Causa do Povo
Jornal da
União Popular Anarquista – UNIPA
26 #
AGOSTO de 2006
Rio de
Janeiro - Brasil
Guerra no Líbano:
Imperialismo israelense e genocídio árabe
O
mês de julho foi marcado pela sanguinária ofensiva do Estado de Israel contra o
povo árabe no Líbano. Assistimos a um genocídio que já deixou mais de 700
vítimas, a maioria civis,
segundo dados das agencias internacionais, o que significa que
tais números podem ser ainda maiores.
Os bombardeios à capital libanesa,
Beirute, destruiu centenas de escolas,
hospitais e residenciais, deixando milhares de desabrigados. Os navios de
guerra israelense bloqueiam o litoral do Líbano e as principais estradas de
acesso à capital foram destruídas. O motivo alegado pelo governo israelense
para a deflagração da guerra foi o
seqüestro de dois soldados israelenses pelo grupo guerrilheiro xiita Hezbollah, como retaliação pela ocupação e massacre
provocados na Faixa de Gaza pelo exército de Israel.
Segundo organizações de defesa dos
direito humanos, o exército israelense está usando bombas de fragmentação. Armas desse tipo são
somente usadas para causar um número de vítimas maior, pois são extremamente
imprecisas e o controle sobre sua detonação é muito menor, principalmente
quando usadas em áreas civis. O objetivo dessas munições é que os fragmentos
explodidos atinjam áreas muito maiores do que a explosão em si, aumentando a
quantidade de feridos. Outra notícia confirmada por essas organizações é que as
crianças libanesas mortas mostram evidências do uso de fósforo branco pelo
exército israelense. O fósforo branco é um armamento ilegal que corrói a pele
até os ossos, sem deixar qualquer chance de vida e pouco se sabe da sua
evolução após a Guerra do Vietnã, quando se tornaram proibidas.
O Hezbollah,
que significa Partido de Deus, tem representação no parlamento e no governo do
Líbano. Há anos o Hezbollah criou uma rede de
serviços assistencialistas ao povo pobre libanês. A quase
totalidade das escolas e hospitais do sul do país foram construídos e
são controlados pelo Grupo. Sua presença
na região e o auxílio que presta à
população, garantiram ao Hezbollah reconhecimento e
apoio em todo o Líbano.
O resgate dos soldados foi apenas um pretexto do Estado de Israel que visa na verdade dar fim à toda forma de resistência militar no Oriente Médio e à luta antiimperialista na região promovida por grupos armados como o Hammas, na Palestina, e o Hezbollah, no Líbano. A intenção de Israel é aumentar seu domínio no Oriente Médio com a ocupação de novos territórios com a ajuda dos Estados Unidos, principal articulador da criação do Estado de Israel, no final da Segunda Guerra, em 1948. Atualmente, os EUA concedem aos israelenses 3 bilhões de dólares de ajuda humanitária. Em razão de receber a doação americana, Israel destina bilhões de dólares à compra de armamentos, quase exclusivamente nos EUA, movimentando a poderosa indústria bélica americana. Os russos também se beneficiam com as guerras no Oriente Médio, vendendo armas às milícias árabes.
As ações anti-sionistas do governo
Israelense que promove o massacre de milhares de árabes, além de contarem com o
apoio norte-americano também se beneficiam com a conivência da ONU e dos países
centrais, que dizem só lamentar a situação e não visam impedir o verdadeiro genocídio provocado pelos judeus
israelenses.
É
preciso reconhecermos também as limitações do
fundamentalismo islâmico no processo de libertação de todo o povo árabe. O
imperialismo só será derrotado através da revolução social, que livrará todos
os povos oprimidos das garras da burguesia internacional e dos estados
imperialistas. Da mesma maneira que Bakunin afirmou em sua obra Estatismo e Anarquia que os povos eslavos só
alcançariam a liberdade aderindo à causa do proletariado, o mesmo se
aplica à situação das populações árabes
hoje. É de nossa luta que virá nossa libertação, mas é
fundamental que todos os povos em luta tenham uma perspectiva classista e
revolucionária que impulsione suas ações ou ficarão sempre reféns de projetos
políticos autoritários de grupos fundamentalistas, como é o Hezbollah.
