Rumo ao Poder Popular

Contribuição ao CONAT – Congresso Nacional dos Trabalhadores - 2006

Documento Político da UNIPA – União Popular Anarquista

 

“Aos militantes do movimento sindical, estudantil, operário, e camponês;

A juventude, as mulheres trabalhadoras, ao povo oprimido, negro e indígena;

Aos sinceros lutadores do povo, em partidos, sindicatos,  cooperativas e demais entidades;

Ao bravo povo brasileiro de forma geral

 

1 – A Conjuntura Social e a luta de classes no Brasil em 2006.

 

O movimento sindical-popular vive um momento decisivo. Este momento é caracterizado pela “degeneração prática e ideológica” de amplos setores do movimento e por suas entidades (sindicatos, federações, centrais) que se tornaram os mais ferrenhos inimigos da classe que deveriam representar. A CUT, UNE e movimentos como o MST, estão cada vez mais se mostrando como “correias” de transmissão dos interesses do Governo Lula e do Estado burguês no movimento sindical-popular.

É necessário então, neste momento em que se prepara um congresso dos trabalhadores do Brasil, realizar uma profunda crítica das causas deste processo, e apontar uma nova estratégia e via de luta. Este texto visa dar uma contribuição à discussão do de preparação ao “Congresso Nacional dos Trabalhadores” (CONAT, a ser realizado em Maio de 2006) e a este processo de discussão crítica e renovação do movimento dos trabalhadores brasileiros.

Com ele, pretendemos apresentar algumas propostas para a luta e organização da classe trabalhadora no Brasil. Para formular tais propostas, é necessário analisar a conjuntura, ou seja, a economia, política e sociedade brasileira no tempo presente – o ano de 2006.

 

O Movimento Sindical-Popular e o Governo Lula.

 

A atual situação da economia, sociedade e luta de classes no Brasil, apresenta um quadro extremamente complexo. Desde o início da década de 1990, como Governo Fernando Collor/Itamar Franco (1990/1994), e depois Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002) o Brasil vive um processo de transição de um regime econômico intervencionista (em que o Estado ocupava um papel regulador da economia), para um regime econômico liberal. As privatizações, a política de flexibilização e reestruturação produtiva (com o ataque aos direitos trabalhistas) fazem parte deste processo.

Dentro deste processo, o PT e o Governo Lula vem cumprindo o papel de acelerar as reformas liberais (da previdência, tributária, sindical e trabalhista), para completá-las de forma rápida e estável a (evitando as convulsões sociais verificadas em outros países da América Latina). O apoio da CUT e o do MST, principais organizações dos trabalhadores, a este processo, apenas facilita o fortalecimento do liberalismo e o processo de destruição dos direitos dos trabalhadores.  

Para compreender porque o Governo Lula e o PT, a CUT e o MST, estão cumprindo este papel atual, e ver que não se trata de uma simples “traição”, devemos compreender a via estratégica adotada pelo PT e pela CUT desde sua fundação. O re-surgimento do movimento sindical com as greves do ABC e as lutas de massas por todo o país no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 levaria a fundação do PT (1980) e da CUT (1983). Este projeto foi definido assim:

 

A CUT considera que a definição de um projeto alternativo e a própria conquista do poder político são objetivos legítimos e fundamentais para a classe trabalhadora transformar a sociedade brasileira e eliminar as formas de exploração e opressão sobre os trabalhadores. No entanto, o instrumento fundamental de definição do programa da classe e da estratégia política do poder são os partidos políticos que estiverem efetivamente comprometidos com as aspirações históricas da classe trabalhadora”.(II CONCUT, 1986).

 

Mas ao longo do processo de “tomada do poder político” o que era previsível aconteceu: o “programa” do PT foi se modificando conforme a aliança com a burguesia se consolidava e as idéias burguesas dominavam a burocracia sindical e partidária, de maneira que quando Lula finalmente venceu as eleições em 2002 – consolidando a “conquista do poder político – o programa do PT e suas alianças representavam os interesses do empresariado.

Por ironia do destino, as reformas liberais demandadas pelas frações burguesas foram assumidas pelo PT, e o “reformismo” nacional-desenvolvimentista deu lugar ao reformismo liberal. As reformas implementadas pelo Governo Lula passaram a ser reformas liberais que visam ajustar a economia, política e sociedade brasileira ao novo padrão de acumulação de capital e a divisão do trabalho internacional.

