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Pressa para a Sudene
Um dos primeiros desafios que o Congresso Nacional deve superar neste ano é a
aprovação do projeto de lei complementar Nº 76/03 que recria a Superintendência
de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). No dia 16 de fevereiro, serão
comemorados exatos 45 anos do anúncio da criação da Sudene pelo presidente
Juscelino Kubitschek, com o brilhante suporte de Celso Furtado.
A região nordestina talvez seja o maior exemplo da injustiça social do País. No
Nordeste, se concentram 30% da população do Brasil, mas ela responde apenas por
15% do Produto Interno Bruto (PIB) e com a renda per capita equivalente a apenas
55% da média nacional. No Semi-Árido estão 40% dos nordestinos e apenas 20% da
renda nacional.
A existência da Sudene, desde a criação do Grupo de Trabalho para o
Desenvolvimento do Nordeste (GTDN) e do Conselho de Desenvolvimento do Nordeste
(Codeno), na década de 1950, foi essencial para que o Nordeste conseguisse mudar
seu perfil, construindo sólidas estruturas industriais e de serviços.
Foi a atuação da autarquia que permitiu que a Região apresentasse índices de
crescimento maiores do que a média nacional.
Durante o chamado “milagre econômico”, nos anos 70, o PIB nordestino apresentou
média anual de crescimento de 8,7%, contra a de 8,6% obtida pelo Brasil. Já na
chamada década perdida, nos anos 80, a economia nordestina foi mais resistente,
apresentando expansão média anual de 3,3%, contra 1,6% registrado da média
nacional.
A economia nordestina alterou sua participação do PIB brasileiro, passando de
13,2% em 1960, para 16% em 1997. O sistema econômico foi transformado na sua
estrutura produtiva. A agropecuária que representava 30,5% do PIB em 1960 passou
para 11,9% em 1997. Já a indústria passou de 22,1% para 24,7%, enquanto o setor
de serviços saltou de 47,4% para 63,4% em 1997. Mesmo na problemática década 90,
a economia nordestina surpreendeu, mantendo taxas de crescimento, com variações
do PIB de 9,7% em 1994, 4,4% em 1995, 4,1% em 1996, 5,8% em 1997, 1,5% em 1998 e
3,3% em 1999.
O Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) financiou mais de dois mil
projetos, injetando cerca de R$ 43,08 bilhões na Região e gerando
aproximadamente 460 mil empregos diretos e milhares indiretos.
Também coube à atuação da Sudene liderar discussões e ações pioneiras sobre
questões relativas ao meioambiente, como o problema da desertificação.
Se for verdade que ocorreram avanços, também é verdade que muito precisa ser
feito. Acredito que a melhor forma de corrigir erros do passado é a intensa
participação da sociedade, a transparência pública e o firme compromisso de unir
desenvolvimento econômico com desenvolvimento social.
O relator do projeto que recria a Sudene, Zezéu Ribeiro (PT-BA), acredita que a
votação em plenário pode ocorrer até abril. Oxalá ele esteja com razão. A
ausência de uma política definida de desenvolvimento regional pesa demais sobre
os nordestinos. País desenvolvidos já mostraram que esse desnível entre as
diversas regiões só é superado com planejamento estatal e forte parceria com a
iniciativa privada. Mas essa parceria tem que ter como objetivo fundamental
crescimento com justiça social.
É certo que o Nordeste não é o problema, mas estou convicto de que ele pode ser
a solução para o Brasil. Em outras épocas, foi a Região que financiou a máquina
pública do País e o desbravamento de novas fronteiras.
A recriação da Sudene precisa ser uma das prioridades de trabalho para este
primeiro semestre, pois o Nordeste não pode mais esperar. Desde que o então
presidente da República Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir a
autarquia, em maio de 2001, a Região perdeu uma referência importante para o seu
planejamento estratégico. De pouco serviu a criação da Agência de
Desenvolvimento do Nordeste (Adene), que funcionou como um morto-vivo
institucional, sem poder, sem capacidade de ocupar os espaços deixados pela
Sudene. Foi um remendo muito do malfeito, devemos admitir. Por todo o Nordeste,
surgiram denúncias de que o patrimônio da antiga autarquia estava abandonado.
Foi para evitar que coisas desse tipo continuassem a ocorrer que, nas eleições
presidenciais de 2002, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva fez questão
de assumir compromisso público de que, eleito, recriaria a Sudene. Promessa que
ele reafirmou nos primeiros dias do seu Governo. E a tarefa de recolocar a
Sudene, no cenário nacional coube a uma técnica pernambucana de comprovada
capacidade e valores, a professora Tância Bacelar.
Alegando razões de ordem pessoal, Tânia pediu para deixar o Governo. Ao meu ver,
a sua saída foi uma das maiores perdas do Governo do presidente Lula no primeiro
ano de gestão. Mais desolador é que ela demonstrou não estar satisfeita com o
rumo da recriação da Sudene. Mais preocupante para o Nordeste.
Tânia percorreu o País para apresentar os planos do Governo e também ouvir e
incorporar propostas que a sociedade teria para a construção da Nova Sudene. O
mesmo fez o deputado Zezéu e demais integrantes da Comissão especial que analisa
o projeto de lei complementar. Encerrada esta etapa é chegada a hora de o
Congresso Nacional avançar, dando condições para que a Sudene renovada entre o
mais breve em operação. - (Jornal do Commercio -
12/02/04)
Deputado JOSÉ
CHAVES
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