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"E
lhe disseram: Não! Iremos contigo ao teu povo. Porém Noemi disse:
Voltai, minhas filhas! Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no ventre
filhos, para que vos sejam por maridos? Tornai, filhas minhas! Ide-vos
embora, porque sou velha demais para ter marido. Ainda quando eu
dissesse: tenho esperança ou ainda que esta noite tivesse marido e
houvesse filhos, esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes?
Abster-vos-íeis de tomardes maridos? Não, filhas minhas! Porque, por
vossa causa, a mim me amarga o ter o Senhor descarregado contra mim a
sua mão. Então, de novo choraram em voz alta; Orfa, com um beijo, se
despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela. Disse Noemi: Eis que
tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após
a tua cunhada. Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me
obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde
quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus
é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada;
faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a
morte me separar de ti. Vendo, pois, Noemi que de todo estava resolvida
a acompanhá-la, deixou de insistir com ela" (Rt 1.10-18).
As motivações se revelam
Na
vida dessas duas moabitas, Orfa e Rute, o Senhor nos dá simbolicamente
uma visão profunda do Plano de Salvação, desde o passado até os dias de
hoje. Rute e Orfa são, segundo meu entendimento, representações do
cristianismo verdadeiro e do falso cristianismo. No versículo 10, ambas
ainda afirmaram: "...iremos contigo ao teu povo." Mas, depois que
Noemi lhes respondeu, lemos: "Então, de novo, choraram em voz alta;
Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a
ela. Disse Noemi: Eis que tua cunhada voltou ao seu povo" (vv.14-15).
Pois Orfa significa "a teimosa" ou "a que mostra a nuca". A nuca, a
cerviz, é uma ilustração de dureza, de teimosia, de não querer obedecer.
Não pretendemos julgar esse cristianismo obstinado, mas é evidente que
se trata apenas de piedade nominal, uma vez que tais pessoas não
conhecem outra coisa e nem compreendem o desígnio de Deus para suas
vidas e para Seu povo. Também não pretendemos julgar Orfa, pois ela não
teve entendimento mais profundo. Simplesmente, sem refletir e sem se
preocupar, ela voltou ao seu povo e aos seus deuses. Essa foi uma
atitude muito trágica! Ela seguiu o seu caminho sem Noemi. Esse é o
motivo porque creio que Orfa seja uma figura do cristianismo apóstata
dos tempos finais, uma ilustração muito apropriada da cristandade que se
afasta continuamente da Bíblia e de tudo que é precioso aos olhos de
Deus. Na verdade, Orfa acompanhou Noemi por um trecho do caminho, mas
assustou-se quando começou a perceber a realidade: ela "mostrou a nuca",
endureceu seu coração e perdeu a gloriosa herança que lhe estava
destinada. Orfa representa os muitos cristãos que só chegam até a
fronteira e, no momento do desafio decisivo, desviam-se e mostram a
dureza do seu coração, voltando atrás e abandonando aquilo que seguiram
por certo tempo.
Chama
a atenção nessa história que a fidelidade ou a infidelidade das noras só
tornou-se manifesta quando Noemi, a judia, partiu para Israel. Antes
disso, a postura interior de ambas não podia ser percebida. Não era
possível ver o que cada uma delas tinha em seu coração. Mas então, na
hora da decisão, a motivação de seus corações foi revelada.
Fidelidade ao povo de Deus
Já
dissemos que Noemi é uma figura profética do remanescente de Israel, que
desde 1948 volta da Dispersão (Diáspora) para a Terra Prometida. Com
esse retorno começou o tempo que a Bíblia chama de tempo do fim. Quando
Noemi retornou para sua terra, era o tempo da colheita, o tempo
apropriado para Rute encontrar Boaz. Desde 1948 vivemos no tempo do fim,
a época em que Deus reconduz Seu povo Israel de volta para sua terra –
para que o Senhor Jesus possa voltar e tornar-se o pão da vida para ele.
Justamente nessa época será manifesta a fidelidade ou a infidelidade de
muitos cristãos: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos
últimos tempos, alguns apostatarão da fé..." (1 Tm 4.1). A
infidelidade a Deus também torna-se evidente na infidelidade para com
Israel. Deus identificou-se de tal maneira com Israel, que é impossível
separá-lO do Seu povo. Rute, o "deleite", o "refrigério", não se separou
de Israel e do Deus de Israel, mas testemunhou claramente: "...o teu
povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus" (Rt 1.16).
