“Quando a unidade
é rompida sob gritos de unidade”
Construir as oposições
sindicais significa romper com o governismo
Comunicado
Nº 19 da União Popular Anarquista – UNIPA
Rio
de Janeiro, Março de 2007.
Hoje os movimentos sindical, popular e
estudantil brasileiros encontram-se sob a hegemonia do governismo, ou seja, as
maiores organizações nacionais (CUT, UNE, direções do MST, UBES) atuam no
interior da classe trabalhadora como representantes do governo Lula/PT,
defendendo e reproduzindo as práticas e os discursos petistas.
As práticas governistas no movimento da
classe trabalhadora são orientadas por dois eixos políticos-ideológicos: 1) o
colaboracionismo, isto é, a capitulação diante dos interesses da burguesia, e o
corporativismo, ou seja, a defesa de lutas isoladas das categorias e de
reivindicações exclusivamente economicistas.
Portanto, as forças governistas que
controlam as principais entidades do movimento popular-sindical, orientadas
principalmente pelas correntes do PT e do PC do B, são instrumentos
fundamentais para frear as lutas do proletariado. Os governistas conciliam com
a burguesia e fragmentam a classe trabalhadora. Por isso, são traidores da
causa proletária.
Foi nesse contexto de capitulações que
em maio de 2006, o Congresso Nacional de Trabalhadores (CONAT) aprovou a
fundação da Coordenação Nacional de Lutas (CONLUTAS) como “uma alternativa para
todos os trabalhadores”. E esse mesmo CONAT estabeleceu que é dever da CONLUTAS
“intensificar ao trabalho de construção de oposições sindicais para disputar
os sindicatos com a pelegada, seja da CUT, seja das
outras centrais pelegas” (Resoluções do CONAT, p. 19).
É explicita a determinação da CONLUTAS
para enfrentar os governistas da CUT dentro do movimento sindical, entretanto
as práticas do setor majoritário da CONLUTAS, liderado pelo PSTU, caminham na
direção contrária: no segundo semestre de 2006 o setor majoritário da
CONLUTAS-RJ articulou duas alianças com o PCdoB.
A primeira eleição foi para o Sindicato
dos Metalúrgicos da Região Sul Fluminense, onde, pela mediação do PSTU, a
CONLUTAS apoiou a Chapa 3 formada pela Corrente Sindical Classista (CSC – braço
sindical do PC do B). No material de campanha da Chapa 3 encontramos o
depoimento de Aldo Rebelo (Deputado Federal do PC do B e na época Presidente da
Câmara dos Deputados) e de Jandira Feghali (Deputada
Federal do PC do B), o que caracteriza a Chapa 3, que foi vitoriosa, como cutista, logo, governista.
O segundo caso de 2006 foi à formação
de uma chapa conjunta entre o PSTU e a CSC – Chapa 2 – para disputar as
eleições do Sintergia (Sindicato dos Trabalhadores
das Empresas de Energia do Estado do Rio e Região). Mas dessa vez o apoiou da
CONLUTAS a chapa governista contou com a oposição da UNIPA, que questionou a
aliança com o PC do B.
O debate em torno das eleições do Sintergia produziu uma resolução da CONLUTAS sobre a
política de alianças, estabelecendo os seguintes critérios para a formação das
chapas de oposição: o programa da chapa deve conter o princípio da autonomia do
sindicato em relação aos patrões e aos governos; deve se colocar contra as
reformas do governo Lula e defender um plebiscito sobre a filiação à CUT.
Esses eixos são tão genéricos que até a
Articulação Sindical (braço sindical do PT fundado pelo próprio Lula) não teve
dificuldades de concordar com eles na formação da Chapa 3 para as eleições do
Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Estado do Rio de
Janeiro (Sintect-RJ), que estão marcadas para os dias
17, 18 e 19 de abril de 2007.
O que era defendido como o resultado de
condições específicas dos metalúrgicos do Sul Fluminense e dos trabalhadores da
base do Sintergia, se mostra como uma política
deliberada de alianças com setores governistas com o objetivo de, a qualquer
custo, ganhar um espaço, mesmo que mínimo, nos aparatos sindicais.
O substrato político-ideológico dessa
“tática” é a velha mentalidade burocrática, que coloca os acordos de cúpula e
os cargos nas direções sindicais acima dos interesses da classe trabalhadora.
Essa prática político-ideológica contribui para retardar as lutas do
proletariado, pois substitui o trabalho de base pelo acordo de cúpula;
substitui a ação direta pela conciliação; substitui o sindicalismo combativo
pelo corporativismo.
A tática tem que estar subordinada à
estratégia, ou seja, se o objetivo é a construção de um sindicalismo combativo
que aponte para a ruptura revolucionária, a tática tem que ser norteada por
esse objetivo. Portanto, um sindicalismo combativo só pode ser construído com
trabalho de base e a construção da ruptura revolucionária com a ação direta.
É importante ressaltar que os acordos
de cúpula e as conciliações denunciam uma concepção de oposição sindical, que
reflete numa concepção específica da própria CONLUTAS. O entendimento de que a
oposição sindical pode ser formada por todos os setores que não fazem parte da
direção possibilita os acordos e converte a CONLUTAS num mero “emblema”, com a forma distorcida e vazio de conteúdo.
As oposições sindicais são, segundo a
concepção combativa, instrumentos decisivos de construção do movimento pela
base, de avanço da consciência da classe trabalhadora, de ruptura com a
ideologia corporativista e, hoje, com o governismo. Sem essa concepção de
oposição é impossível transformar a CONLUTAS num embrião de uma entidade
classista e combativa da classe trabalhadora.
A unidade real do proletariado é o
resultado do avanço da consciência de classe, que é forjada a ferro, sangue e
fogo na luta contra a burguesia e contra aqueles, que traindo a classe
trabalhadora, estão a serviço dos capitalistas. Hoje os servos mais fiéis da
classe dominante são os setores governistas do movimento sindical-popular.
Portanto, a unidade com os governistas é capitular aos interesses da burguesia,
porque somente a burguesia interessa a conciliação, pois significa a reprodução
dos mecanismos de dominação e exploração.
A “unidade” com setores pelegos
(governistas) não implica senão a quebra da unidade da classe. Visto que, as
táticas de luta (o sindicalismo de resultados ou corporativista)
representado pela CUT/CSC/Articulação Sindical, fragmentam efetivamente as
lutas e enfraquecem a organização do proletariado. Nesse sentido, como disse
Lênin, a “quebra da unidade” é encoberta sobre os gritos de apelo a “unidade”.
A unidade real da classe trabalhadora
(das suas lutas econômicas e políticas) se faz por meio da cisão com a
burocracia e aristocracia sindical.
Qualquer aliança com os governistas,
justificada ou não, em nome de pretensa necessidade da “unidade” da classe
trabalhadora é falsa. A atual conjuntura da luta de classes exige uma ruptura
imediata com o governismo para a construção do sindicalismo classista e
combativo.
Abaixo aos
governistas!!!
Pela construção de uma
CONLUTAS classista e combativa!!!