Unidade Revolucionária e Unidade Proletária

Construir um Bloco Revolucionário para fortalecer a luta de massas contra as reformas do Governo Lula.

 

UNIPA (União Popular Anarquista) -  CPR (Coletivo Pensamento Radical)

 

Chamamento aos Revolucionários:

 

            A atual conjuntura histórica na sociedade brasileira se caracteriza pela polarização política em torno da luta contra as reformas do Governo Lula, e exige a formação de novas organizações do proletariado – que rompam com o governismo e a tutela burguesa – e possam levar à frente às lutas reivindicativas da classe trabalhadora.

Este documento é um chamamento aos revolucionários do Brasil. Um chamamento à construção da unidade tática, na luta de massas, contra as reformas do governo Lula, e a unidade também no trabalho de reconstrução das organizações da classe trabalhadora brasileira. Esta unidade é uma exigência tática da atual conjuntura histórica; construir a unidade revolucionária é passo fundamental da construção da unidade proletária.

 

1- A Unidade Revolucionária.

 

            A atual conjuntura histórica, caracterizada pela implementação das reformas liberais do Governo Lula, exigem uma política de unidade de todas as organizações da classe trabalhadora, em torno de um programa anti-governista, que defenda os interesses e os direitos dos trabalhadores. Exige também um trabalho intenso de reorganização do proletariado, no qual as organizações revolucionárias devem tomar parte. Este processo está em curso, desde que foi desencadeado o processo de construção da CONLUTAS (Coordenação Nacional das Lutas).

            É preciso observar que a criação do CONLUTAS visa estabelecer uma ruptura das organizações da classe trabalhadora com o governismo do PT, criando um pólo de resistência às reformas trabalhista, sindical e universitária. Ao mesmo tempo, pretende servir como alternativa a CUT governista, se apresentando como uma outra central de aglutinação do proletariado. Desta maneira, a CONLUTAS pode servir como instrumento de mobilização e luta da classe trabalhadora, como alternativa nacional de reorganização do proletariado. E esta é, nesta conjuntura, a única alternativa real colocada que pode cumprir esta importante missão histórica.

            Mas para fortalecer este processo de massas, é preciso que as organizações revolucionarias, que atuam no movimento sindical e popular, se coordenem e juntem suas forças, hoje extremamente localizadas, para garantir que este trabalho de reorganização do proletariado seja levado até as ultimas conseqüências. È para a construção de um bloco revolucionário dentro do CONLUTAS, composto por organizações revolucionárias de diferentes linhas ideológicas que chamamos os revolucionários.

            Entendemos que organizações revolucionarias não são aquelas auto-proclamadas, mas sim aquelas que tem em sua estratégia, a superação da democracia burguesa, a afirmação da ruptura revolucionária e de uma sociedade sem classes, e que recusam a via reformista enquanto via de tomada do poder. Conseqüentemente são aquelas organizações que tem como estratégia a tomada do poder pela força revolucionária do proletariado. São a estas organizações que nos dirigimos.

 

2– A Unidade do Proletariado e sua Reorganização.

 

A unidade tática dos revolucionários visa produzir a unidade das organizações do proletariado, em torno de reivindicações e estratégia de luta comum. O acordo produzido entre as organizações revolucionárias visa intervir na estruturação do CONLUTAS, no sentido de formar uma frente de organizações composta por militantes do movimento sindical-popular e organizações de massa), que lute para:

- garantir que a CONLUTAS adote como central a estratégia da ação direta, garantindo a independência de classe, fundamental ao enfrentamento das reformas do governo Lula.

- garantir que a CONLUTAS adote em sua estrutura interna, a democracia proletária, com efetivo debate político entre as tendências e o poder das bases do movimento sobre a direção da entidade. 

 

Estas são condições mínimas para garantir a unidade proletária na luta contra o governismo e as reformas do governo Lula. Unidade que preserve a independência e o caráter combativo das organizações de classe. É preciso garantir a unidade de todas as forças do proletariado no sentido de opor uma resistência feroz a reforma trabalhista, sindical e universitária. É preciso garantir também a unidade no sentido de reconstruir as organizações populares e sindicais, hoje subordinadas ao governismo e a política burguesa.

            A CONLUTAS deve também ter algumas bandeiras reivindicativas emergenciais (que representem alternativas as reformas do governo Lula), que permitam realizar o trabalho de agitação e propaganda entre as massas do campo e da cidade. As bandeiras que devemos ter são:

 

- redução da jornada de trabalho para 6 horas, sem redução salarial; criação de frentes de trabalho emergenciais; reajuste nominal de 300 reais no salário mínimo nacional. 

- reversão dos gastos com o Pro-Uni para abertura de mais vagas nas universidades públicas.

- defender a autonomia sindical, o que implica defender o fim do imposto sindical e a não cobrança de “taxa de negociação coletiva”;

 

Neste sentido, devemos reconhecer que a atual conjuntura histórica possui limitações objetivas (econômicas e políticas) e subjetivas (da consciência e organização do proletariado brasileiro), que fazem que as principais tarefas sejam a ampliação das lutas reivindicativas e a reconstrução das organizações de classe. Neste sentido, não devemos tomar decisões voluntaristas. O nosso principal objetivo hoje é destruir o governismo no movimento sindical-popular, reorganizar o proletariado, e acumular forças para uma luta de longo prazo. 

 

3 – A frente revolucionária e seu papel histórico.

 

            A experiência da aliança tática das organizações revolucionárias de diferentes orientações ideológicas pode fornecer um aprendizado fundamental no desenvolvimento das condições objetivas e subjetivas da eclosão de uma situação revolucionária no Brasil. A Unidade Proletária, condição necessária e indispensável do desenvolvimento do movimento revolucionário, será obtida somente por um processo de médio prazo. Mas para que a construção de uma frente única do proletariado possa se tornar uma realidade, será preciso também considerar a experiência da frente revolucionária (dos “partidos” de diferentes orientações ideológicas).

            Neste sentido, a construção do bloco revolucionário para fortalecer, através da CONLUTAS, o processo de reorganização do proletariado e as lutas contras as reformas do governo Lula, tem um importante significado histórico, fazendo parte do aprendizado revolucionário no processo de construção da revolução brasileira e do socialismo. 

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