A Classe Trabalhadora no terreno Internacional e Nacional:

a crise imperialista requer uma saída Internacionalista e Proletária

  

Dia Internacional dos Trabalhadores, 2007.

 

 

A importância do primeiro de maio está dada por sua significação: esta é uma jornada de unidade dos trabalhadores, é agora e tem sido desde aquele dia em 1886 quando foi selada a solidariedade internacional operária no calor da luta pela jornada de trabalho de 8 horas. É uma jornada de luta em que nossos primeiros mártires internacionalistas derramaram seu sangue. Unidade e luta, a bandeira que levantamos há mais de cem anos e que possibilitou que a classe operária –internacionalizada de fato- se reconheça a si mesma como Movimento, é a bandeira que levantamos agora.

Nossa Classe chega a este 1º de maio de 2007 em um contexto de crise, marcado por uma série de lutas ao redor do mundo, mas lutas que se dão isoladas, sem una direção clara. A nível internacional, a conjuntura está determinada pela crise e reestruturação das hegemonias imperialistas, as lutas inter-imperialistas cujo cenário principal é e Oriente Médio, estão deixando ver a decomposição do poder hegemônico das potências mundiais. A forte queda das principais bolsas mundiais que se deu nos últimos dias é sintomática desta afirmação.

Alan Greenspan, que há 5 anos “ressaltou a forte produtividade, a eficiência da indústria do país (EUA)e o impulso do sector imobiliário” (A. B. N. / Nova York 18-07-2002) agora diz que “se espera que EUA entre em recessão com  a desaceleração do mercado imobiliário…”, por motivos do forte endividamento Ianqui forçado pela manutenção de seu aparato militar, o déficit presupuestario e a queda das exportações frente as importações (principalmente chinesas, com sua desvalorizada moeda). Os militantes revolucionários devemos estar muito atentos a esta nova fase da crise

capitalista- imperialista.

Na América Latina, já se começa a ver o descaramento das lealdades da frente de presidentes progresistas com os choques entre Lula e Evo Morales pelo petróleo, ou Kirchner y Tabaré Vázquez pelas papeleras (não pela questão ecológica mas por captar os investimentos imperialistas) . Não devemos ver nesses processos uma decomposição da pretensa “unidade latino-americana” mas um exemplo das lutas internas das direções burguesas, que não afetam a solidariedade entre as classes trabalhadoras dos respectivos países, a qual é possível e necessária.

Na Argentina, encontramos não somente os partidos da burguesia, mas também os partidos políticos –marxistas preponderantemente- da nossa Classe organizando- se com vistas as próximas eleições. Assim é que alinharam em nos convencer que a luta económica não é a correta, e querem desviar nossas reivindicações para a arena política burguesa, sempre buscando una maior participação parlamentar.

Assistimos a um processo de avanço das lutas dos explorados que é respondida com a reação repressiva dos exploradores, esta fase é resultante da forças acumuladas pela Classe Operária Argentina no período anterior (do Argentinazo) e da imposição burguesa de um novo modelo econômico baseado na exportação e no trabalho flexibilizado em beneficio de una nova relação de dependência do imperialismo.

Carlos Fuentealba (docente assassinado há um mês pela repressão burguesa em nosso país) foi o último dos mais de quarenta mártires que já acumula a gloriosa luta do proletariado argentino contra o parto social que impõe a burguesia para este novo modelo. Eis aí o proletariado lutador a altura do internacionalismo proletário de Chicago e do mundo, respondendo com mobilizações massivas ao redor da Argentina.

As lutas dos docentes em Santa Cruz , Neuquén e Salta são exemplo deste avanço. A pressão da base forçou a CGT decretar una paralisação “simbólica” em apoio as lutas docentes, a CTA também foi empurrada a mobilização (ambas, com suas matrizes, são centrais pró-oficialistas) . Agora, estes dados não nos servem senão os utilizamos para analisar em que situação de correlação de forças nos encontramos. O que significa em termos da luta de classes? A Burguesía cerra fileiras e impõe com repressão a “estabilidade” do novo modelo, tem seus olhos postos nas eleições e numa tarefa que não tem postergação, seu reagrupamento como Classe em torno desta nova fase ofensiva de seus interesses.

O principal obstáculo que encontra agora para por isto em pratica, é a resistência do  campo operário e popular, o qual tratará de vencer por todos os meios possíveis, seja a violência pura e dura o tratar de desviar o foco dos problemas, táctica na que o governo Argentino se mostrou tão astuto nos últimos tempos… por isso, nessa nova conjuntura nossa classe se encontra com a necessidade imperiosa de unir-se para resistir ao embate que a Burguesia se dispõe a realizar.

Devemos reagrupar-nos na luta por nossas reivindicações materiais, contra a classe patronal por um lado e para expropriar as centrais sindicais e os sindicatos das garras das burocracias traidoras, de outro lado. E denunciar o papel conciliador dos partidos da Classe

–marxistas- quando desviam a Classe dessa estratégia – e desmistificam  a fase “contra-revolucionaria” em que nos encontramos – chamando-a votar em seus candidatos nas eleições.