A
fase final do tempo do fim começou com o retorno de Israel à sua terra.
Por isso, vivemos hoje numa época em que se revela mais e mais o que
realmente há no coração das pessoas, em que há separação por causa de
Israel, do mesmo modo como Rute e Orfa se separaram diante de Noemi. No
último momento, Orfa não quis se agregar ao povo e ao Deus de Noemi.
Através desse exemplo, reconhecemos que não pode haver atitude neutra em
relação ao povo de Israel e ao Deus vivo. Ou se é a favor, ou se é
contra o Senhor. Ele diz com grande seriedade: "Quem não é por mim é
contra mim" (Mt 12.30). É absolutamente impossível permanecer neutro
em relação ao Senhor, e quem não toma uma atitude positiva diante de
Israel também não terá posicionamento correto em relação a Deus. Rute
decidiu-se conscientemente pelo povo e pelo Deus de Noemi. Também para
nós é muito importante estar ao lado de Israel, pois, em última análise,
assim torna-se visível nossa atitude para com Deus. Orfa voltou para o
seu povo e para seus deuses. O deus dos moabitas era Quemos (ou Camos),
e ele é chamado de "abominação" em 1 Reis 11.7. Desse modo, Orfa é o
símbolo de muitas pessoas, infelizmente também de muitos cristãos
nominais, que chegam apenas até a divisa, que param no meio do caminho
por não terem a coragem de seguir até o fim. Orfa beijou sua sogra e
retornou. Como é terrível quando filhos de Deus retornam para o mundo!
Mas Rute apegou-se a Noemi. São poucos os cristãos que têm a coragem de
atravessar a fronteira – espiritualmente – e de seguir adiante, orando
como Jabez: "...e me alargues as fronteiras" (veja 1 Cr 4.10).
Rejeitando a Israel
Procuremos nos colocar no lugar de Orfa, para entender o que aconteceu
em seu íntimo quando ela decidiu não ir com Noemi em direção a Israel.
Quanto mais perto elas chegavam da fronteira, mais inquieta e insegura
ela ficava. Suas dúvidas eram cada vez maiores e em seu íntimo
amadurecia a decisão de não atravessar a fronteira. No último momento
ela deu meia-volta, "mostrou a nuca", e voltou para seu povo e seus
deuses. Quantos cristãos atuais vão só até certo ponto em seu
posicionamento diante de Israel. Mas justamente essa atitude é levada
muito a sério nas Escrituras. Através de muitos exemplos na Bíblia, fica
claro que, por ocasião da volta do Senhor Jesus Cristo, até os povos
serão avaliados e julgados conforme sua posição a respeito de Israel.
Apesar de muitos não serem inimigos declarados de Israel, eles não são
seus amigos de verdade. Do ponto de vista bíblico não existe
neutralidade a esse respeito. Embora Orfa tenha beijado Noemi, ela
retornou ao seu povo e aos seus deuses. E essa sua atitude teve
conseqüências desastrosas. Da mesma forma, poucos cristãos permanecem
decididamente ao lado de Israel desde a fundação do Estado e desde o
início do retorno dos judeus à sua terra, e poucos reconhecem que é
tempo de colheita. Ao invés disso, muitos cristãos apegam-se aos
costumes e às tradições. Eles assimilaram os conceitos enganosos e
antibíblicos que dizem: Israel foi repudiado eternamente e agora a
Igreja está ocupando seu lugar. Essa idéia está tão arraigada nas mentes
de muitos cristãos, que eles não têm coragem de se posicionar a favor de
Israel. A conseqüência do comportamento de Orfa foi que ela caiu no
esquecimento e perdeu sua herança. Rute, ao contrário, por posicionar-se
publicamente a favor de Israel, tornou-se a bisavó de Davi e, assim,
entrou na genealogia de Jesus. Alguns estudiosos da Bíblia acham que
Orfa foi a bisavó de Golias, que anos mais tarde escarneceu e difamou
publicamente o povo e o Deus de Israel, querendo destruir Israel, mas
depois foi morto por Davi. Porém, não há provas dessa suposição. Na
verdade, somente nas gerações seguintes é que se vê a tragédia da
decisão de Orfa em relação a Israel e ao Deus de Israel.
