14:

Mal abriu os olhos e Venon já sabia o motivo de ter acordado: Ele precisava urgentemente vomitar. Graças a Deus ele estava na cama de baixo, se não fosse isso ele não teria chegado ao banheiro a tempo.
Depois de vomitar quase até suas vísceras o enjôo passou, mas a enxaqueca permanecia forte. Ele foi lavar o rosto na pia e ao ver seu reflexo no espelho percebeu as marcas arroxeadas das olheiras abaixo de seus olhos.
“Merda, bebi demais...”
Ele voltou para o quarto e esforçou-se para ver a hora no relógio de parede. 3 da madrugada. Venon pôs a mão na cabeça e esforçou-se para lembrar de tudo o que havia acontecido. As lembranças retornaram lentamente, quando veio para a universidade já era de manhã, depois de passar a noite inteira bebendo por causa de Kathelyn, aquela vadia... não merecia nenhuma das lágrimas que ele havia derramado...
Ele havia chorado! Mas que droga! Agi feito um idiota na frente de Molko e do inglesinho, ele pensou... realmente o álcool em excesso tem efeitos colaterais terríveis... Mas agora já era tarde, ele tinha chorado feito criancinha, e o pior, tinha mostrado-se totalmente indefeso e vulnerável, Vince e Brian tinham o tratado como tal... eles não têm nada a ver com os problemas de Venon, mas mesmo assim tinham o ajudado, o consolado nesse momento ridículo de fraqueza, tinha que admitir que os bastardos eram mesmo ‘gente fina’, até mesmo aquele inglês estúpido...
“Ah, não fique assim tão agradecido, Venon, eles só fizeram a obrigação deles...” Ele dizia sorrindo, mas no fundo sabia que estava feliz e realmente agradecido, a maioria das pessoas da escola não daria a mínima se o vissem naquele estado, quer dizer, não fariam nada por ele, mas seriam capazes de até anotar os detalhes da cena para a fofoca do outro dia.
Venon seguiu em direção ao beliche e surpreendeu-se ao perceber que a cama de cima estava sem o colchão. Ele correu os olhos pelo quarto até encontrar o que procurava. O colchão estava em um dos cantos do quarto. Venon se aproximou e sorriu encantado com a cena.
Brian e Vince estavam dormindo juntos no colchão, um de frente para o outro, as pernas entrelaçadas, estavam abraçados, a testa de Brian recostada no queixo de Vince, o lençol cobria-lhes até a altura da cintura e ainda deixava seus pés a amostra.
“Aw, eu poderia pintá-los agora... se não fosse essa enxaqueca...” Venon falava levando novamente a mão à cabeça. “Mas não faz mal, amanhã eu os pintarei novamente.” Ele declarou para si mesmo.

Vince acordou e mesmo de olhos fechados sabia que era cedo demais, aquele enorme frio só indicava uma coisa: havia acordado antes do sol novamente. Tenho que acabar com esse maldito costume de acordar tão cedo, ele pensou. Em meio a um bocejo ele aconchegou-se mais de encontro ao corpo do rapaz que estava ao seu lado.
“Bri, você está ocupando quase todo o colchão.” Ele disse em um sussurro que foi mais direcionado para ele mesmo, afinal, Brian estava dormindo. Ele tentava aproximar-se mais de Brian, para subir completamente no colchão, durante a noite tinha acabado com metade do corpo no chão. Ele beijou o canto da boca de Brian e abraçou-o.
Vincentt passou mais um tempo assim, tentando dormir, mas viu que não conseguiria, mesmo ainda estando com sono, algumas horas ele realmente detestava a sua ‘enorme-disposição’. Ele bocejou mais uma vez e finalmente abriu os olhos.
“Venon!!!!” Ele praticamente gritou de surpresa e caiu completamente do colchão para o chão.
Com olhos sobressaltados ele pôde ver, através da fraca iluminação dos primeiros raios de sol que penetravam a janela de vidro, que o rapaz que estava ao seu lado era Venon e não Brian como ele havia pensado, o próprio Brian estava do outro lado de Venon, com o braço passado por cima do peito do rapaz de cabelos cor-de-rosa e o rosto afundado no espaço entre seu pescoço e seu ombro. Os dois sequer haviam se movido, mesmo depois do alvoroço de Vincentt. “Mas é um folgado mesmo...” Vince declarou com uma expressão de raiva. “Desde quando será que ele está aí?” Ele perguntou, mas sabendo que não obteria resposta levantou-se e seguiu para o banheiro.

