15:

“Hee, hee... nãonão.”
“Ah, vamos, Brian! O que custa?”
“Ah, não, Steve! Eu fico sem jeito...”
“Sem jeito nada! Você *vai* cantar! Pode ir parando com essa besteira, Molks!”
Molks. Brian gostava da sonoridade de seu novo apelido.
“Sinto ter que te decepcionar, Stevie, mas eu *não* vou cantar, por mais que você insista.” Brian exibiu um sorrisinho maldoso antes de continuar. “Só canto para o meu namorado. Para ele eu canto a hora que ele quiser.”
Steve fez uma careta de desaprovação. “Mas você só sabe falar nesse namorado, heim!”
“Claro! De quê você queria que eu falasse? Tenho que falar de coisas que me deixam feliz!”
“Ao menos poupe os ouvidos desse coitado que passou a tarde inteira ouvindo o seu ‘monólogo-melodramático’: ‘Ah, porque Vincie isso e Vincie aquilo e Vincie, Vincie, Vincie...!”
“Pode ir parando, bastardo! Eu *não* tenho essa vozinha ridícula!” Brian fingia um tom irritado, mas na verdade estava com vontade de rir, ver Steve tentar imita-lo era sempre engraçado. Mas ele tinha mesmo razão, Brian não conseguia parar de falar em Vincentt, ele não podia evitar, estava ansioso, mais uma semana e Vincie estaria de volta! Mal conseguia esperar para revê-lo!
“Pois então não cante!” Steve cruzou os braços diante do peito. “Não queria ouvir mesmo...”
Brian gargalhou. “Mentiroso!”
Steve fingiu que não ouviu e seguiu para a cozinha. “Quer beber alguma coisa ‘coisinha-chata’? Uma margaritta?”
“Não, obrigado, Beanie, só vou ingerir álcool para comemorar o regresso de meu ‘Doce Príncipe’!”
Da cozinha, Steve liberou um som atordoado.
Brian começou a gargalhar.

“Alô?”
“Ven? Sou eu, Vince!”
“Oiiiiiiiiiiii, Vincieeeeeee! A quanto tempo você não liga!”
“Venon, eu liguei ontem...”
O garoto de cabelos violeta riu. “Eu sei. Só estou brincando. Quais as novidades?”
“Brian está aí?”
“Não, ele-”
“Ótimo!” Vince falou antes que Venon terminasse.
“Ótimo?!” Venon repetiu incrédulo.
“É! Eu não queria estragar a surpresa!”
“Surpresa? Que surpresa?” Venon perguntou intrigado.
“Se eu contar você promete que não conta para ele?”
Venon fez cara de indignação. “Nossa! Quanta infantilidade, heim, V., eu não tenho motivo algum para estragar a surpresa dos outros, né? Quem sabe se isso fosse antigamente... mas isso não vem ao caso. Agora vamos, desembucha.”
“Okay. Bem, eu estive conversando com meus pais e eles permitiram que eu voltasse para a Inglaterra antes que as férias acabassem e-”
“Sério?!” Venon praticamente gritou. “Bri vai ficar mais do que eufórico quando souber disso!”
“Venon! Você disse que não iria contar! É uma surpresa, esqueceu?”
“Ah, claro! Desculpe.” Venon disse dando um tapa em sua própria testa.
“Mas deixe-me terminar... amanhã estarei pegando o primeiro vôo para a Inglaterra e-”
“Amanhã?!”
“Venon! Não me faça perder a paciência! Você vai deixar que eu termine de falar ou não?”
“Desculpe, desculpe! Vou tentar me controlar. Prossiga.”
“Meus pais também deixaram que a gente ficasse em nossa casa na Inglaterra, só enquanto as aulas não começam e o melhor é que eu vou poder levar vocês junto, passaremos o restante da semana lá.”
Venon riu empolgado. “Vai ser como os dias que passamos na casa de férias da família Ophille!”
“Talvez até melhor!”
“Estou louco para ver a expressão de Molko quando souber disso tudo!”
Vincentt sorriu e suspirou. “E eu estou louco para ver o rosto dele com qualquer expressão... não sabia que era capaz de sentir tanta saudade...”
“Pode ir parando! Já estou cansado de ouvir esse mesmo comentário todos os dias vindo do Brian... vocês dois já estão insuportáveis! Quero só ver como vai ser a ‘comemoração-de-reencontro’! Acho que amanhã serei obrigado a dormir no quarto de Brandon.”
“Ainda bem que você já está ciente disso!” Vince declarou em tom brincalhão e os dois garotos começaram a gargalhar.