O
mesmo acontece freqüentemente em nossa vida: pecados nem sempre têm
conseqüências imediatas. Quando não nos arrependemos no momento em que
pecamos, muitas vezes só vamos notar mais tarde que aqueles pecados
tiveram conseqüências que se farão sentir em toda a sua dureza. O
cristianismo morno e apóstata de nossos dias, constituído principalmente
de velhas tradições e que, por meio do ecumenismo, volta-se para deuses
estranhos – abrindo espaço para idéias budistas, hinduístas, islâmicas e
outros ensinos pagãos! – provavelmente produzirá logo o grande "Golias",
o anticristo. Mas, a seu tempo, ele será derrotado pelo grande Filho de
Davi, por Jesus!
Abraão e Abimeleque
Quantos cristãos se deixam intimidar pela mídia e por informações
falsas, recusando-se a atravessar a fronteira para um posicionamento em
favor de Israel! Por exemplo, Arafat proclamou em alta voz que Jesus era
palestino – sem que isso levasse a protestos enérgicos por parte dos
povos chamados cristãos ou dos dirigentes das igrejas cristãs.
Pesquisando toda a Bíblia, constataremos que as pessoas que se
posicionaram publicamente a favor de Israel, atravessando a "fronteira",
foram extraordinariamente abençoadas. O Senhor sempre foi a favor delas.
A história de Abraão e Abimeleque mostra isso de maneira muito clara. Na
verdade, Abraão tornou-se culpado para com Abimeleque porque disse ser
Sara sua irmã, sendo ela sua esposa. Abimeleque não sabia nada sobre a
verdadeira situação de Sara e quis tomá-la por mulher. Mas isso não lhe
trouxe bênçãos – pelo contrário. Somente quando ele devolveu-a a Abraão,
a bênção voltou a fluir. Lemos em Gênesis 20.14-18: "Então,
Abimeleque tomou ovelhas e bois, e servos e servas e os deu a Abraão; e
lhe restituiu a Sara, sua mulher. Disse Abimeleque: A minha terra está
diante de ti; habita onde melhor te parecer. E a Sara disse: Dei mil
siclos de prata a teu irmão; será isto compensação por tudo quanto se
deu contigo; e perante todos estás justificada. E, orando Abraão, sarou
Deus Abimeleque, sua mulher e suas servas, de sorte que elas pudessem
ter filhos; porque o SENHOR havia tornado estéreis todas as mulheres da
casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão."
Jesus e o centurião
Outro
exemplo é o centurião de Cafarnaum, sobre quem lemos no Novo Testamento.
"Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo,
entrou em Cafarnaum. E o servo de um centurião, a quem este muito
estimava, estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a respeito de
Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse
curar o seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe
suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; porque é amigo
do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. Então, Jesus foi com
eles. E, já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer:
Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha
casa" (Lc 7.1-6). Esse centurião romano atravessou a fronteira,
posicionando-se de maneira positiva em relação a Israel. Aprendamos
através do seu exemplo! Atravessemos também nós a fronteira,
posicionemo-nos publicamente a favor de Israel, em favor do seu Deus.
Com nosso apoio e nossa ajuda prática a Israel, reconhecemos seu direito
à existência, pois Deus lhe deu promessas para o futuro.
A hesitação de muitos
Muitos cristãos também hesitam em atravessar a fronteira no que diz
respeito ao pecado. Eles não rompem totalmente com as coisas erradas em
suas vidas. Muitos batalham e travam uma luta corpo-a-corpo com o pecado
mas, ao mesmo tempo, ficam presos a ele. Eles permanecem indecisos entre
o mundo e uma vida que agrade a Deus. Não ousam dar o passo decisivo
para a obediência incondicional ao Senhor, deixando sempre aberta uma
portinhola atrás de si por onde podem voltar. Eles, como Orfa, não
conseguem se decidir, e por isso ficam para trás. Orfa voltou para a
velha vida. Na verdade houve o beijo, a simpatia para com Noemi, mas não
a verdadeira entrega do coração; faltou a decisão firme de ficar ao seu
lado.
