A luta contra as
Reformas Neoliberais é a luta contra o Governismo
Carta aberta aos
participantes do Encontro Nacional Contra as Reformas Neoliberais
Comunicado
Nº 18 da União Popular Anarquista – UNIPA
Rio
de Janeiro, Março de 2007.
A luta contra as reformas
Neoliberais é a luta contra o governismo. Essa afirmação deriva da análise
crítica das relações de classe no Brasil de hoje. É conseqüência também de um
posicionamento político classista e combativo.
O ano de 2007 começa sob o impacto de duas grandes
medidas: a iminência da implementação do Super Simples (aprovado em 2006) e a
aprovação do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do Governo Lula. Tendo,
esse último, efeitos nos próximos 4 anos da gestão Lula/PT.
Considerados em conjunto, o Super Simples e o PAC representam
uma forma disfarçada de combinar medidas de reforma tributária, trabalhista e
previdenciária. Esses são ataques diretos aos interesses dos trabalhadores.
O PAC também representa uma política de arrocho salarial.
Significa praticamente os congelamentos do salário mínimo e dos salários dos
servidores públicos.
Paralelamente, o Governo anunciou que irá “regulamentar” o
direito de greve dos servidores públicos. Essa medida deve ser vista como um
complemento ao PAC. A regulamentação proibitória visa imobilizar os
trabalhadores diante da agressão do PAC.
Nesse sentido um importante debate precisa ser travado em
torno das formas e estratégias de luta contra as reformas neoliberais. Tanto em
termos de alternativas gerais – para o conjunto do movimento – quanto
especificas – cada categoria profissional e segmento da classe trabalhadora.
Com a vitória do PT na eleição de Lula em 2002 e o
conseqüente apoio incondicional da CUT ao Governo, constituiu-se dois campos em
torno da bandeira de luta contra as reformas neoliberais no movimento
sindical-popular: a CONLUTAS e a Intersindical.
O primeiro composto majoritariamente
pelo PSTU, grupos
políticos diversos e militância sindical-popular independente, e o outro
basicamente pela chamada esquerda do PT (tendências como a APS – Ação Popular
Socialista e outras pequenas correntes).
A CONLUTAS, que se tornou uma central sindical-popular em
2006 à partir do Congresso Nacional de Trabalhadores (
o CONAT ) surge, portanto, para expressar a vontade de ruptura e de fazer a
luta.
Nesse sentido, não podemos perder de vista a idéia ou
princípio fundador da CONLUTAS: para lutar contra as reformas
neoliberais é preciso uma ruptura de organização com as entidades
e forças governistas.
A Intersindical, enquanto proposta política, expressa
exatamente uma tentativa de combater as reformas neoliberais e a política do
Governo Lula sem romper com o “governismo” - especialmente da CUT - no
movimento sindical-popular, ou seja, a constituição de um para-governismo.
Nesse sentido, há uma contradição na política adotada pelo
setor majoritário da CONLUTAS,
constituído pelo PSTU, de buscar a Intersindical para fazer uma aliança
contra as reformas: “Como parte da preparação dessa luta, a reunião nacional
da Conlutas, realizada em agosto de 2006, aprovou duas iniciativas: a
realização do seminário sobre as reformas em outubro passado e a convocação de
uma reunião com todas as organizações que estejam dispostas a organizar o Encontro
Nacional no início do ano que vem” (Carta da CONLUTAS ao Encontro da Intersindical-Dez/2006).
Essa política de alianças ambígua se manifesta também em
muitas eleições sindicais Em sindicatos importantes foram feitas chapas com a CSC/do PC do B (como no SINTERGIA-RJ) e Articulação Sindical/PT (como nos Correios / RJ). Isso mostra a
priorização da conquista de posições nas direções e não a defesa de uma
concepção política de sindicalismo combativo e revolucionário a ser construída
a partir das oposições sindicais.
As contradições dessa política poderão, cedo ou tarde,
imobilizar o potencial real de resistência da CONLUTAS e neutralizar as forças
que querem encaminhar a luta contra as reformas neoliberais.
Ao tentar “unificar” com todos os setores (inclusive
governistas e para-governistas), corre-se o risco de assimilar essa contradição
dentro da CONLUTAS, recuando suas pautas e programas. Além disso, rebaixando as
estratégias e métodos de luta.
Devemos lembrar que a própria estratégia governista da CUT
em 2003, durante a reforma da previdência, foi o de afirmar que iria lutar para “melhorar as reformas” e não para se opor a
elas. É isso que certos setores tentam fazer hoje diante do PAC.
No atual momento, a questão colocada é a da posição
política quanto ao PAC. Os setores governistas mais uma vez querem apoiar o PAC
reformando-o. Setores da Intersindical tentam colocar uma oposição pontual –
combater apenas aspectos do PAC. Ou seja, como seria possível lutar contra as
reformas neoliberais sem uma oposição enérgica contra o PAC? Como apoiar o PAC,
se este propõe perdas de direitos dos trabalhadores no sistema da Previdência Social?
Sabemos que esta idéia de crescimento como solução para os
problemas sociais é comprovadamente falaciosa. Nos países onde o crescimento
econômico alcançou os maiores índices nesses últimos anos, o desemprego e a precarização do trabalho continuaram com taxas crescentes.
Na verdade essa proposta tem como intenção favorecer aos conglomerados
nacionais nas disputas comerciais internacionais, e também aumentar os lucros
dos capitalistas e o volume das remessas de dinheiro para os megamonopólios. Não bastasse isso, essas medidas, no
Brasil, serão executadas através do confisco de cinco bilhões de dinheiro dos
próprios trabalhadores através do FGTS.
Somos nós que vamos financiar o custo
para o aumento de nossa própria exploração!?! E ainda aceitar o falso discurso
de que “o PAC é necessário”! Fora colaboracionistas!!!
Nesse sentido, a idéia de unificação com
os “setores em luta contra as reformas” é enganosa. Porque leva a
aliança com setores que não romperam com o governismo e que pela sua orientação
política, tentam separar o problema da luta contra as reformas
neoliberais do problema da organização do movimento sindical-popular.
Essa contradição do PSTU expressa também um equívoco de
orientação política: o de tentar resolver o problema estrutural do movimento
sindical-popular através de unificação de direções ou de correntes políticas,
ao invés de apostar numa reorganização geral pela base do movimento.
Portanto, para lutar contra as reformas neoliberais
devemos ter como programa mínimo: 1) ruptura incondicional com a CUT e com o
governismo; 2) defender a ação direta das massas como único meio de barrar o
PAC e as reformas neoliberais; 3) fortalecimento das bases (sindicatos de base
e organização por local de trabalho); 4) unificação das lutas das diferentes
categorias (do setor público e privado).
Abaixo o Governismo !
Pela Ação Direta de
Classe contra as Reformas Neoliberais!