È necessário que na Argentina retumbe a voz de uma tendência internacionalista e revolucionária entre as fileiras da nossa Classe. É imperioso que nossa Classe ponha no centro do fogo cruzado com a patronal a Burocracia sindical, eliminá-la através da intimação para a luta em prol de que as próprias bases às expulsem de suas ferramentas sindicais históricas.

Hoje no Brasil o 1º de maio deve servir para o mesmo fim. Para mantermos a luta dos trabalhadores por melhores condições de vida. Essa luta é uma luta contra o Governo Lula e contra os empresários.

O Governo Lula está montando um plano econômico que vai praticamente congelar o salário mínimo. Vai também praticamente congelar os salários dos servidores públicos. Vai praticamente confiscar o FGTS dos trabalhadores. E o que é pior, para usar o dinheiro para financiar os empresários da construção civil. Também promove reformas neoliberais que irão cortar direitos, como aposentadoria, férias e 13º salário.

No Rio de Janeiro, os empresários de ônibus e o Tribunal de Justiça querem acabar com o passe livre. Pretendem tirar o direito dos estudantes, deficientes e idosos de ter acesso ao serviço que deveria ser público e gratuito: o transporte coletivo urbano. Ao mesmo tempo, o governo estadual investe em repressão contra os moradores de favelas, que são tratados como criminosos e submetidos à brutalidade policial. Vários trabalhadores inocentes são mortos hoje no Brasil, como cem anos atrás nos EUA. 

            No México, a situação da classe trabalhadora, e todas as massas pobres do país, não encontra diferença substancial alguma com respeito ao que sucede no Brasil e Argentina, pois também de maneira sistemática, as conquistas históricas mais elementares de nossa classe estão sendo ameaçadas.

A reforma da lei federal do trabalho, que praticamente eliminará todos os direitos do trabalhador frente a empresa, assim como a reforma fiscal, que imporá o imposto a alimentos e medicamentos, são somente exemplos do panorama que está por enfrentar a classe trabalhadora, tudo isso somado a militarização do país, que realmente tem por finalidade preparar a repressão as lutas que possam empreender o povo pobre.  Este obscuro panorama que tenta impor-nos a burguesia (patrões e governantes) somente pode ser freado através da auto-organização e mobilização combativa do povo trabalhador.  

Desafortunadamente, nossa classe se encontra ainda desorganizada e paralisada ante esses ataques da classe exploradora, salvo por certas lutas heróicas em certos pontos do país, mas que por seu isolamento, são impotentes de plantear uma defesa única e organizada frente à burguesia e o Estado que sempre a resguarda.

Além do isolamento, as lutas se tornam impotentes pelo fato de que erroneamente, grande parte dos trabalhadores e da juventude depositou sua confiança (e suas lutas) em um partido completamente adaptado a esse sistema de exclusão e exploração: o PRD, que nos lugares em que se encontra no poder, demonstra que no tem nenhuma diferença fundamental com o PRI e o PAN.

Diante tudo isso, s hoje a comemoração dos 121 anos da morte dos Mártires de Chicago, daquela memorável batalha obreira que valentemente empreendeu o proletariado norte-americano, a melhor lição que podemos tirar daquela experiência, é que somente a Ação Direta Proletária e a Independência de Classe, quer dizer, a mobilização de rua, massiva, a greve, os bloqueios de rodovias, etc., acompanhada da necessária ruptura estratégia e organizativa com todos os partidos capitalistas (PAN, PRI, PRD do México; PT do Brasil; Partido Justicialista da Argentina, por exemplo e os demais) pode permitir-nos defender as conquistas e avançar até vencer de uma vez por todas a classe dominante exploradora e seu sistema de desigualdade, o sistema capitalista.

A luta pela conquista da jornada de trabalho de oito horas, que nos foi legada há 121 anos, levada adiante por proletários de um sem número de nacionalidades e uma pluralidade extensa de raças de todo o mundo, nos ensina também que a organização do proletariado requer a transposição das fronteiras de todos os Estados do mundo para sua vitória. Necessitamos fixar novamente nos fatos, e não somente no discurso, as bases de um genuíno Internacionalismo Proletário. Pela Organização Consciente do Proletariado em Classe Mundial !

Por isso chamamos os trabalhadores: participem do primeiro de maio. Participem das manifestações de rua e greves. Junte-se ao sindicato da sua categoria. Crie organizações sindicais e oposições onde os sindicatos não existirem ou estiverem controlados pelo patrão. Os desempregados devem se juntar aos sindicatos de suas categorias e movimentos sociais. Somente através da nossa luta seremos capazes de defender nossos direitos.

Este é o momento de levantar as bandeiras da unidade internacionalista da Classe Trabalhadora!

 

Comité por la Construcción de una Organización Revolucionaria Anarquista (Argentina)

UNIPA - União Popular Anarquista (Brasil)

ACL - Alianza Comunista Libertaria (México)

 

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