O projeto político que se formula então, é um projeto “reformista” e marcado pelo “substituísmo burocrático”, ou seja, acreditava-se que o Partido Político – que “representaria”, mas ao mesmo tempo substituiria a ação da classe – seria o “principal” instrumento na “transformação” da sociedade brasileira, através da “tomada” do Estado Burguês. Mas esta opção pela “via das reformas” e pela substituição da ação direta da classe pela luta “legal” do partido implicava no plano político, numa colaboração cada vez maior com setores da burguesia; no plano sindical, na desmobilização do movimento, para ganhar exatamente a “confiança” dos setores burgueses. Para isso, se investiu numa política corporativista na CUT, no sindicalismo de resultados, que levou a ideologia economicista a predominar, despolitizando o conjunto do movimento sindical.

A crise do movimento sindical-popular, é produto das opções históricas feita por frações da classe trabalhadora e as tendências e grupos políticos que assumiram a direção deste movimento; do projeto de poder assumido por elas. Como então nos organizarmos para a luta sem reproduzir os erros do passado? O problema da organização e da luta da classe trabalhadora está relacionado diretamente a um problema de fundo: o problema do poder.   

 

2 – Crise de Direção ou Crise de Movimento?

 

Para dizer o que queremos e escolher por que via caminhar, temos de saber caracterizar a situação em que nos encontramos. Neste sentido, podemos dizer que luta de parte do movimento sindical contra a reforma da previdência em 2003 e o processo de ruptura com a CUT iniciado em 2004 em Luiziânia/Goiás, marca uma tomada de consciência por parte de setores da classe trabalhadora brasileira.

Tomada de consciência de que o Governo Lula/PT representa os interesses da burguesia; tomada de consciência de que a CUT tinha se tornado apenas uma sucursal do governo no movimento sindical. Tomada de consciência de que sem a ação e a luta da classe, seus interesses econômicos e políticos não irão ser respeitados. Mas esta tomada de consciência pode identificar diferentes causas e extrair diferentes lições deste processo. E caso não encontremos as causas reais e retiremos lições corretas, o processo de ruptura com o “governismo” e a CUT não avançará na direção necessária ao proletariado.

De forma relativamente “difusa”, existe uma análise que identifica a causa da crise do movimento sindical-popular  numa “crise de direção”. Esta caracterização implica em acreditar que: 1) a responsabilidade pela degeneração das organizações da classe trabalhadora cabe exclusivamente as “direções”; 2) que para resolver o problema político do movimento, basta substituir as “direções” que capitularam por outras “direções”. Desta análise se extrai uma justificativa para uma certa política de “ruptura” com o PT e a CUT, que nosso entendimento não rompe com as “causas” reais da crise (o modelo corporativista e colaboracionista).

As raízes da crise do movimento sindical-popular no Brasil estão na estrutura deste próprio movimento: na sua ideologia e forma de organização. A degeneração das “direções” são os sintomas, não as causas da crise. Não basta substituir as “direções”, é preciso forjar uma outra concepção de movimento, um movimento social de novo tipo. É preciso dizer que a “alienação” dos trabalhadores em relação ao movimento sindical, sua permissividade com direções oportunistas e carreiristas é em grande medida, responsabilidade dos próprios trabalhadores. E somente mudança da relação trabalhador-sindicato e sindicato-classe seremos capazes de dar um direcionamento correto as lutas que virão.

         O que é fundamental é garantir a independência efetivas das organizações da classe trabalhadora, em sua consciência e estrutura organizativa, para que estas organizações e lutas não sejam utilizadas como “instrumentos” da política burguesa, nem como pontos de apoio de projetos de poder da burguesia ou da aristocracia operária.

 

Por um Sindicalismo Classista e Combativo.

 

Outro fator fundamental na degeneração da CUT é a estrutura sindical e a relação político-ideológica que as bases, os militantes e dirigentes sindicais estabeleceram com esta estrutura. Em primeiro lugar, é preciso indicar que existe um tipo de estrutura sindical no Brasil e que esta estrutura tem uma história. Ela surge a partir dos anos 1930, quando depois da “revolução burguesa”, é sistematizada a legislação sindical e trabalhista. Em 1943 foi criada a CLT (consolidação das leis trabalhistas), inspiradas diretamente na Carta del Lavuoro, de Mussolini (ditador fascista italiano). Logo, a estrutura sindical brasileira é um legado do fascismo italiano e do autoritarismo de Getúlio Vargas.

