Só a luta classista pode levar à vitória os Profissionais de Educação!

 

Comunicado Nº 20 da União Popular Anarquista - UNIPA
Maio de 2007

 

Os profissionais da educação iniciaram o ano de 2007 sem motivos para comemorar. Ao contrário, nos vemos em uma situação das mais lamentáveis dos  últimos anos. São 11 anos sem reajuste salarial e recebemos do atual secretário de educação, Nelson Maculan, a notícia que o governo só poderia conceder 6% de reajuste que só começará a ser pago em outubro e dividido em 6 vezes. A falta de condições dignas de trabalho também faz parte da nossa realidade, como as salas super lotadas e sem ventilação, a carência de funcionários e professores indispensáveis para a garantia de uma educação de qualidade para a população pobre e trabalhadora que utiliza tal serviço. A indignação da categoria vem aumentando, mas somente isto não basta para construímos um movimento realmente combativo que pressione o governo estadual e nos dê vitórias reais e significativas.

No ano passado, a rede estadual de educação iniciou uma greve no mês de março que durou aproximadamente 40 dias. A reação do governo foi de total indiferença. Por isso, devemos fazer uma reflexão acerca dos acontecimentos do ano passado na preparação de nossas lutas e mobilizações ao longo deste ano. Em primeiro lugar, não conseguimos nenhuma vitória no ano passado, mesmo com a greve de 40 dias. Houve corte de ponto e até hoje não tivemos nenhum abono dos dias descontados. Essas derrotas, devem ser analisadas a luz de uma perspectiva materialista e revolucionária que possa contribuir para a construção de um movimento grevista combativo e que vislumbre vitórias para o conjunto dos trabalhadores do serviço público estadual.    

O conjunto das direções do Sepe, com exceção de pouquíssimos militantes ainda sinceros e combativos, não construiu  a greve com o intuito de ganhar aquilo que reivindicávamos. Alguns episódios ilustram de forma objetiva nossa análise.  

No dia 28 de março, vários diretores do Sepe, que representavam as forças políticas do campo da esquerda, que hoje compõem a direção central, fizeram o papel policialesco de retirar das pistas do Palácio Guanabara, parte da categoria e vários estudantes que tentavam pressionar a ex-governadora,  Rosinha Garotinho, e seu secretário, Cláudio Mendonça. Neste episódio, um professor e também  militante do núcleo de São Gonçalo tentou intimidar com agressões verbais um estudante da Ação Direta Estudantil,­­ que em solidariedade a professores e funcionários, também ocupou as pistas do Palácio Guanabara. A polícia militar não precisou, desse modo, desempenhar seu papel, que é o de reprimir os trabalhadores, a própria direção se incumbiu de fazê-lo. O efetivo da PM presente era baixo, dada a quantidade de manifestantes no ato, cerca de 3000 pessoas. Tudo indica que houve acordo prévio entre o comando da PM e a direção central do Sepe. A PM evitava entrar em confronto, e cobrava dos integrantes da direção uma postura frente à categoria e aos estudantes que ocuparam as duas pistas. Diante disso, a posição da direção foi fazer um “arrastão”, de forma autoritária e truculenta, contra os manifestantes. Em seguida foi feito um cordão de isolamento para que estes não voltassem para a pista.          

 Novamente, em 12 de abril, em outro ato unificado com as categorias do Funcionalismo Público Estadual em greve (DESIPE, FAETEC, Polícia Civil e UERJ), no Palácio Guanabara, o comando de mobilização de nosso Sindicato deu demonstração da falta de respeito que têm pelas bases que enfrentaram sozinhas a tropa de choque da PM. Passamos a tarde inteira em frente ao Palácio e éramos em torno de 4000 manifestantes. A comissão de negociação foi recebida por um assessor de gabinete da ex-governadora,  que disse não poder atender nossas reivindicações e deu a ordem para que fôssemos embora. E foi exatamente o que o comando de mobilização do Sepe fez, se retirou com o carro de som e acompanhou de longe o enfrentamento entre manifestantes e a tropa de choque. Alguns pouquíssimos militantes das direções de núcleo retornaram e ficaram ao nosso lado, demonstrando o que é de fato solidariedade de classe.  