Só através da luta pelo socialismo é que poderemos vislumbrar nações
verdadeiramente livres.
Abaixo
o imperialismo no Oriente Médio!
Pela
União de todos os Povos
Oprimidos! Pela Revolução Social!
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Um
passo em frente? Percalços da luta depois do CONAT...
Entre
2004 e 2006 importantes processos aconteceram na sociedade brasileira. No
segundo ano do Governo Lula, o movimento sindical-popular começou a desenvolver
uma política mais consistente de oposição ao Estado gerenciado por Lula e o PT.
Isto evoluiu para o movimento de ruptura com a CUT e a tentativa de construção
do que viria a ser a CONLUTAS (Coordenação Nacional de Lutas).
Desde
julho de 2004 nós tínhamos traçado uma estratégia clara e definida para
intervenção na luta de classes dentro da conjuntura, indicando que ela abria
possibilidades interessantes para o fortalecimento da estratégia da ação
direta (ver Comunicado da UNIPA nº 01,
Julho 2004). Em 2005 traçamos os objetivos estratégicos da nossa intervenção:
1) a liquidação da presença governista no movimento popular e sindical; 2) o
desgaste dos partidos reformistas e a expansão das áreas de influência das
organizações revolucionárias; 3) a construção de novas ferramentas de luta do
proletariado, ou seja, de novas organizações populares e sindicais, fundadas
sobre a estratégia da ação direta, e sua expansão; 4) combater as reformas
liberais - sindical, trabalhista e etc –
(Ver Comunicado nº 6 Março/2005).
Desde
então estamos intervindo nos sindicatos e entidades estudantis que
participamos, assim como nas coordenações estaduais e
nacional da CONLUTAS tentando colocar nossa posição em disputa. Em maio
de 2006 foi realizado o CONAT (Congresso Nacional dos Trabalhadores), que
reuniu cerca de 2500 delegados e definiu pela formação de uma “nova central”,
que pudesse servir de pólo de aglutinação e oposição à CUT, ao Governo Lula e
de maneira geral às reformas liberais. A questão que se coloca hoje é: o
CONAT e a formação “oficial e política” da CONLUTAS representa um passo em
frente para a classe trabalhadora?
Para responder a essa questão, mesmo que rapidamente, devemos
analisar o processo de preparação do CONAT e também sua dinâmica interna. A
preparação do CONAT, os debates nas bases foram deficientes. Não ocorreram
plenárias amplas e ativas, porque não houve uma iniciativa sistemática nesse
sentido. O debate foi então frágil. Isto se refletiu no próprio CONAT. A
“crise” gerada no CONAT entre a mesa e setores do plenário, ou entre a corrente
hegemônica (o PSTU) e as múltiplas oposições minoritárias refletem de um lado a insuficiência do debate
político, e de outro, a dificuldade em administrar a disputa política de forma
efetivamente democrática. (a
Carta aos Delegados do CONAT/Maio 2006, documento
assinado pela UNIPA e inúmeras outras organizações políticas e sindicais faz
uma critica nessa direção).
Nós
já havíamos feito considerações acerca do papel e do destino da CONLUTAS (ver Comunicado nº09/ Setembro 2005) afirmando que “a CONLUTAS será
possivelmente, uma alternativa para
romper com o governismo, mas não se constituirá numa
central de tipo sindicalista revolucionária, ou seja, que rompa com o modelo
corporativista.” É nessa
contradição que reside a força da CONLUTAS, na disputa real entre reforma e
revolução dentro do campo anti-governista.
Na realidade, a formação da CONLUTAS
representa sim um passo em frente. Observando o programa e o documento de concepção política deliberada
pelo CONAT (os artigos 5º, 6º e 7º afirmam a independência de classe, a ação
direta e a democracia operária como eixos básicos da sua organização; a resolução sobre o caráter da
CONLUTAS indica a necessidade do trabalho junto aos setores organizados e não
organizados da classe, incluindo o proletariado marginal).