“Acordem dorminhocos.”
A voz tão próxima de Vince fez os dois garotos acordarem. Ambos bocejaram e começaram a se espreguiçar. Brian olhou para o lado e fez uma cara de surpresa ao ver Venon. Vince sorriu e curvou-se um pouco, plantando um beijo no queixo de Brian.
“Pois é, eu também me surpreendi.” Ele disse sorrindo para o namorado.
Venon olhou para os dois e sorriu com malícia. “Espero que vocês não tenham se incomodado, mas é que estava muito frio e nada esquenta mais do que o calor humano, não é?”
Vince rolou os olhos. “Essa passa. Mas espero que você não transforme isso em um hábito.”
Brian sorriu para Venon. “Disponha sempre que precisar.”
“Brian!” Vince exclamou surpreso.
Os outros dois rapazes começaram a gargalhar.
“Não se preocupe, Valo, não vai acontecer mais, foi só que ontem, eu confesso, estava com um pouco de inveja de vocês.”
“Certo, mas é melhor que vocês levantem se não quiserem se atrasar pra as aulas.”
Brian olhou para o relógio. “Ah, não! A hora do café da manhã já está quase no fim!”
“Droga! Vamos ter que comer lá na cantina! Eu não tenho dinheiro suficiente para comer decentemente! Minha mesada já está quase no fim e os preços lá são altíssimos!” Venon declarou irritado. “Você deveria ter nos acordado antes, Valo!” Ele terminou a frase levantando-se.
Vince suspirou. “Mas vocês são mesmo mal agradecidos, heim!” Ele disse e apontou para as bandejas que estavam sobre sua cama.
“Ah! Só você mesmo, Vincie, obrigado!” Brian praticamente saltou do colchão para os braços de Vincentt.
Vince sorriu triunfantemente. “O que seria de vocês sem mim, heim?”
“Eu não sei do Molko, mas sei que eu seria eu mesmo, apenas com um poder aquisitivo mais baixo e isso só até meus pais mandarem novamente a minha mesada, ou seja, nem iria sentir sua falta.” Venon declarou com um sorriso maligno e seguiu em direção às bandejas.
Vince lançou um olhar venenoso para ele e Brian apenas riu de toda a situação.

Os alunos do curso de teatro, hoje, por algum motivo que os professores desconheciam, haviam se tornado bem mais participativos e competitivos. Sem sequer precisarem de perguntas, Brian e Kathelyn faziam comentários, descordavam um do outro e coisas desse tipo. A sala de aula estava completamente dividida, metade da sala apoiava a menina e a outra metade concordava com tudo o que o menino falava. O clima de disputa havia começado cedo esse ano, normalmente os alunos começavam com suas ‘guerrinhas’ quando se dividiam em equipes para fazerem sua primeira peça, ao fim do primeiro período, os professores não puderam deixar de comentar as novas mudanças entre si.

Venon não pôde resistir, desenhou Brian e Vincentt em mais uma tela durante a aula de artes, como sempre, ninguém os identificou, além de Venon ter tomado o cuidado de estabelecer sutis modificações nos dois a atenção novamente estava voltada para outros detalhes, o sombreado, a luz fraca que o desenho apresentava, e o ponto principal para ele ter ganhado um outro 10: o lençol que envolvia os dois corpos, “...especialmente a parte que envolve a menina.” disse o seu professor, era muito real e cheio de detalhes.