No dia 17 de abril, ocupamos o gabinete do ex-secretário de educação, Arnaldo Niskier, que substituiu Cláudio Mendonça. Neste dia, estava agendada uma audiência do Secretário com o Sepe. Ao sabermos que tal audiência tinha sido cancelada por puro capricho do secretário, uma militante da UNIPA e  alguns simpatizantes propuseram que a categoria permanecesse no rall do gabinete até que o secretário nos recebesse.  No entanto, a direção central  aceitou a sugestão de Niskier que disse que receberia a comissão de negociação no dia seguinte, no horário de nossa assembléia, sem a participação da base da categoria. Os militantes do campo da esquerda reformista ainda argumentaram que a marcação da nova audiência tinha sido uma vitória do Sindicato “graças à intermediação” de um deputado federal do Psol que tentava se reeleger.

Outro exemplo da ausência de uma perspectiva classista e revolucionária que oriente nossas mobilizações foi o ato do final do mês de abril com a permanência da categoria no plenário  da Alerj, após audiência pública. A ausência de uma perspectiva de luta realmente combativa e classista para o movimento fez com que algumas lideranças, acreditando na falácia da democracia burguesa, avaliassem que os Deputados Estaduais teriam algum respeito pelos manifestantes. 

As correntes de esquerda que integram atualmente a direção central de nosso Sindicato  demonstraram  não estar preparadas para enfrentar nossos inimigos de classe porque, concretamente, não acreditam que estes existam. Confiar que Picciani, Sergio Cabral, Alessandro Molon, Alice Tamborindeguy, Paulo Ramos e CIA poderiam intermediar uma negociação com a ex-governadora foi considerá-los momentaneamente nossos aliados.  Ficou provado mais uma vez que estes não são nossos aliados de classe, assim como qualquer outro parlamentar, seja de que partido for. A agressão sofrida neste dia por vários militantes poderia ter sido evitada, se estivéssemos  organizados  realmente para um ato de enfrentamento. Como tal possibilidade é sempre evitada pela forças de esquerda reformistas, nunca chegamos a estar preparados.

 Todos esses exemplos, revelam que a opção de muitos militantes históricos do Sepe pela via reformista e métodos moderados de ação, como forma de encaminhamento da luta dos trabalhadores, é equivocada. Por isso, devemos concentrar nossas forças nos atos de rua, na mobilização e ação direta de nossa categoria. Para tanto, é fundamental nossa organização nos locais de trabalho e que os núcleos e regionais realizem assembléias como forma de construir nosso movimento pela base. E para isso, é importante que haja em todos eles um comando de mobilização permanente, e não só nos momentos de greve. O comando de greve deve ser eleito nas assembléias locais e não formado por acordos entre as correntes políticas que integram as direções. Durante a greve do ano passado, foi isso o que a UNIPA propôs em diversas assembléias, mas os militantes das mais diferentes correntes políticas que coordenavam as mesas de trabalho, de forma autoritária e golpista, não  encaminhavam tais propostas nos processos de votação com medo de perder o controle e assim garantindo que o comando de greve tivesse uma orientação pelega, sem a possibilidade de encaminhar atos mais radicalizados.

Greves como a de 2006 servem às correntes que buscam projeção na disputa entre elas mesmas. Não são conduzidas para levar a vitórias! Para que uma greve seja vitoriosa  é necessário que seja encaminhada com a perspectiva do enfrentamento político!

No ano passado, nossas assembléias viraram palco para os discursos de parlamentares de diversos partidos que buscavam a reeleição,  prometendo pressionar a ex-governadora Rosinha Garotinho a nos atender.

         A greve é um instrumento histórico na luta dos trabalhadores e não pode ser utilizada como um blefe como assim desejam muitos militantes. O processo de construção de uma  greve requer  preparação. Só seremos vitoriosos se conseguirmos unificar as lutas de todas as categorias do Serviço Público Estadual  através uma orientação combativa, privilegiando a ação direta dos trabalhadores na luta contra patrões e governos.

 

Avante a Luta dos Profissionais de Educação!

Por um SEPE Combativo e Classista!

 

 

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