Esta estrutura é feita para que o movimento sindical sirva aos interesses da burguesia, e não aos interesses do proletariado. Vejamos um artigo da CLT que define a essência do sindicalismo de estado:

 

“Art. 513: São deveres dos sindicatos:

d) colaborar com o Estado, como órgãos técnicos e consultivos, no estudo dos problemas que se relacionam com a respectiva categoria ou profissão liberal.

Art. 514: São deveres dos sindicatos:

e) colaborar com os poderes públicos no desenvolvimento da solidariedade social.

 

Ou seja, o primeiro principio desta estrutura sindical, é a colaboração de classes. Sua essência é o corporativismo.  Esta ideologia (colaboracionista e corporativista) é expressa fielmente na organização sindical. Ela tem três mecanismos principais: 1) a investidura sindical; 2) o imposto sindical; 3) a unicidade sindical. Os artigos 516 da CLT estabelecem a “unicidade sindical”. O que é a unicidade sindical? É o dispositivo que reconhece somente um único sindicato representativo de uma mesma categoria numa mesma base territorial. Isto significa que quem “investe” o sindicato do poder de representar os trabalhadores, é o Estado, através do Ministério do Trabalho. Sobre o princípio da unicidade sindical, se estabelece a estrutura sindical vertical, que divide os trabalhadores na base e os centraliza na cúpula, através do atrelamento direto ao ministério do trabalho e ao Estado. O Imposto sindical é um mecanismo de regulação, que obriga o sindicato a se voltar em grande parte de suas atividades para atividades assistencialistas (assistência médica, funeral). 

Para entender então como a CUT degenerou, devemos então correlacionar dois fatores: 1) as contradições internas da CUT; 2) o desenvolvimento de uma força e projeto política hegemônico reformista, através da relação “Partido-Sindicato.” (o PT). A CUT apesar de criticar a estrutura sindical, não levou a crítica até as últimas conseqüências, de maneira que permitiu que seus sindicatos continuassem atrelados ao Estado.

Mas o que opor ao sindicalismo corporativista ou sindicalismo de estado? A este sindicalismo corporativista devemos opor o sindicalismo classista O que é o sindicalismo classista? Podemos dizer que o sindicalismo classista surgem num determinado momento histórico: o da primeira geração do movimento socialista, da AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), fundada em 1864.  Com a fundação da AIT, se estabelece um estado de espírito fundamental, expresso na máxima “a libertação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores...” No primeiro congresso da AIT (1866) são lançados os pilares do sindicalismo classista: 1) luta do trabalho contra o capital; 2) solidariedade de classe, tendo por base as reivindicações econômicas; 3) a ação direta, ou seja, o reconhecimento de que somente a luta dos trabalhadores é capaz de realizar sua libertação.

            O sindicalismo classista toma por base a luta de classes, o classismo; a atual estrutura sindical brasileira toma por base a colaboração de classes, o corporativismo. È óbvio então que, qualquer organização proletária que não critique e aponte para a liquidação desta estrutura sindical, tenderá a degenerar como a CUT, ou pelo menos, se imobilizar nas contradições por ela geradas. Quais as características do sindicalismo classista? Além da luta de classes, da solidariedade econômica e da ação direta, uma característica fundamental é a greve. Ou seja, a luta direta do “trabalho contra o capital”.

         Para perceber como a CUT negou estes princípios, basta ver que entre 1990 e 1997, o número de greves e de grevistas recua, por conta da “reestruturação produtiva”, mas também pela estratégia política adotada pelo setor majoritário da CUT (articulação sindical), que investiu num sindicalismo corporativista, e conduziu os trabalhadores a esta opção. Isto significa que os tipos de greve também se modificaram: as greves por empresa passaram a representar a maior quantidade de greves, enquanto que as greves gerais por categoria diminuíram.