Vince esforçou-se ao máximo para conseguir prestar atenção à aula, se não se concentrasse acabaria não entendendo nada pensando em algum modo de convencer Brian a ir dormir novamente no 206. Brian havia deixado bem claro que só faria isso nos fins de semana, para não arriscar que alguém notasse e despertasse comentário na universidade. No fundo ele sabia que Brian estava certo, mas morria de ciúmes só em pensar que Brian estaria sozinho no quarto com aquele ‘homofóbico-reprimodo’ por toda a semana, além disso, seria torturante esperar até o fim de semana para poder dormir com Brian em seus braços novamente. Mas fazer o que? Tinha que ser assim, pelo menos até o feriado de verão...

Os dias começaram a passar estranhamente rápidos, é sempre assim quando as coisas começam a dar certo. Kathelyn, que não havia desistido de Vincentt e acabara levando um fora do mesmo na frente de várias pessoas na biblioteca, até hoje ainda recordava do modo rude com que o garoto falou quando lhe perguntou quanto ela havia apostado dessa vez para ficar correndo atrás de um menino. Mas com exceção dela, todos estavam muito felizes, Brian havia *obrigado* Vince e Brandon a fazerem as pazes, eles mostraram-se um tanto quanto relutantes de início, mas depois de um tempo acabaram se dando muito bem, aprenderam a se respeitar apesar das diferenças. Venon estava cada vez mais apegado a Brian e Vincentt, estava até mais simpático a cada dia que passava (logicamente as crises de stress ainda apareciam de uma hora para outra...), só tinha viajado para os EUA uma vez, das outras vezes passava os fins de semana junto dos dois, e de vez em quando dormia entre eles, “Só porque não quero que vocês façam aquelas coisas feias em minha presença”, era o que ele sempre alegava, com a expressão mais fingida de inocência que se pode imaginar. Vince reclamava, mas ao fim sempre era vencido e tinha que aceitar a situação. Aos poucos haviam se tornado uma espécie de tríade, três amigos que cuidavam um do outro, de vez em quando Brandon era incluído (quando tinha um tempinho para deixar os estudos um pouco de lado) e o quarteto era facilmente (e naturalmente) formado.
As férias de verão chegaram e Vincentt não pôde ir visitar os pais como havia planejado, seus pais lhe enviaram uma carta dizendo que estariam na Hungria a negócios pelo resto do ano, o encontro familiar teria que esperar até as próximas férias. Vince ficou meio para baixo, mas os outros garotos trataram de levantar o seu astral. Brandon convidou-os para passar as férias na casa de campo de sua família. Com muito esforço, Brian conseguiu convencer Venon e Vincentt, que foram meio a contra gosto, mas quase não queriam voltar quando as férias acabaram. Os tempos por lá tinham sido magníficos, se sentiram como uma família, especialmente Brian e Venon que nunca se deram muito bem com seus reais familiares. Tinha sido muito engraçado ver Brandon, com sua eterna paciência, *tentar* ensinar Vincentt a pescar no lago perto da casa.
Durante o segundo semestre Brian e Vincentt tiveram a primeira briga, por causa de um bilhetinho que Vince recebeu de uma das meninas de sua sala, ela havia pedido para marcar um encontro com ele e Vince aceitou, mas só atendeu seu pedido para esclarecer para ela que só queria sua amizade, mas Brian não entendeu desse modo no início, achava que Vince estava sentindo falta de envolver-se com mulheres e por isso tinha “dado bola para aquela piranha” , como ele mesmo havia dito. Conseguiram o feito de passarem quase duas semanas completas sem falar um com o outro, apesar de lamentarem-se e chorarem praticamente todas as noites, mas Venon e Brandon ‘consertaram’ a situação a custa de muito esforço, realmente é difícil lidar com dois ‘cabeças duras’ como Molko e Valo, eles chegariam a conclusão mais tarde.
Os pais de Brian estavam chateados, quase não viam mais o filho, mas Brian dizia que precisava passar mais tempo com os amigos para um melhor entrosamento, afinal, passaria 3 ‘longos’ anos junto deles. O contato com seus pais diminuiu, resumiu-se basicamente a cartas e telefonemas.
Mattew continuou enviando cartas, Brian passou um longo tempo sem responde-las, quando finalmente adquiriu a coragem para responder enviou simplesmente um verso de Oscar Wilde, da Balada do Cárcere de Reading: “A gente sempre dertói aquilo que mais ama
Em campos abertos, ou numa emboscada;
Alguns com a leveza do carinho
Outros com a dureza da palavra;
Os covardes destroem com um beijo,
Os valentes, destroem com a espada.”
Os grupos para as peças de fim de ano do curso de teatro estavam formados, dois grandes grupos, um liderado por Kathelyn e outro por Brian. O festival de apresentações iria ocorrer no último dia de aula, assim como a exposição dos alunos do curso de artes, as apresentações de dança e as inúmeras teses de vários cursos.
Brian empenhou-se o quanto pôde na criação de sua peça (ele achou que seria bem mais interessante se a peça fosse criada, seria mais inovador) e ensaiou o seu papel com Vince e Venon, quem não gostou muito foi Vincentt, ele teve que representar a ‘dama’, que formava par com o papel representado por Brian, durante os ensaios.
Mas todo o esforço foi recompensado com o 9,5 que superou o 9,0 do grupo de Kathelyn, esta que ainda conseguiu ser cara de pau a ponto de interpretar uma peça onde ela era uma menina boazinha que fazia par com o ‘príncipe Vincenty’. Uma espécie de imitação de Cinderela, ou algo do tipo.
Brandon, Vincentt e Venon resolveram fazer uma festa surpresa para Brian em seu aniversário. O que Brian acabou descobrindo antes do tempo, eles não conseguiram esconder muito bem os preparativos...
Os quatro passaram o fim de ano na universidade, junto de alguns poucos alunos que não puderam voltar para casa, ou simplesmente não quiseram. Mesmo assim foi bem divertido, saiam com freqüência para o cinema, Brian havia adquirido esse novo vício, ir ao cinema 1 vez por semana parecia ser o mínimo para ele.