Existe outro aspecto importante que qualquer um que não seja cego vê:
as palavras de ordem da CONLUTAS conseguiram ecoar no movimento
sindical-popular: ao total, foram 529 delegações de todo
o país. Desses, 52 foram da região Norte; 113, do Nordeste; 32, do
Centro-Oeste; 236 do Sudeste; e 96 da região Sul.Os delegados eleitos nas
assembléias de base foram 3.542. Compareceram ao congresso 2.729. Já os
observadores presentes foram 235, e os convidados, 208. Estiveram em Sumaré, ao
todo, 3550 pessoas e estavam representados formalmente 1.771.000 trabalhadores,
estudantes e participantes de movimentos sociais da base (ver Resoluções do
CONAT). Ou seja, o CONAT teve uma representatividade no movimento nacional.
Mas o problema é que um passo isolado não
leva a lugar nenhum. Ainda mais quando estamos participando de uma “corrida”
com vários adversários. Depois da formação da CONLUTAS, ainda falta o trabalho
principal: construção e consolidação na base. A CONLUTAS vem enfrentando
dificuldades de enraizamento e afirmação nos estados
e nas categorias profissionais. O problema de organização e finanças é o
produto de uma real falta de compreensão e adesão ao projeto político que estão
nas Resoluções do CONAT, como admite a Coordenação Nacional no documento “Uma discussão necessária sobre organização
e finanças da Conlutas”, de Julho 2005.
As dificuldades enfrentadas após o
CONAT provam que nossa avaliação sobre a precariedade dos debates
preparatórios, e a forma equivocada de enfrentar a disputa política (com
votações à toque de caixa, manipulações de mesa,
alterações de decisões) não resolve o problema da construção efetiva de um
movimento de massas capaz de lutar contra as reformas liberais que estão por
vir. Assim, apesar de termos dado um passo à frente, podemos
ficar para trás (caso não tenhamos a coragem de dar os demais passos
necessários no ritmo exigido), pois a história anda a passos largos. Trata-se
hoje de unificar as lutas econômicas e políticas (as campanhas salariais,
datas-base, luta contra as reformas);
criar instâncias de coordenação inter-sindical
efetivas e democráticas. Trata-se então de colocar em prática uma linha
política efetivamente classista para o trabalho na luta sindical e
popular.
Precisamos
fazer prevalecer aquilo que o CONAT deliberou no cotidiano local de cada
categoria profissional; fazer prevalecer ação direta e não “o eleitoralismo burguês”; a organização por local de trabalho, a democracia operária e objetivo real de combater as reformas liberais. Se não dermos estes passos adiante, seremos obrigados a dar muitos passos
à retaguarda.
Unir a
Classe Trabalhadora! Todo Poder para o Povo!
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Denúncia
à frente de esquerda
Não temos a ilusão de que as eleições
sejam o caminho para mudanças na vida do proletariado e por isso mesmo é
importante estarmos posicionados frente à partidos
(forças), que se coloquem como “alternativa” para os trabalhadores e participam
da via democrático-burguesa. A dita “Frente de esquerda” composta por PSOL,
PSTU E PCB vem apresentando cada vez mais sua verdadeira face e com isso
demonstra que suas propostas e projeto político não passam de oportunismo,
reformismo e recuo no caminho da luta dos trabalhadores. No último dia
27/07/2006, o candidato a vice presidência de Heloísa Helena,
César Benjamin (PSOL) deu entrevista ao Folha de São Paulo e demonstrou
posicionamentos que vão desde o não rompimento com a burguesia até uma tímida
proposta de possibilidade de duplicação do salário mínimo a longo prazo. O
candidato não apontou para o rompimento com as dívidas externa e interna, pois
apenas defendeu uma auditoria, nem mesmo apontou a retirada da Vale do Rio
Doce das mãos dos empresários.