Podemos então afirmar que a critica e destruição do sindicalismo de estado ou corporativista é condição necessária (apesar de não suficiente) para o desenvolvimento da luta de classes no Brasil,  para a defesa efetiva dos interesses dos trabalhadores. Ao sindicalismo corporativista devemos opor um sindicalismo classista. Para defender a autonomia do movimento sindical-popular, é preciso combater o imposto sindical, a tutela do Ministério do Trabalho e todo o sindicalismo de Estado. 

A defesa da ação direta das massas) exige a defesa do sindicalismo classista (em termos de consciência e estrutura organizativa); mas exige também um método combativo (ou seja, que postule como centro a violência de massas). Assim, a mesma crítica feita a estrutura do movimento sindical, ou seja, ao seu corporativismo ligado à estrutura sindical varguista, deve ser feita aos métodos de ação sindical.

A “ação direta” exaltada no plano do discurso será anulada pela estrutura corporativista do sindicalismo e pelo método pacifista aplicado pelas direções (e façamos uma critica justa, acatado quase que sem contestações pelas bases). Quando não se aponta para um novo tipo de estrutura e organização sindical e métodos de luta das massas, a “ação direta” não passará de uma retórica vazia.Assim está mais do que na hora de fazermos uma opção real: ou adotamos a estratégia da ação direta  como forma de resistência as reformas liberais de Lula e para luta por vitórias maiores ou teremos de nos contentar com as rebaixadas conquistas corporativas. A Argentina e Bolívia dão o exemplo de que a estratégia da ação direta é única eficaz.

 

3 – O Que queremos e por qual via caminhar? Um Projeto de Poder para os Trabalhadores.  

 

         O que queremos para a sociedade e para os trabalhadores? A ruptura com o corporativismo e colaboracionismo de classes, a defesa da ação direta de massas, só faz sentido quando estabelecemos claramente um projeto de sociedade e de poder, ou seja, um programa. Porque a ação direta, o sindicalismo classista e combativo, são os meios necessários à realização de certos objetivos. Estes são os objetivos imediatos dos trabalhadores (terra, trabalho, salário, paz, liberdade de organização e propaganda) e históricos (de longo prazo), a construção de nova sociedade, em que todo o poder esteja nas mãos do povo, sem miséria, desigualdade social e exploração.  

         Para garantir efetivamente as condições de autonomia do movimento sindical-popular, que a ação direta das massas seja a via estratégica da luta, é preciso definir claramente que o objetivo dos trabalhadores deve ser construir o Poder Popular, ou seja, o poder das organizações e movimentos da classe trabalhadora, que não visam “tomar o poder político do Estado Burguês”, mas sim realizar o programa social, político e econômico da classe trabalhadora.   

         O Poder Popular é  Poder Operário (dos trabalhadores da cidade, dos sindicatos, comissões de fábrica e oposições sindicais): é o poder dos operários nas fábricas criado pela organização e luta de classes (poder de paralisar a produção e os serviços); é  Poder Camponês :- dos trabalhadores rurais e camponeses, poder de controlar a terra e a produção e circulação de mercadorias no campo através de sua mobilização; é Poder dos “Marginalizados”: os desempregados, os “excluídos”, da cidade e do campo, que por serem hoje uma imensa maioria, podem dar um caráter massivo a população; é O Poder Negro, Indígena e Feminino, o poder de garantir a autodeterminação frente as ideologias racistas e machistas, e garantir a efetiva igualdade de direitos entre povos e gêneros.  

         A política dos trabalhadores é a política de sua própria organização. O poder dos trabalhadores, é o poder de sua própria mobilização. Neste sentido, o projeto de Poder dos Trabalhadores, deve ser o projeto da construção do Poder Popular, o poder das organizações de massa, mobilizadas e em luta, que são tanto o “meio”, as ferramentas da luta, mas também o “fim”, o objetivo, da própria luta. Construir as organizações da classe trabalhadora, e aumentar o poder destas, como únicas capazes de realizar uma transformação real na sociedade. O Poder Popular é a expressão do processo de construção dos órgãos de “duplo poder na sociedade” na sociedade capitalista; o poder proletário em contraposição ao poder burguês.  