“E quanto tempo ainda falta para isso?”
“Bem...” Brian calculou mentalmente. “Ainda tenho que terminar esse ano e cursar o próximo ano inteiro para poder ganhar o meu diploma. Depois disso eu vou ter que me empenhar e correr atrás de uma oportunidade. Não há um meio de saber o tempo exato para isso, sei que quero estar fazendo peças em teatros antes de acabar o curso, mas ainda não sei ao certo como irei fazer isso...”
“Você realmente deveria formar uma banda... você toca muito bem, Brian.”
Brian sorriu meio sem jeito. “Eu gostaria muito de formar uma banda, adoro tocar, mas não é tão simples assim. Se eu fosse montar uma banda teria que ser do jeito certo e isso exigiria de mim muito tempo e trabalho. Não posso me empenhar nisso, pelo menos não por enquanto, tenho que me concentrar na universidade.” Brian tocou algumas notas ao acaso no violão. “Além disso, tem essa minha timidez para tocar e principalmente cantar na frente dos outros, acho que uma banda nunca daria certo para mim...”
Steve tomou o último gole de sua cerveja. “É você quem sabe, mas em minha opinião, um grande talento está sendo desperdiçado...”

“Brian! Já voltou?!” Venon falou com uma estranha empolgação.
“Já são seis da noite, Ven! Passei o dia inteiro fora e você ainda diz que eu já voltei? Nossa...” Brian fez uma carinha triste. “Já vi que você realmente não sente a minha falta...”
“Ah, não venha com essa choradeira, ‘Rainha-do-Drama’!” Venon disse sorrindo.
Brian riu também e seguiu para sentar-se na cama. “Vincie ainda não ligou?”
“Não, ainda não.” Mentiu Venon.
Brian deitou-se na cama. “Estou com tanta saudade dele, sabia?”
“Não, Bri, você nunca me disse isso!” Venon falou em tom sarcástico.
“Mas é que eu não agüento mais esperar! Ainda falta uma semana INTEIRA!”
“Ah, mas isso vai passar rapidinho!”
“Sei...”
“Confie em mim, você vai ver que quando menos esperar ele vai estar aqui. Uma semana passa em um estalar de dedos.”
Brian sorriu docemente. Era muito bom perceber o quanto a sua amizade com Venon havia crescido em um ano. Ele abriu os braços e teve seu pedido silencioso atendido de imediato. Venon o abraçou.

“Brian! Bri! Briiiiii!”
Brian levantou-se assustado, Venon continuava sacudindo-o e chamando por seu nome.
“O que foi, Venon?! O que foi?!” Ele perguntou em tom agitado, os cabelos desgrenhados cobrindo-lhe o rosto.
Venon estava gargalhando. “Desculpe por te acordar dessa maneira, Bribri, mas você não quer deixar o seu ‘Doce Príncipe’ esperando pela ‘Bela Adormecida’, quer?”
“Vincie, o quê?!” Brian perguntou ainda soando extremamente confuso.
Venon rolou os olhos e pôs o celular nas mãos de Brian. “Todo seu!”
Brian ficou sem ação de início, depois, passou os dedos pelos cabelos, ‘penteando-os’, como se Vincentt pudesse vê-lo através do telefone, limpou a garganta e tentou pôr seus pensamentos em ordem.
“Alô?”
“Bri?”
“Oi, Vincie!” Brian falou em um tom fino de empolgação ao ouvir a voz do namorado.
“Ah, agora reconheci sua voz!” Ele falou rindo. “Sua voz estava meio estranha antes... estava dormindo?”
“Bem, mais ou menos... mas isso não importa, eu queria muito falar com você, estou com tanta saudade, ouvir a sua voz alivia um pouquinho...”
Venon tampou os ouvidos e fez uma careta para Brian, esse fingiu que não viu nada disso.
“Não se preocupe, meu bem, em breve estaremos juntos novamente.”
Brian sorriu largamente. Era verdade. Por mais angustiante que fosse a espera, a recompensa já estava próxima... mais uma semana e ele poderia abraçar Vincie novamente!