O
pecado sempre tem conseqüências. Em Oséias 2.6 o Senhor diz a respeito
do pecado de Israel: "Portanto, eis que cercarei o seu caminho com
espinhos; e levantarei um muro contra ela, para que ela não ache as suas
veredas". O pecado restringe nosso caminhar com o Senhor; muralhas
erguem-se diante de nós, tirando-nos a visão para seguir adiante. Deus o
permite para que deixemos o pecado e nos voltemos a Ele: "Irei e
tornarei para o meu primeiro marido, porque melhor me ia então do que
agora" (Os 2.7b). Podemos ler em Oséias o que o pecado faz:
"Comerão, mas não se fartarão; entregar-se-ão à sensualidade, mas não se
multiplicarão, porque ao Senhor deixaram de adorar. A sensualidade, o
vinho e o mosto tiram o entendimento. O meu povo consulta o seu pedaço
de madeira, e a sua vara lhe dá resposta; porque um espírito de
prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus"
(Os 4.10-12). O pecado pode tirar nosso entendimento, impedindo-nos
de pensar claramente, e sem discernimento entre o certo e o errado não
vemos mais as coisas de maneira objetiva. O pecado altera as emoções e o
raciocínio. A Bíblia nos ensina: "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus,
de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e
de toda a tua força" (Mc 12.30). O envolvimento com o pecado pode
chegar até ao ponto de nos levar a amar mais o pecado do que a Deus.
Alguém o formulou da seguinte maneira: "O que você olha passa a ter
poder sobre você." Que grande verdade! Aquele que procura a Jesus na
Palavra de Deus, na Bíblia, olha para Ele e O segue em obediência, é
transformado cada vez mais na imagem de Jesus. É assim que crescemos no
conhecimento de Jesus. Ao contrário, os que se ocupam com o pecado e o
praticam, experimentam uma transformação negativa, pois são marcados
pelo pecado e assumem a índole do pecado: "...porque ao Senhor
deixaram de adorar" (Os 4.10b). Por isso, quem vive em pecado acaba
sem forças para retornar. Em Oséias 5.4 e 8 está escrito: "O seu
proceder não lhes permite voltar para o seu Deus, porque um espírito de
prostituição está no meio deles, e não conhecem ao Senhor... Cuidado,
Benjamim!" Tais pessoas são dominadas pelo pecado de tal maneira,
que não têm forças suficientes para abandoná-lo. O inimigo tornou-se
demasiadamente poderoso em suas vidas. Oséias 7.2 continua: "Não
dizem no seu coração que eu me lembro de toda a sua maldade; agora,
pois, os seus próprios feitos os cercam; acham-se diante da minha face".
Nos versículos 10-11 está escrito: "A soberba de Israel, abertamente,
o acusa; todavia, não voltam para o Senhor, seu Deus, nem o buscam em
tudo isto. Porque Efraim é como uma pomba enganada, sem entendimento..."
Tudo isso acontece quando não atravessamos a fronteira da entrega total.
Orfa tinha o coração dividido. Ela não estava disposta a assumir as
conseqüências, e errou o alvo. No grego a palavra pecado significa
"errar o alvo". Pecado não significa apenas comportamento errado, mas
uma maneira errada de viver, uma predisposição em errar o alvo. O normal
e o natural do ser humano é seguir pelo caminho errado. Seria
catastrófico se no fim da nossa vida tivéssemos de confessar – só porque
nunca nos decidimos a atravessar a fronteira –, que em última análise
erramos o alvo que Deus tinha para nossa existência!
Que
caminho você está seguindo? O salmista diz: "Dá-me a conhecer,
Senhor, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a
minha fragilidade" (Sl 39.4). Devemos ser gratos a Deus por Ele nos
mostrar toda a tragicidade e conseqüência do nosso pecado, e, através do
perdão, oferecer-nos uma saída! Ele atravessou a fronteira em nossa
direção e veio ao nosso encontro por meio de Jesus Cristo e Sua obra
consumada na cruz. Ainda vivemos no tempo da graça, e Deus nos oferece
restauração em Jesus. Mas nós também devemos estar dispostos a
atravessar a fronteira em direção a Ele, realmente colocando em prática
nossa decisão. O Senhor adverte: "Volta, ó Israel, para o Senhor, teu
Deus, porque, pelos teus pecados, estás caído. Tende convosco palavras
de arrependimento e convertei-vos ao Senhor; dizei-lhe: Perdoa toda
iniqüidade, aceita o que é bom e, em vez de novilhos, os sacrifícios dos
nossos lábios" (Os 14.1-2). E nos versículos 4-5 Ele faz a grandiosa
oferta de amor: "Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os
amarei, porque a minha ira se apartou deles. Serei para Israel como
orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o
cedro do Líbano."