A construção Poder Popular é um processo que se inicia com as lutas reivindicativas e imediatas dos trabalhadores. Neste sentido, as reivindicações econômicas tem um conteúdo político. E por isso é preciso indicar um programa reivindicativo, materialista, capaz de mobilizar as massas operárias, camponesas e marginalizadas:  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3– O Caráter da Nova Organização dos Trabalhadores: a CONLUTAS e seu papel. 

 

         Neste sentido, quando visualizamos o CONAT dentro da conjuntura, e dentro do processo de luta de classes no Brasil, podemos dizer que suas tarefas deveriam ser a de colocar em debate não somente a discussão da criação de uma nova “central” de organização e luta do proletariado, distinta da CUT, mas a formulação de um projeto de poder, de um programa reivindicativo, e de uma outra concepção de movimento sindical-popular.

         Assim, a construção da CONLUTAS, para que possa avançar no sentido de uma ruptura efetiva com o governismo e com o corporativismo, terá de observar alguns pontos fundamentais. O primeiro deles é a necessidade de uma central da classe trabalhadora, que reúna os trabalhadores da cidade e do campo, os desempregados e os marginalizados, e não somente os “trabalhadores formais”. Este é um aspecto fundamental.

É preciso dizer que esta posição se fundamenta em duas razões:

1º) uma central exclusivamente sindical excluiria a “massa de marginalizados” no sistema econômico capitalista (empregados, sub-empregados), centrando-se basicamente no proletariado industrial e no proletariado do comércio/serviços. O que é inaceitável para um país em que a maior parte da sua população economicamente ativa se encontra em tal situação de marginalização;

2º) esta organização além de  não ser ampla, favoreceria o aprofundamento do fracionismo dentro do proletariado, que poderia ser aproveitado pelo oportunismo e pelas “aristocracias operárias” para criar um modelo coorporativista que rapidamente degeneraria e deixaria de ter a função que a luta anti-governista e a luta de classes em geral exige.

Uma Central de Classe, no sentido que nós defendemos, combate o fracionismo imposto pela burguesia, articulando todas as frações do proletariado existentes  (campesinato, proletariado rural, proletariado industrial, proletariado do comércio/serviços, proletariado marginal) na base de um programa comum, opondo a ideologia corporativista burguesa o classismo proletário). E não basta defender esta proposta de forma abstrata, mas sim desenvolver políticas para que as próprias bases atuem no sentido de mobilizar as diferentes frações de classe d proletariado.  

O outro aspecto fundamental é o caráter da organização interna: a burocratização e verticalização dos processos de decisão, ao “substituísmo burocrático”, precisamos opor uma “Democracia Federalista”, ou seja, que combine  a centralização na ação, com autonomia de discussão, o caracter de massas do movimento, priorizando as assembléias e não as articulações de cúpula. Esta organização democrático-federalista se fundamenta:

 

1) na organização “de baixo para cima” e da “periferia para o centro”, ou seja, as decisões e direção coletiva, participação constante base-direção, equilíbrio de poder e coordenação da autonomia local com as funções diretivas das instâncias centrais.  

2) na direção coletiva, ou seja, os dirigentes, delegados e demais representantes dos trabalhadores devem ter mandatos imperativos, quer dizer são eleitos para cumprir as deliberações das assembléias e instâncias decisórias coletivas dos trabalhadores, e não para tomar decisões em seu nome; revogabilidade dos mandatos, ou seja, os dirigentes e demais representantes devem ficar sob permanente controle e fiscalização das suas bases, que podem retirá-los de suas funções a qualquer momento, para evitar a ossificação de dirigentes, e sua transformação em burocratas.  

 

A articulação da estratégia da ação direta (que é a única estratégia adequada ao projeto de poder popular) com o programa reivindicativo que atende as necessidades das massas, se complementa na concepção de um movimento sindical classista e combativo, e com o caráter de uma central de classe e democrática-federalista. Estes são os elementos fundamentais, segundo nosso entendimento, a serem levados em consideração pelos trabalhadores em suas assembléias e plenárias. Sem um claro projeto de poder, um claro programa, e uma concepção de movimento e estrutura organizativa adequada, não conseguiremos cumprir as tarefas necessárias – tanto para lutar contra as reformas liberais  em curso, quanto para luta por uma nova sociedade.

 

 

 

Lutar para Organizar, Organizar para Lutar!

Rumo ao Poder Popular !!!

 

 

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