Graças ao estado de espírito de Brian, ele conseguiu fazer a apresentação mais dramática de toda a turma de teatro, tirando assim a nota máxima no teste prático e despertando uma imensa admiração de seu professor.
“Você se saiu muito bem, Molko! Sua apresentação foi perfeita! Parabéns! Chorou como se realmente estivesse submerso em uma onda de tristeza avassaladora e... agora você já pode parar de interpretar, Brian... pode parar de chorar...”

Venon esforçou-se ao máximo para guardar o segredo de Vincentt durante o dia inteiro, suas unhas já estavam mais do que roídas quando o telefone tocou.
“Bri! Bri! É pra você!”
Brian pegou o celular com uma expressão questionadora e sorriu ao ver o número do celular de Vincentt estampado no visor. “Vincie?”
“Bri, seria muito incômodo para você vir para o hall da universidade e esperar para me ajudar com minhas malas quando eu chegar?”
“Como?” Brian pensou não ter ouvido direito.
“É que eu acabei de sair do avião. Vou pegar um táxi e em pouco tempo estarei em Goldsmiths, sabe? Queria que você fosse me encontrar na entrada já que não irei conseguir carregar todas essas malas até o dormitório...” Vince falava em um tom fingido de imparcialidade.
“Vincie...” Brian engoliu em seco. Estava tentando se acalmar e evitar a vontade que estava sentindo de gritar. As batidas frenéticas de seu coração não colaboravam... “Vincie, você está falando sério?”
Vincentt gargalhou. “Estou sim, meu amor, o taxista acabou de colocar minhas malas no porta-malas. Gostou da surpresa?” Ele perguntou em um tom que era um misto de divertimento e provocação.
“Ta brincando?! É obvio que gostei!” Brian olhou para Venon. “Você sabia de tudo, não sabia?”
Venon começou a gargalhar. Vincie estava rindo também.
“Bastardos! Ainda não consigo entender como posso gostar de dois bastardos como vocês!” Brian declarou e logo em seguida começou a rir também.

Quase meia hora já havia se passado desde o telefonema de Vincentt e os dois garotos não se cansavam de trocar olhares e sorrisos ansiosos. Estavam esperando na recepção a não mais que quinze minutos, Brian tinha ido se arrumar para a tão aguardada chegada do namorado. Os dois sabiam que Vince poderia chegar a qualquer momento agora e isso só aumentava as expectativas.
Mais cinco minutos contados se passam e um garoto louro entra no hall. Brandon.
Os outros dois olharam para ele de imediato e surpreenderam-se ao perceberem sua expressão de preocupação.
“Até que enfim encontrei vocês!” Brandon sorri. “Estive te procurando os por toda parte, Brian, mandaram te avisar que tem um telefonema para você na secretaria.”
Brian suspirou. “Deve ser minha mãe... cobrando mais uma vez a minha visita...”
“Bem, você não pode negar que ela tem razão. Já pensou que ela deve estar com saudade de você? Vá falar com ela e eu fico esperando, se Vincentt chegar antes de você voltar eu explico para ele o que aconteceu.” Declarou Venon.
Brian concordou com um aceno de cabeça, levantou-se e seguiu para a secretaria acompanhado por Brandon, que quis se informar sobre o regresso de Vincentt.