“Sentirei saudade... muita...”
O sol de verão machucava seus olhos, ofuscava-os.
“Vai ser só por um mês, eu também sentirei muito a sua falta, mas vai passar rapidinho, você vai ver.” Se ao menos ele conseguisse acreditar no que dizia...
“Ligarei todos os dias.”
Ele assentiu.
O rapaz de cabelos negros olhou mais uma vez para os outros dois que observavam a cena do último batente da escadaria na frente da universidade de Goldsmith. Brandon com sua costumeira expressão pacífica, tentando acalma-lo com a ternura que seus olhos verdes emanavam, o outro, Venon, passando os dedos por seus cabelos recentemente coloridos com a cor violeta, não conseguia esconder a tristeza em seu sorriso tênue, ele acenou mais uma vez. Vince olhou novamente para Brian.
“Ligarei todos os dias.” Ele repetiu.
Brian sorriu e abraçou-o.
Vincentt acariciou seus cabelos macios e plantou um beijo em sua testa antes de finalmente entrar no carro.
Os três rapazes não tiraram os olhos do táxi até que esse sumisse com a distância.
Brian virou-se para os outros dois, as lágrimas contidas faziam com que seu rosto ficasse vermelho. Ele subiu no batente e os outros o abraçaram. E abraçados eles seguiram para o dormitório masculino.

Dois dias se passaram e Vince não havia ligado. Brian estava deprimido.
“Não fique assim, Bri, tenho certeza de que ele vai ligar assim que puder.” Venon olhava-o com ternura através de seus ‘novos olhos verdes’.
Brian simplesmente suspirou de forma angustiada.
“Ah, não! Eu não agüento te ver nesse estado! Levante-se!” Ele disse e puxou Brian da cama. “Venha, vamos sair! Vamos!”
“Para onde?” Brian perguntou atordoado.
“Para qualquer lugar! Vamos! Só não quero ficar a noite inteira ouvindo choradeira! Vá se arrumar, eu sei que você adora se produzir, talvez isso sirva de alguma ajuda.”

