As tarefas imediatas dos servidores federais:
Transformar as lutas econômicas setoriais em luta
política global contra o governo Lula.
Comunicado
da UNIPA – União Popular Anarquista.
Número
27, janeiro de 2008.
1- Crescimento e crise econômica.
O ano de 2008 teve início com alguns fatos significativos
na conjuntura nacional e mundial. Em primeiro lugar, confirmou-se a nossa
análise realizada em 2007, que indicou que estavam dadas as condições objetivas
para a retomada do crescimento econômico no Brasil.
Ao mesmo tempo, a recessão econômica nos EUA, provocada pela crise do sistema
imobiliário e financeiro, ameaça ter repercussões na economia latino-americana
e brasileira, podendo retardar ou diminuir o ritmo do crescimento. O anúncio do pacote econômico do governo Bush, reduzindo
impostos e visando manter o consumo, apenas confirma o que as analises já
haviam indicado.
A mini-recessão norte-americana não terá possivelmente um
efeito estagnador em escala global. Isso porque existem
diferentes mecanismos de gestão da crise e as econômicas européias e chinesas
estão mais fortes. A crise atingirá o Brasil especialmente se afetar o preço das commodities.
No
cenário nacional, um acontecimento marcou os últimos meses: a luta entre o Governo
Lula e sua oposição de direita, em torno da aprovação ou não da CPMF. A derrota
do Governo Lula, mudou sua estratégia até então sustentada para a negociação
com os trabalhadores do serviço público federal. O Governo Lula, argumentando
que a extinção da CPMF diminui o volume de recursos, paralisou as negociações
salariais e a aplicação de certos acordos de greves (de 2007).
Esse
acontecimento pode abrir campo para uma jornada de lutas importante entre os
servidores federais, com efeitos multiplicadores sobre o conjunto da classe
trabalhadora. Nesse sentido, a as possibilidades de crescimento e crise devem
ser analisadas com atenção. Os reformistas brasileiros de diferentes correntes
esperam que uma “crise do capitalismo” provoque mobilizações espontâneas da
classe. Os reformistas ficam então na esperança ingênua de que a crise do
capitalismo resolva a crise do sindicalismo, ou então ficam atônitos diante de
um crescimento que achavam somente ser viável pelas suas formulas
intervencionistas.
Para
romper com esta estratégia fatalista dos reformistas, que tem conduzido a
classe trabalhadora brasileira a sucessivas derrotas, é preciso entender que a
crise do sindicalismo e dos trabalhadores no Brasil tem de ser resolvida pela
mudança nas estratégias e formas de ação da própria classe. E que diante
de crise ou crescimento capitalista é preciso e possível fazer a luta de
classes.
2 – As contradições do
sindicalismo brasileiro: corporativismo das bases, centrismo
na direção da CONLUTAS.
É necessário fazer um balaço da luta dos servidores públicos federais. Nos
últimos anos (2005, 2006, 2007) várias categorias dos servidores públicos
fizeram greves simultâneas, mas isoladas, que sofreram derrotas sistemáticas,
com raras exceções. A experiência de 2005 já possibilitava uma maior
articulação e preparação de uma greve geral e lutas unificadas para o período
2006-2007, o que não aconteceu. Em razão não somente da ação de sabotagem dos
setores governistas, mas também das contradições das bases dos servidores e da
política centrista e frentista da direção da CONLUTAS.
No último ano, isso ficou claro, nas greves da FASUBRA e
CONDSEF, que não conseguiram negociar reajustes salariais, apenas planos de
carreira. Entretanto, mesmo tais acordos rebaixados estão sob ameaça de não
cumprimento, por conta da não aprovação da CPMF. As greves corporativistas e
setoriais foram à principal estratégia do setor governista, comandado pela CUT,
para desorganizar a luta e resistência dos trabalhadores.
Entretanto, é preciso indicar que a CONLUTAS deveria ter
preparado uma intervenção nos fóruns e plenárias setoriais dos sindicatos
nacionais, mas não o fez. A UNIPA vem defendendo ao longo de 2006-
O ano de 2007 deveria ter sido um ano de acumulo
organizativo para os servidores públicos federais, mas não o foi. A política da
CONLUTAS deveria ter sido promover a unificação das lutas dos servidores pelas
bases, fortalecendo uma oposição combativa na FASUBRA e CONDISEF, quartéis
generais da CUT. Entretanto, estiveram mais preocupados em fazer composições
com setores governistas (especialmente a Intersindical), e ficando a reboque de
setores do PSOL (como o decadente Vamos a Luta da
FASUBRA, que se confunde cada vez mais com os governistas).
A proposta da UNIPA era preparar a unificação das lutas dos
servidores pelas bases, através do fortalecimento da CNESF e convocação de uma
greve geral dos servidores. Essa política não conseguiu ter repercussão na
CONLUTAS, e muitas categorias ainda estiveram presas as suas contradições
corporativistas e a apatia.
Por isso, o ano de 2008 tem início com condições objetivas
favoráveis para a luta unificada dos servidores, mas devido à completa desorganização
e lentidão do setor conlutista, conseqüente da
política centrista imposta pela sua direção, a
possibilidade de uma greve unificada é quase nula. As campanhas e mobilizações
começam a ser realizadas, sem estratégia e direção política e combativa
definidas.
Entretanto, é tarefa dos militantes combativos das bases
sindicais dos servidores federais, da CONLUTAS e mesmo dos partidos
reformistas, reconhecer tais contradições e trabalhar
politicamente para superá-las. É uma política desse tipo que defendemos.
3 – As ações necessárias: fazer as lutas econômicas
setoriais, organizar a luta política geral.
As primeiras plenárias nacionais e atos regionais das
entidades dos servidores federais começarão a ser realizadas a partir de janeiro-fevereiro.
É preciso então ter uma política capaz de agrupar as entidades e ativistas de
bases que querem fazer as lutas econômicas e políticas dos servidores.
É
preciso em primeiro luar organizar Fóruns/Comissões/Comandos, de Luta e de
Base, nas quais possam tomar parte sindicatos, oposições e ativistas que
estejam dispostos a encaminhar a luta. Essas organizações intersindicais
de base devem atuar dentro das Assembléias Locais, Plenárias Setoriais e
plenária da CNESF para combater os governistas (que inclusive desejam sepultar
a CNESF).
A
partir desses fóruns, devemos construir uma estratégia comum, capaz de unificar
o máximo possível as lutas setoriais e
econômicas, fazendo com que ganhem um caráter de luta política contra o
modelo econômico imposto pelo Governo Lula. No atual momento, é fundamental
constituir uma oposição classista e combativa nas bases da CONDISEF e FASUBRA,
que sejam capazes de disputar a direção política das lutas com o campo cutista-governista.
A
bandeira unificada deve ser a do reajuste salarial linear para todas as
categorias, agregando-se às pautas especificas. Devemos dar inicio a um
trabalho de reorganização e acumulo organizativo nos movimentos dos servidores
federais. As lutas setoriais devem ser usadas como espaço de formação das
condições de convocação de uma greve geral contra o modelo econômico e o
governo.