“Alô?”
“Brian Molko?” Uma voz feminina respondeu com outra pergunta. Definitivamente não era a sua mãe.
“Sim, sou eu mesmo. Em que posso ajuda-la?”
“O Sr. por acaso conhece Vincentt Valo?”
Brian sentiu uma pontada em seu coração. “Conheço sim, p... porquê? Algum problema com ele?”
“Estou falando do Hospital Central , sinto ter que informar-lhe a respeito desse assunto, mas, o Sr. Valo sofreu um acidente de trânsito.”
Brian sentiu seus joelhos enfraquecerem e se Brandon não tivesse o segurado, certamente ele haveria caído no chão. Uma enorme tontura apossou-se de seu corpo. Não podia ser verdade! *Não* podia! Minutos atrás ele estava explodindo de felicidade e agora isso...
“Ele não para de dizer o seu nome e o nome da universidade desde que chegou, achamos que seria importante informa-lo sobre o ocorrido.”
Brian já não conseguia ouvir mais nada. O telefone escorregou lentamente de suas mãos e as lágrimas começaram a cair de forma copiosa, borrando a maquiagem que ele havia tido todo o cuidado para que ficasse perfeita.
Brandon pegou o telefone e trocou mais algumas palavras com a enfermeira. Logo em seguida convenceu Brian a erguer-se e guiou-o pelos corredores da escola.

“O que aconteceu?!” Venon perguntou assustado ao perceber que Brandon puxava pela mão um Brian que mantinha um semblante que era pura indiferença, porém, ao mesmo tempo, debulhava-se me lágrimas.
Brandon pegou Venon pela mão e seguiu para fora da universidade. “Vamos, no carro eu explico.”

Brandon esforçava-se para prestar atenção à estrada enquanto guiava o seu carro rumo ao hospital.
Juntos, no banco de trás. Brian e Venon choravam abraçados. Brian, silenciosamente, ainda não havia liberado uma palavra sequer, mantinha o olhar vago que adquirira quando recebera a notícia, Venon chorava de forma inconsolável.

Brandon segurava a mão dos sois rapazes menores enquanto os três tentavam achar o corredor correto do hospital.
“Fique calmo, Brian. Vai dar tudo certo...”
“Se quer mesmo consola-lo Venon, mantenha a *sua* calma antes.” Brandon disse olhando de soslaio para o rapaz de cabelo violeta. “Sua mão está tremendo ainda mais do que a dele...”
Venon liberou um suspiro profundo e enxugou suas lágrimas. “Oh, Deus... que ele esteja bem...” Ele sussurrou enfim.

O médico já estava à espera deles.
Brian soltou a mão de Brandon e correu de encontro a ele.
“Onde ele está, doutor? Onde ele está?” Ele perguntou em um tom que era pura angústia.
“Ele acabou de ser submetido a uma pequena cirurgia e-”
“ONDE ELE ESTÁ, PELO AMOR DE DEUS?!?!”
Sem alternativas, o médico apontou para uma das portas do corredor. Ele sabia que Brian seria irresoluto em sua decisão de ver Vincentt naquele exato momento...
De imediato, Brian e Venon seguiram para a porta indicada.
Brandon olhou muito sério para o médico quando os dois ficaram sozinhos.
“O estado dele é muito delicado... fizemos essa pequena cirurgia de urgência, mas mesmo assim, a situação ainda é agravante...” O doutor respondeu a pergunta subtendida.
“Seja sincero. Não esconda nada de mim...”
O médico respirou profundamente. “Só um milagre pode salva-lo...”