Realmente, Brian tinha se divertido escolhendo o que vestir junto de Venon, passaram quase uma hora até se decidirem, sem contar com o tempo que passaram escolhendo a maquiagem. Por fim, Brian vestiu uma blusa preta bem justa e que deixava seus ombros pálidos à amostra e uma calça de cor vede oliva, acompanhada se uma bota de cano curto (apesar de Venon ter insistido bastante para que ele usasse a saia preta que ele havia usado na casa de campo de Brandon, mas Brian não conseguia se imaginar saindo da universidade de saia, não era ousado o suficiente para isso). Os acessórios também foram essenciais, brincos, pulseiras e o colar com um pingente na forma da placa de sinalização de trânsito que advertia a presença de animais selvagens na estrada, tudo isso acompanhado de sombra escura, lápis de olho, rímel, batom vermelho e unhas pintadas de preto.
Venon assoviou em aprovação. “Hoje nós vamos ser o centro de todas as atenções.” Ele disse e Brian riu, a calça verde-limão de Venon não negava a verdade de seu raciocínio.

Acabaram ficando em um ‘clubezinho’ que não era muito longe da universidade. Depois de alguns drinks Venon foi ‘investir’ em uma mulher que parecia ter o dobro de sua idade, aos seus olhos ‘bêbados’ ela era interessante.
Brian bebeu mais uma ‘Bloody Marrie’ e seguiu para a pista de dança.
A pista estava lotada, corpos batiam de encontro ao seu enquanto tentavam merem-se ao som da música o máximo possível. Brian fechou os olhos e deixou que os movimentos surgissem. Depois de três músicas ele já sentia uma sede terrível e resolveu seguir para o bar, para poder tomar algo. Foi exatamente nesse momento que ele percebeu que um homem estranho, sentado em uma das mesas perto do bar, o olhava fixamente com um sorriso enigmático nos lábios. O homem percebeu que ele o encarava e, meio sem jeito, desviou o olhar.
Brian seguiu para o bar e fez seu pedido, olhando de soslaio para o homem, que não ousou olhar para ele novamente. Depois de se refrescar, Brian voltou para a pista de dança, mas não ficou lá por muito tempo, a música de repente começou a o incomodar, as luzes começaram a o incomodar, tudo o incomodava...
Brian saiu do clube, talvez ele estivesse precisando de um pouco de ar fresco, sentou-se em um dos bancos que ficavam na porta do clube, um casal estava no outro banco... ele começou a pensar em Vincie, estava com tanta saudade dele...
Uma mão pousou em seu ombro e com um sobressalto Brian constatou que era o homem que estivera o observando anteriormente.
“Olá.” Ele falou com uma voz suave.
“Oi.” Brian respondeu de modo vacilante.
O homem sentou-se ao seu lado. “Você está sozinha?”
Sozinha? Brian sorriu por dentro. Outro idiota confundindo-o com uma mulher...
“Não.” Ele resolveu brincar um pouquinho. “Mas meu parceiro se interessou por uma outra pessoa, sabe?”
“Não acredito! Perdoe o que vou dizer agora, mas, seu parceiro só pode ser um completo imbecil por te trocar por qualquer uma das garotas que estão nesse clube.” Ele olhou profundamente nos olhos de Brian. “Não sou muito de sair cantando mulheres por aí, sabe? Mas tenho que te dizer que você é a mulher mais exuberante que eu já vi.”
Brian mostrou um sorrisinho para ele, mas estava gargalhando por dentro. Se ele soubesse que sou homem!
“Bem, meu nome é Steven Hewitt, e você é?”
“É um prazer te conhecer, Steve.” Brian estendeu a mão para o homem. “O que faz um homem tão interessante como você por aqui?” Brian não diria seu nome real agora, estragaria a brincadeira, e ele queria se divertir mais um pouco.
“Bem, estou com minha banda, ‘Breed’, vamos tocar daqui a cinco minutos.”
Brian sentiu seu corpo inteiro vibrar em empolgação. “Uma banda? Você tem uma banda?”
Steve riu. “Sim, não é famosa, mas dá pra sobreviver, adoro tocar.”
“Nossa! Eu também! Que instrumento você toca?”
“Bateria. E você?” Steve sorria triunfante, não era todo dia que ele conseguia a total atenção de uma garota tão bonita.
“Eu toco guitarra. Nossa! Eu quero ver vocês tocando!”
“Claro. Posso até te dar um passe para o ‘backstage’, mas antes,” Steve sorriu maliciosamente. “você vai ter que me dizer o seu nome, você ainda não se apresentou.”
Brian sorriu de forma venenosa. “Meu nome é Brian Molko.”