O que pudemos ver é que nem as iniciais
afirmações da “Frente de esquerda”sobre ruptura com o
pagamento das dívidas externa e interna e aumento imediato de salário mínimo
são realmente sustentadas. Apesar de existirem diferenças internas e críticas
dos partidos coligados ao PSOL, este vem sustentando essa política, visando as eleições. Com isso vemos que essa “Frente” ronda apenas o
campo do reformismo, do desenvolvimento social na economia capitalista.
O reformismo é nocivo à organização
autônoma dos trabalhadores, pois pretende submeter suas lutas aos interesses
eleitoreiros dos partidos e, como afirmava Bakunin, a “tática eleitoral” leva
os partidos adeptos dela ao oportunismo e à contra-revolução, pois subordina o
proletariado à política burguesa. Portanto o reformismo afasta o proletariado
de sua luta por emancipação, para cada vez mais servir aos interesses da
burguesia e do imperialismo através do acorrentamento pelas forças econômicas
do capitalismo.
Essa “Frente de esquerda” se apresenta
como um atraso na construção da luta dos trabalhadores. E nesse momento é
importante para o proletariado poder fazer a escolha entre participar do jogo
da burguesia ou construir a luta concreta por sua emancipação, ou seja: pela Revolução Social.
O que precisamos neste momento é atuar
no sentido da ruptura e destruição do governismo no
interior do movimento popular, de denunciar essa política do reformismo de
transigir sempre que possível com a burguesia. É hora de construir novas ferramentas de luta.
Devemos defender em todos os espaços de atuação as propostas que combinem a luta político-ideológica
com a luta reivindicativa:
Construir
o sindicalismo classista e combativo, contra o corporativismo e primando
pelo método da ação direta.
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Boicote
às eleições burguesas!!
Novamente estamos em ano de eleições. E
não podemos nos calar frente a este momento da farsa democrático-burguesa.Os
partidos burgueses e reformistas já apresentaram suas candidaturas e mais uma
vez o povo é atacado, pela nociva idéia de que é possível travar alguma luta em
seu favor no campo das eleições. Nosso dever como lutadores do povo é o de
afirmar que a emancipação dos
trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores, e portanto, devemos
indicar que os resultados das eleições não afetarão nem o REGIME ECONÔMICO (liberal) nem o
MODELO ECONÔMICO (agroindustrial-exportador) constituído no Brasil, apesar da disputa eleitoral poder representar
diferentes estratégias políticas e macroeconômicas, defendidas pelos diferentes
partidos eleitoreiros.
O que é importante para a luta dos
trabalhadores é perceber que este momento não pode afastar o povo de sua luta
real, que não é pedir votos ou votar, mas sim preparar hoje as condições
necessárias para a formação de um movimento revolucionário amanhã. Construir
uma verdadeira alternativa, que não se dará no campo das eleições burguesas,mas sim fortalecendo o trabalho local nas escolas,
fábricas, periferias e no campo, mesmo que em pequenos grupos, pois este
trabalho se torna fundamental para desgastar o reformismo, combater o governismo e fortalecer a proposta socialista e
revolucionária.
Devemos realizar um boicote à burguesia e não participar de
seu jogo sujo. Por isso não devemos votar, mas sim lutar para que o povo esteja
na direção de suas lutas, apresentando um programa reivindicativo que atenda às
suas necessidades. E isso ninguém poderá fazer em seu lugar. Nenhum governo
poderá fazer isso pelo povo. Porque políticos no poder são todos iguais, e só
através da luta real é que o povo alcançará seus objetivos, a liberdade e a
justiça.
Não
Vote, lute!
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Primeira Plenária Estadual Pelo Voto
Nulo
Dia:17/08/2006
Horário: 19:00H
Local: Conlutas / RJ - Rua
Teotônio Regadas, 26/601 - Lapa (Próximo à sala Cecília Meireles)
Convocação: CPR, OMP, UNIPA e LBI
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