Visão
dos Gregos (séc. V a.C.):
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SÓCRATES:
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Denuncia que a Democracia está sendo
usada como Demagogia pelos sofistas. Estes pensadores fazem
discursos públicos enaltecendo a relatividade da lei e a necessidade de
adequar o direito e a democracia à realidade socioeconômica de Atenas,
mas, na verdade, são os porta-vozes das elites endinheiradas
(comerciantes, fabricantes, financistas e generais conquistadores). Como
estas elites não podem, pelas leis antigas da democracia ateniense
participar politicamente (discutir leis e eleger legisladores,
magistrados e governantes), os sofistas acabam falando em seu nome,
desvirtuando as leis e a democracia existentes. Sócrates os chama de
"vendilhões da palavra", ainda que saiba que nem todos os sofistas são
"cínicos", os que usam a demagogia como estratégia política. Sócrates é
condenado à morte.
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PLATÃO:
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Discípulo de Sócrates, vai continuar a denúncia contra os sofistas e
acusa o povo de Atenas de se deixar levar por discursos das elites,
negando-se a resistir ao poder econômico. A prova disso é que deixaram
acontecer a condenação de Sócrates. Para tentar salvaguardar os
interesses do povo e dos cidadãos, Platão idealiza "A
República", uma obra dedicada a construir uma Cidade-estado onde os
princípios de igualdade e cidadania fossem plenos dentro da polis.
Esta obra é escrita para o rei-tirano de Siracusa, Dionísio, sem,
contudo, ter conseguido convencer tal governante a implantar as reformas
sugeridas (educação pública, distribuição mais eqüidistante da riqueza e
propriedade, o fim da família como núcleo social e total assistência do
Estado aos cidadãos). "A República" de Platão deveria ser governada por
filósofos e sábios, e é vista como precursora do socialismo. Mas
apregoava um Estado forte, unitário e interventor, que deveria
combater a demagogia da democracia.
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ARISTÓTELES:
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Defende a polis como uma organização
política que deriva da "sociedade natural". Assim, vai contra
Platão e as suas reformas "centralizadoras" defendidas em "A República".
Para Aristóteles a salvaguarda da democracia deveria ser efetuada a
qualquer custo, com base na lei, mesmo sabendo-se que a demagogia dos
políticos e das elites economicamente poderosas, pode fazer a democracia
desvirtuar-se. Aristóteles teme que o Estado forte proposto
transforme-se em uma tirania, e propõe a educação pública como a
forma de formar cidadãos livres e que estejam interessados a
participarem ativamente da governabilidade da polis, reforçando a
responsabilidade da liberdade que a democracia impõe aos homens. Uma vez
educados pela escola pública, o Liceu, a pessoa adulta deve se envolver
na confecção de leis e controle dos governantes, chamando para si o
compromisso de evitar a servidão e proporcionar a felicidade a todos os
cidadãos. Mais do que eleger e reivindicar, existe a necessidade de agir
e desenvolver participativamente mecanismos de democracia direta.
Visão dos Contratualistas (séc. XVII e
XVIII):
Os indivíduos, deixados
soltos, por suas iguais garantias e direitos vão se
destruir. Todos vão querer garantir mais e mais
direitos, e por isso entrarão numa guerra civil que
destruirá qualquer sociedade. O Estado garante essa
convivência, e impede a destruição. O Estado precisa
ser forte e unificar o poder, por isso o despotismo (no seu tempo a monarquia
absolutista) são as formas de governo ideais.
Os indivíduos são iguais
em direitos de propriedade, e por isso são livres
para negociar. O Estado garante essa liberdade de
negociação. Se têm propriedades diferentes negociam o
que têm (capitalista x operário). O Estado deve
garantir a convivência entre propriedades desiguais (liberalismo). Se
não conseguir essa harmonia a sociedade vai ter conflitos.
Democracia representativa. O povo tem a soberania e a
passa por sufrágio (não era universal) aos
representantes.
A liberdade não garante a
igualdade. O fato de serem livres para negociar não
significa que sejam iguais em propriedade e o Estado deve
garantir a igualdade e regular essa negociação, já que
são propriedades distintas. Estado intervém para mudar
essa sociedade desigual e garantir mesmos direitos. Esta
seria a "vontade geral" que dará poder ao
Estado para evitar a desordem e a destruição. O ideal
seria a democracia direta, o povo tem soberania e deve
participar da governabilidade.
Visão Marxista (séc XIX):
O Estado é conseqüência
das classes sociais, com propriedades diferentes e,
portanto, liberdades desiguais. Da mesma forma, as leis
são produto das relações sociais determinadas e
históricas da produção concreta da sobrevivência. O
Estado é produto das classes sociais antagônicas.
Portanto, não está acima da sociedade, exprime a
vontade da classe dominante. Não é expressão
harmônica, mas produto de contradições de
classes. A revolução proletária e popular reconstrói a igualdade (fim da
propriedade privada) e tende a eliminar o Estado (comunismo).
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