ANTROPOLOGIA – O QUE É?
● Antropologia – Antropo = Homem
Logo (gia) = Estudo; ciência
- Antropologia – Estudo do Homem – ontem, hoje e no futuro.
● Áreas de conhecimento antropológico:
1. Antropologia Física: estudo do homem através de sua evolução física – surgimento na natureza, fisionomia (aspecto), fisiologia (capacidades como ser – pensar, fazer, reproduzir-se), transformações (inclusive no futuro). Ligação com ciências biológicas e médicas.
2. Antropologia Cultural ou
Cultura: conjunto de significados, valores e regras de comportamento no grupo. Determinado historicamente.
Existem muitas culturas; cada
grupo de indivíduos humanos est
Importante: a Antropologia Cultural quer estudar como esses valores são criados a partir de “fatores” históricos presentes na relação com a natureza e com os outros homens em termos de sobrevivência, e não exatamente as implicações e conseqüências sociais desses valores e condutas dos indivíduos em grupo – Sociologia.
3. Antropologia de Vestígios ou <Arqueologia: estudo do homem através dos “vestígios” do passado que revelam sua forma de ser e viver – social, cultural, econômica, religiosa e política.
Vestígios: todas as coisas que revelem o passado – pintura, escrita, arte, monumentos, utensílios (objetos de uso cerimonial e pessoal, roupas, adornos, cerâmicas, louças, etc.).
4.
Antropologia Legal ou do Direito: estudo do homem enquanto “ser
normativo”, ou seja, a utilidade e eficiência das regras de conduta a partir do
conjunto de mecanismos culturais que cada grupo est
Contribui para esta especialidade, mais moderna, século XX, todos os outros ramos de Antropologia e mesmo as demais ciências humanas.
Importante: a Antropologia Legal reconhece a necessidade valorativa de normas e regras de conduta sem necessidade de formalização escrita ou de um sistema necessariamente complexo e diferenciado, burocrático e estatal. Pó isso Legal ou de Direito e não Jurídico.
● Normalmente a Antropologiia é conhecida pela dedicação maior dos antropólogos ao estudo de povos, culturas e civilizações “passadas” e “exóticas”. E isto se deve muito à Arqueologia, uma das formas mais antigas e comuns de se fazer chegar até nós o conhecimento da história e vida dos povos antigos. Dizemos “civilização” só quando se produziu uma cultura que perdurou por muitos séculos e foi seguida por muitos indivíduos e povos (Ex.: Mesopotâmia, Egito, Astecas, Maias, Grécia, Roma, China, Ocidental Cristã, Oriental Islâmica, etc.).
● Uma outra forma bastante conhecida de se fazer Antropologia é através do estudo de outras culturas, principalmente de povos isolados e afastados da cultura ocidental, não só os mais complexos ou diferenciados, mas aqueles que se apresentam de forma bem rudimentar e simples ou primária.
Importante: Rudimentar ou simples, ou primário, não significa selvagem, primitivo ou incivilizado, nem mesmo não desenvolvido, pois cada grupo humano deve ser visto de forma a se respeitar a diversidade e opções de vida, bem como os fatores que se apresentam a condicionar os valores e as estratégias de vida próprias.
O melhor é nos referirmos a sociedades e culturas mais complexas e menos complexas e mais diferenciadas e menos diferenciadas, sendo as menos complexas e diferenciadas chamadas de primárias por usarem um arsenal de instrumentos de sobrevivência que não possuem tecnologia elaborada e refinada (como a indústria, por exemplo).
● Este estudo de outros povos e culturas, com o intuito de compreender uma certa evolução do homem enquanto gênero, passa, obrigatoriamente, pela comparação entre os aspectos físicos e culturais dos homens – chama-se Antropologia Comparada: tentar compreender nossa cultura e leis a partir da formação mais primária e menos diferenciada de outros povos. A partir do final do século XIX os antropólogos fazem esses estudos vivendo no meio dessas sociedades distantes e isoladas.
● Quando estudamos uma outrra cultura podemos ter vários objetivos em relação a esses outros povos: 1. Explorá-los - visão pragmática; 2. Entendê-los para entender a sociedade do pesquisador – visão científica; 3. Protegê-los, sabendo do inevitável contato e absorção por civilizações mais “predadoras” (a nossa, por exemplo) – visão romântica. Pode existir, evidentemente, visões fundidas, normalmente conflitantes, no contato que se faz com esses outros povos.
Nos séculos XVI, XVII e XVII, as potências ultramarinas européias usaram os primeiros estudos antropológicos com vistas mais a explorar os nativos dos territórios recém-descobertos ou conquistados, como no caso das Américas, da África, da Oceania e mesmo da Ásia. Participaram desta empreitada, países como Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda.
Muitas vezes, esses interesses comerciais se mesclaram com uma certa visão “missionária”, no sentido de que a Igreja deveria estender seu domínio aos povos recém-descobertos catequizando-os como parte da missão de lhes trazer uma certa civilização e tirá-los da condição de selvagens. Excepcionalmente, esses interesses religiosos se chocaram com interesses mercantis (mercantilismo), por exemplo, no caso de Portugal onde os missionários jesuítas foram proibidos de catequizarem os indígenas brasileiros (a proibição de Marquês de Pombal; as denúncias do Pe. Antonio Vieira). De qualquer forma, o interesse imperialista é o verdadeiro motivo inicial com que nasce a antropologia.
● Alguns Antropólogos Científicos importantes:
- Lewis Henry Morgan (1818-1881) – Americano; “A Sociedade Primitiva” (1877) – Estudo dos povos do norte dos EU, os Iroqueses. Escola: Evolucionismo.
- Bronislaw Malinowsky (1884-1942) – Polaco; “A Vida Sexual dos Selvagens” (1929) – Estudo dos aborígines da melanésia, parte oriental da Nova-Guiné, Pacífico, Ilhas Trobriand. Escola: Funcionalismo biológico.
- Radcliffe-Brown (1881-1955) – Inglês; “Estrutura e Função nas Sociedades Primitivas” (1952). Estudo dos aborígines da Austrália, do Pacífico e da África. Escola: Funcionalismo sociológico.
- Claude Levi-Strauss (1908- ) – Belga; “As Estruturas Elementares do Parentesco” (1949). Estudo comparativo de povos da Ásia, Oceania e África. Estruturalismo.
- Maurice Godelier (1934- ) – Francês; “A Produção dos Grandes Homens: poder e dominação masculina entre os Baruya da Nova-Guiné” (1982). Estudo do povo Baruya na Nova-Guiné. Estruturalismo Marxista.
- Darcy Ribeiro (1922-1997) – Brasileiro; “O Povo Brasileiro – A formação e o sentido do Brasil” (1995). Estudo dos índios brasileiros Kaapo e outros. Pós-estruturalismo – culturalismo sociológico.
- Roberto DaMatta (1936- ) – Brasileiro; “ A Casa e a Rua” . Estudo do povo brasileiro em seu cotidiano e instituições. Relativismo antropológico.