Notas sobre o “Anarquismo”
de Chomsky.
UNIPA –
União Popular Anarquista - Comunicado nº16 – Setmembro - 2006
O processo político brasileiro e mais
especificamente as eleições presidenciais colocaram uma ocasião importante para
explicitar o real caráter da luta teórica entre anarquismo e revisionismo.
A imprensa brasileira
recentemente noticiou que: “Mais de 250
intelectuais de todo o mundo, entre eles o lingüista e ativista americano Noam
Chomsky, o sociólogo francês Michael Lowy, o cineasta
britânico Ken Loach e o filósofo esloveno Slavoj Zizek, assinaram um
manifesto que critica o governo Lula por ter seguido "um
típico curso social-liberal, desapontando milhões de pessoas que votaram nele
com a esperança de mudança social e política radical e pessoas do mundo inteiro
que esperavam do Brasil novo impulso à luta antiimperialista". (Chomsky,
Loach e outros intelectuais apóiam Heloísa Helena, Folha
On Line 05/09/2006).
Noam Chomsky se afirma como anarquista
– e assim é considerado e saudado – pela imprensa internacional. Como se
explica seu apoio a “candidatura” de Heloísa Helena? Em termos gerais, este
apoio explicita não somente uma contradição em geral com relação à participação
na democracia burguesa, como também a situação particular, já que a candidatura
de Heloísa Helena é tão recuada em termos de bases sociais e
programática que está aquém da candidatura de Lula em 1989 (sabe-se que
no PSOL existem setores, e os dominantes, muito próximos da Articulação do PT).
Como já apresentamos em nossos
documentos, a posição de Chomsky apenas reedita, agora de maneira clara e
indubitável, a política do revisionismo anarco-comunista. O anarquismo não é para os revisionistas uma teoria política, com meios práticos e
compromissos políticos concretos, mas uma vaga retórica que floreia
aqui o apoio a Heloísa Helena e nos EUA, o apoio a Kerry.
Dessa maneira o revisionismo de Chomsky e sua prática política apenas
comprova aquilo que já havíamos formulado teoricamente: o revisionismo
anarco-comunista é a expressão da ruptura com a
política revolucionária, ruptura que na sua forma madura se expressa no
oportunismo e seguidismo em relação ao reformismo e a
democracia burguesa.
A prática é o critério da
verdade. A prática de Chomsky, simbolizando a prática geral dos grupos anarco-comunistas, mostra sua verdade. O silencio do revisionismo e do ecletismo frente a esses fatos apenas
confirma as nossas análises quanto ao conteúdo dessas correntes.
A separação teórica e prática do
anarquismo do revisionismo é uma necessidade comprovada
pelos fatos. Outros fatos virão a reforçar a correção da nossa linha política,
da necessidade da luta teórica contra o ecletismo e o revisionismo.
Anarquismo é Luta !!!
Bakunin
Vive e Vencerá !!!