Deus
não pode fazer outra coisa do que amar também a você, prezado leitor.
Portanto, volte para Ele! Atravesse a fronteira! Em Oséias 10.12 está
escrito: "Semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a
misericórdia; arai o campo de pousio; porque é tempo de buscar ao
Senhor, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós." É isso que
Deus tem preparado para Israel. O mesmo Ele tem preparado também para
você, se você tiver ânimo de atravessar a fronteira, deixando o pecado e
indo em direção a Jesus.
Da estreiteza de nossa incredulidade ao espaço ilimitado da fé
Muitas pessoas vão só até a fronteira e não dão um passo a mais para
assumir o trabalho missionário. Justamente pessoas jovens freqüentemente
não têm coragem de dar esse passo, isto é, elas não têm ousadia de
obedecer à ordem do Senhor: "Ide por todo o mundo e pregai o
evangelho a toda criatura" (Mc 16.15). Participar de trabalho
missionário, porém, nem sempre significa ir para o exterior. Muitas
vezes, é preciso abandonar primeiro certos hábitos e costumes e
atravessar a fronteira em direção a Deus, fazendo a Sua vontade. E
"todo o mundo" começa diante da porta da nossa casa!
Muitos também não vão além da fronteira na hora de se aventurar a dar um
passo de fé. Outros não têm o ânimo de realizar pela fé o propósito que
Deus colocou em seus corações. Abraão foi um homem que ultrapassou seus
limites pela fé: "Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de
ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde
ia" (Hb 11.8). Uma ousadia – mas ele a realizou pela fé! Por meio
dessa fé a Terra Prometida tornou-se possessão sua. De uma vez por todas
devemos sair da estreiteza da nossa incredulidade para ocupar os espaços
ilimitados da fé. Lembremo-nos mais uma vez de Jabez, que suplicou ao
seu Deus, o Deus de Israel: "Oh! Tomara que me abençoes e me alargues
as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo
que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha
pedido" (1 Cr 4.10).
É
muito importante que atravessemos a fronteira e olhemos concretamente
para o alvo. Orfa não conseguiu fazer isso. Na verdade, ela tinha dito o
mesmo que Rute: "Não! Iremos contigo ao teu povo" (Rt 1.10). Mas,
ao contrário de Rute, faltou-lhe a força necessária para seguir em
frente. A dificuldade em nossas vidas é que muitas vezes realmente
desejamos fazer alguma coisa, mas não estamos firmemente decididos a
concretizá-la. Temos o desejo de abandonar o pecado, mas não estamos
dispostos a fazê-lo de fato. Gostaríamos de ir para o campo missionário
para sermos usados pelo Senhor, mas não estamos firmemente decididos a
dar esse passo e tomar as providências necessárias. Sabemos de certas
barreiras em nossa vida, mas não estamos dispostos a vencer as
resistências pela fé. Sabemos o caminho que devemos seguir, que devemos
tomar certas decisões, mas não o fazemos. No reino de Deus só pode
acontecer algo concreto se decididamente tomarmos certas atitudes e
agirmos pela fé. Comecemos a atravessar a fronteira no verdadeiro
sentido bíblico e sigamos por todo o caminho com Jesus. Certamente o
Senhor tem algo bem definido para você. Você deveria dar esse passo:
confessar ao Senhor e depois abandonar os pecados escondidos em sua
vida. Se você ainda não é renascido, dê esse passo para além da
fronteira o mais breve possível! Atravesse a fronteira, agora que você
se deu conta de que ela existe, e siga adiante segurando a mão de Jesus!
(Norbert Lieth - www.chamada.com.br)
Extraído do livro
Rute - À Luz do Plano de Salvação.
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