
Porém, no final da matéria, uma outra banda capixaba,
o Manimal, recebeu a oportunidade de mostrar seu trabalho a todo o Brasil.
O que isso tem demais? Eu diria que nada, caso não soubesse que
essa banda, junto com a Casaca , misturam o ritmo congo ao rock ou o
reggae. De acordo com eles, a idéia é inovar e, ao mesmo
tempo, divulgar um pouco da nossa cultura.
Só que quem acaba se dando bem com essa "mistura" são
as próprias bandas. São elas que ganham espaço
na mídia, que ganham a grana e que divulgam o congo (mesmo que
desvirtuado) por todo o Brasil. Enquanto que as verdadeiras bandas de
congo do estado continuam lutando pela permanência do ritmo, no
anonimato e sem dinheiro no bolso.
Sou a favor da divulgação de toda e qualquer cultura brasileira,
mas também sou a favor de sua valorização e não
da banalização que ela vem sofrendo.
Não culpo as bandas por usarem o congo em suas músicas
nem o público por considerar o que elas fazem o congo "original",
aliás, eles merecem o meu respeito. Porém, não
aceito ver a Rede Globo explorando esse ritmo que está aos poucos
conquistando o Brasil somente para obter mais ibope. Isso ela já
tem. Também não concordo que as produtoras de disco continuem
ganhando seus milhões de reais por ano com a cultura brasileira,
banalizando-a.
Democratizar não é sinônimo de banalizar e sim de
popularizar. Resta agora aos brasileiros cobrar pela qualidade desta
"popularização cultural" e perceber que eles
são os principais interessados na qualidade da música
brasileira.
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