V – PRINCIPAIS ESCOLAS ANTROPOLÓGICAS
1. Escola Evolucionista - Lewis Henry Morgan (1818-1881) – Americano; “A Sociedade Primitiva” (1877) – Estudo dos povos do norte dos E.U., os Iroqueses.
Há cerca de
150.000 anos, a partir de algum lugar no centro da África, o nosso ancestral
mais próximo, o homo-sapiens, começou
a mais fantástica jornada do homem. Há cerca de 10.000 anos atrás essa jornada
terminou com os últimos imigrantes que atravessaram o Estreito de Behring (que há milhares de anos atrás unia o
Ao que tudo
indica, os primeiros homo-sapiens
saíram mesmo do
*
Mais ou menos
neste sentido, se est
A Escola Evolucionista é fortemente influenciada pelas descobertas das outras ciências, como o caso da biologia. As teses de Charles Darwin (1809-1882), por exemplo, sobre a Evolução das Espécies, a partir de pesquisas efetuadas nas ilhas Galápagos – Oceano Pacífico -, influenciaram profundamente as ciências sociais no século XIX, entre elas a antropologia. Darwin concluiu que para sobreviverem as espécies animais se adaptavam ao meio em que viviam e que os mais fortes seriam aqueles que melhor se adaptassem, e os mais fracos estariam condenados a se extinguirem. Pesquisando os animais dessas ilhas, chegou à conclusão de que geneticamente poderiam todos os seres vivos descender de uma única existência microbiana primária e que na luta pela sobrevivência se transformariam biologicamente de forma que se passaria essa herança genética às próximas gerações. Portanto, essas teses agradavam ao homem europeu que se enxergava como mais desenvolvido e civilizado, no topo da escala de uma linha de evolução única que selecionava o mais forte. As comunidades diferentes dos territórios colonizados eram, nesta escala, inferiores e, portanto, passíveis de serem dominados e explorados. Na melhor das hipóteses, essas comunidades inferiores nos mostravam como havíamos evoluído e como poderíamos, se o assim desejássemos, auxiliá-los a se desenvolverem para se equipararem a nosso estágio de evolução.
Evidentemente,
desde cedo os antropólogos mais isentos e comprometidos com o estudo empírico
desses povos, perceberam que o “diferente” não evidenciava exatamente “inferioridade”,
mas mais uma forma específica de se adaptar ao meio natural circundante. Ainda
assim, por muito tempo, ficou a idéia que se tivessem condições ambientais
propícias, esses grupos humanos avançariam na escala de desenvolvimento técnico
e cultural até chegarem ao status dos
povos europeus mais desenvolvidos. A Escola
Evolucionista está profundamente envolvida com esta idéia de que, em certas condições de convívio com a
natureza, os grupos humanos se desenvolvem mais ou menos rapidamente em uma
mesma direção, do mais simples para o mais complexo, do inferior para o
superior, do atrasado para o desenvolvido, esta direção sempre determinada
pelas tecnologias que se conseguem desenvolver na inexorável luta pela
sobrevivência material.
2. Escola Funcionalista: Bronislaw Malinowsky (1884-1942) – Polaco; “A Vida Sexual dos Selvagens” (1929) – Estudo dos aborígines da melanésia, parte oriental da Nova-Guiné, Pacífico, Ilhas Trobriand. Radcliffe-Brown (1881-1955) – Inglês; “Estrutura e Função nas Sociedades Primitivas” (1952). Estudo dos aborígines da Austrália, do Pacífico e da África.
A evidência científica mais
importante que os antropólogos descobriram entre as comunidades isoladas, é que,
exatamente, a diferença não é sinônima de inferioridade, nem de atraso
tecnológico. Tampouco, estudando com mais profundidade essas comunidades,
se pode dizer que, em todos os casos, sua organização social seja
simples, muito pelo contrário – neste sentido, o próprio termo “primário”, para
designar grupos humanos que não apresentam o nível de tecnologias que as
sociedades ocidentais apresentam, pode ser impreciso. A Escola Funcionalista ao estudar os povos isolados e dos mais
longínquos extremos da Terra pôde desenvolver uma teoria que aponta para a determinação da funcionalidade de certas
instituições sociais sobre as formas de existência cultural e, portanto, sobre
as opções de produção material de sobrevivência. Num certo sentido, esta escola
defende a predominância da cultura sobre a economia e a política.
O mérito do funcionalismo antropológico seja na versão de Malinowsky – relações biológicas de parentesco, ou na versão sociológica de Radcliffe-Brown, foi, sem dúvida, perceber e defender a idéia que o desenvolvimento dos grupos humanos está permeado por valores, que constituem uma cultura própria e diversificada, e que, em última análise, para se entender como esse desenvolvimento se dá é preciso entender as funções das instituições culturais de cada povo, como por exemplo, as formas diversas do parentesco e das funções da família. A partir dessas funções das instituições culturais é que os grupos humanos vão desenvolver suas estratégias de vida e sobrevivência material, e que, portanto, existem outras determinações além do simples adaptar à natureza e não uma luta linear de desenvolvimento pela sobrevivência. Em outras palavras, pode ser que determinados grupos humanos isolados, por suas tradições culturais, não tenham imaginado interesse algum em se desenvolverem do ponto de vista econômico, tecnológico, e que, portanto, não existe uma relação de inferior e superior, mas de opções diferentes de sobrevivência a partir de fatores essencialmente humanos, como, por exemplo, as relações familiares de parentesco e do casamento.
(...) O funcionalismo supõe então que as várias relações sociais visíveis no seio de uma sociedade formam um sistema, quer dizer, que existe entre elas uma interdependência funcional que lhes permite existir como um todo <<integrado>> que tende a reproduzir-se como tal, como uma sociedade. (Godelier, 1977:61).
A
crítica que se faz à Escola
Funcionalista, é que, ao privilegiar as funções das instituições
sócio-culturais, de forma idealista se deu uma autonomia e preponderância
desses sub-sistemas “particulares” (parentesco,
religião, economia) sobre as condições concretas de existência em que repousam
as particularidades em que tais sub-sistemas executam suas funções e quais as
modificações que ao longo do tempo essas instituições apresentam. Não se pode
partir do imaginário valorativo de uma comunidade sem que se entenda qual a relação desse imaginário com as
contradições internas dessa comunidade, seja em relação à natureza ou aos
outros homens. Assim, a evolução humana, na visão funcionalista, parecia ter explicação apenas em uma porção
de
JMSR/ agosto de 2005.