“Oh, meu Deus... oh, meu Deus, Vin...” As lágrimas haviam voltado aos olhos de Venon.
Brian não sabia bem se existia alguma sensação que pudesse ser pior do que a que ele estava sentindo agora. Era no mínimo terrível ver Vincentt, o sempre tão cheio de vida Vincie, deitado inconsciente naquela cama. Os inúmeros curativos e tubos enfiados em sua boca e suas vias nasais, tudo parecia estar muito errado, até mesmo aquele ruidoso aparelho que media os batimentos cardíacos dele, tudo só tornava o ambiente ainda mais tenso.
Com passos lentos ele seguiu até o lado direito da cama.
O sangue que aparecia na atadura da testa de Vincentt era recente, ainda era vermelho como o batom que agora se espalhava em marcas pela pele lívida e suave de sua mão. Brian beijava a mão de Vince como se isso fosse faze-lo acordar. Mas ele não iria acordar agora... estava em coma, isso are claro. Brian acariciou com absoluta caltela a veia do pulso onde uma longa agulha estava fincada, fazendo com que o sangue que estava em uma espécie de saco fluísse para dentro do corpo do rapaz adormecido.
“Era melhor que você não tivesse vindo...” Ele sussurrou em meio aos soluços baixinhos que lhe escapavam. Os olhos marejados voltados para o rosto machucado do namorado. “Preferia não te ver a ter que te ver assim...” O nó que parecia estar em sua garganta aumentou. Brian ergueu sua mão trêmula e acariciou os fios negros de cabelo que cobriam alguns dos curativos da face do namorado.
Venon não conseguia obrigar suas pernas a se aproximarem. Estava em choque, olhava a cena como se ela não estivesse acontecendo.
“Meu amor... por favor...” Os soluços de Brian começaram a aumentar. “não me deixe... não me deixe, Vincie... acorde...” Brian encostou seus lábios no de Vincentt. “Eu te amo... te amo tanto...” Ele sussurrou, suas lágrimas eram tão abundantes que gotejavam sobre o rosto adormecido de Vince.
Nesse momento, os batimentos cardíacos indicados pela aparelhagem médica aumentaram o ritmo de súbito.
Brian ergueu o rosto e fitou com os olhos marejados e sobressaltados o pulsar frenético da luz verde indicada pela máquina.
Venon levou as mãos à boca, demonstrando seu estado de pânico.
Brandon, o médico e mais duas enfermeiras entraram atônitos na sala.
Ninguém disse nada. Sequer tiveram tempo para isso. A freqüência de batidas diminuiu tão rapidamente quanto subiu, tornando-se, por fim, uma única linha verde-esmeralda no monitor da máquina e um ruído ensurdecedor que preenchia a sala.
Os enfermeiros agiram depressa, afastaram Brian da cama e ligaram a ‘máquina-de-ressuscitar’.
Choques sucessivos seguidos de massagens cardíacas foram aplicados. Mas a ‘linha verde’ insistiu em permanecer no monitor.
O médico lançou um olhar triste para os três rapazes juntos no canto da sala.
“Sinto muito.” Ele disse em um fio minúsculo de voz.
Sim, Brian pensou, por mais que a dor que você esteja sentindo seja insuportável, ela sempre pode aumentar... e esse até parece ser o curso natural das coisas... um pouco de felicidade vivenciada sempre tem que ser paga mais a frente com o dobro de tristeza...
Os filmes nunca serão uma representação da vida real... a vida *nunca* permite que tenhamos um final feliz, que vivamos para sempre em um conto de fadas, a triste realidade sempre nos atinge, e algumas vezes de forma tão brutal que toda a estrutura que você havia montado com tanto esmero despedaça-se repentinamente diante de seus olhos, arrancando de você a vontade de sonhar... para quê sonhar se os sonhos nunca se realizam?
Brian sentia-se vazio. Uma espécie de casca de ser humano, era como se não tivesse mais vida dentro dele. E foi justamente nesse ponto que ele percebeu que desconhecia a tristeza, a verdadeira tristeza, ele só havia a visto de relance durante toda a vida que ele já havia vivido. Hoje, nesse momento, ela estava ali, presente, preenchendo todo o espaço que o envolvia. E agora ela jamais iria embora por completo, ele tinha certeza disso.
Venon chorava, chorava como uma criança, chorava como ninguém jamais sonhara que fosse o ver chorar...
E Brandon, por mais que se esforçasse, não tinha mais estrutura suficiente para tentar acalmar e consolar os outros, as lágrimas já marcavam seu rosto.
Ele envolveu os outros dois em um abraço e assim eles permaneceram. Compartilhando esse imenso desespero, essa angústia... essa tristeza.

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