Brian sorria enquanto guardava em sua mochila o crachá onde estava escrito ‘backstage’.
“E mesmo assim ele continuou sendo legal com você?”
“Claro, ele é um cara legal, ficou meio constrangido quando viu que estava ‘cantando’ um homem, mas isso foi só no início.”
”Vou contar tudo para o Vincentt.” Venon disse em tom brincalhão.
“Ah, não se preocupe, Steve é 100% hetero, ele me disse que tem uma namorada de longo tempo e tudo o mais...”
“Sei... não acredito nesse antigo mito de 100% hetero... além disso, o cara tem namorada e vai ‘dar em cima’ de outra... tsc, tsc.”
“Pois é, por isso digo que a maioria dos homens são ‘bestas selvagens movidas a sexo’. Mas o importante é que conhecer os músicos da banda dele foi algo bastante proveitoso para mim, se eu não fosse ser um ator juro que teria minha própria banda, sou apaixonado por música e-”
Nesse instante o celular de Venon toca.
Os dois meninos trocam sorrisos e Venon checa o numero. “É ele!” Venon anuncia e entrega o celular para Brian.
“Alô.”
“Bri, meu amor! Que saudade!”
Brian quase chorou de emoção ao ouvir a voz de seu namorado.
“Desculpe não ter ligado antes, meu bem, mas é que resolvi falar com meus pais antes para quando ligar te falar logo sobre a reação deles.” A voz de Vincentt estava repleta de euforia.
“Vincie, você falou sobre nós com eles?” Brian perguntou chocado.
“Falei, Bri, e você não pode imaginar o quanto eles foram compreensivos, ficaram meio chocados de início, mas logo disseram que eu sou o único que pode tomar minhas próprias decisões.”
Brian mal podia acreditar no que estava ouvindo. “Eles não se importam?” Vince não respondeu. “Vincie?”
“Não, nós não nos importamos, Brian.” Uma voz feminina. “Na verdade queremos te conhecer, Vincentt falou muito sobre você, estamos ansiosos para vê-lo.”
Brian simplesmente não sabia o que dizer. “Oi, Sra. Valo.” Foi a única coisa que conseguiu pronunciar. Venon sobressaltou os olhos ao ouvir isso.
“Oi, Brian. Bem, você não quer vir passar as féria aqui, conosco?”
“Claro que quero!” Brian disse agudamente. “Mas o problema é que meus pais não iriam deixar...”
“Mas que pena! Queríamos muito te conhecer.”
Brian corou.
“Só um instante, Brian, Vincentt quer falar com você. Foi um prazer falar com você.”
“O prazer foi todo meu.” Brian disse, notavelmente sem jeito.
“Brian?” A voz de Vincentt voltou para a linha. “Você precisa vir, Brian!”
“Vincie, você sabe que não posso.”
“Nós pagamos a sua passagem!”
“Meus pais nunca deixariam...”
“Mas não é junto...”
Eles ficaram em silêncio por um instante.
“Bri, eu preciso falar com seus pais... vai ser melhor para nós, precisamos fazer com que eles encarem a realidade, não podem ficar te obrigando a ser o que você nunca vai ser.”
“Certo, falaremos com meus pais assim que você voltar de férias.”
“Acredita se eu disser que já não estou agüentando de saudade?”
“Claro que acredito, estou sentindo o mesmo.” Brian declarou sorrindo.
“Nas próximas férias já vamos ter resolvido nossos problemas, você vai ver! Talvez até passemos as féria na casa de seus pais!” Vince disse em tom brincalhão.
Brian gargalhou. “Claro, já estou até imaginando a cena: Mamãe cozinhando alegremente um almoço especial para o seu ‘genro’ enquanto você assiste ao noticiário com o seu ‘sogrinho’...” Brian sabia que sonhar as vezes era bom, fazia com que ele fosse menos pessimista.
Vince riu. “Amo você.”
“Também amo você, Vincie.”
 

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