10:

Brian acordou com o barulho de passos pelo quarto. Ele abriu um olho e viu que Venon caminhava em direção ao banheiro. Ele suspirou e virou-se na cama, ficando de frente para Vince.
Ele sorriu ao ver a expressão completamente tranqüila na face do namorado, sua respiração era lenta e compassada. Brian aconchegou-se ainda mais embaixo do braço que o envolvia, apesar da chegada repentina de Venon ter estragado o plano dos dois de passarem um fim de semana sozinhos, a noite tinha sido bastante agradável, ele tinha dormido abraçado com Vincentt afinal de contas!
“Vincie?” Brian chamava baixinho e com a voz mais delicada que ele era capaz de fazer. “Acorda, Vincie...” Ele acariciou o rosto do rapaz mais alto com a ponta de seus dedos.
Vince contraiu um pouco os lábios, segundos depois ele estava abrindo os olhos com uma certa dificuldade devido à luz do sol que invadia o quarto.
“Bom dia.”
Vince bocejou. “Bom dia.”
“Venon já acordou... aposto que daqui a pouco ele vai começar com a chantagem...” Brian declarou desanimado.
Vince olhou sério para Brian. “E se nós deixássemos que ele contasse para os outros?”
“Não, Vincie, não daria certo...”
“Pois eu não me importaria, os únicos para quem eu teria que justificar algo seriam meus pais e eu sinceramente estou disposto a enfrenta-los para ficar com você. Eu quero que a gente seja um casal normal, ou pelo menos o mais próximo disso, não quero ter que ficar escondendo o que sinto, quero mais é que saibam que estou com você.” Ele sorriu de forma maliciosa e continuou. “Tenho certeza de que muitos vão morrer de inveja...”
“Realmente... Kathelyn vai morrer de inveja... ela adoraria estar no meu lugar...” Brian disse em um tom de tristeza.
Vincentt rolou os olhos e suspirou. “Bri, essa menina não teria a mínima chance comigo, mesmo se eu ainda estivesse sozinho, sinceramente tem algo nela que me diz que ela não é uma boa pessoa...”
“O ciúme?” Brian perguntou em tom brincalhão.
“Também!” Vince disse. “Mas eu também acho que você não deveria ficar sofrendo por ela...”
Brian suspirou. “Okay, vamos mudar de assunto, isso não vem ao caso, Kathelyn é passado, *você* é o meu presente e eu acho que declararmos nosso caso pode trazer problemas ainda mais graves para nós dois...”
“Realmente, talvez tenhamos que enfrentar alguns problemas, mas nada pode ser pior do que bancar o escravo para aquele idiota.”
“Acredite, ter seus pais e toda a escola desaprovando o seu namoro pode ser bem pior do que você imagina... e se por acaso realmente quiserem transferir um de nós dois para outra universidade, para nos separarem? Não me assustaria se essa fosse a primeira atitude que meu pai quisesse tomar.”
“Ah, vejo que acordaram! Que bom! Estava mesmo querendo tomar o meu café da manhã!” Venon dizia aproximando-se da cama. “Será que você poderia pegá-lo para mim, Vincentt?”
Vince levantou-se e o encarou. “Escute aqui, idiota, acha mesmo que vamos fazer tudo o que você mandar? Aposto que a maioria das pessoas não acreditaria em sua palavra...” Vince terminou de falar com um sorriso triunfante.
Brian sorriu também. Realmente, seria um jogo justo, a palavra de Venon, o pintor chato, contra a dele, um dos alunos mais empenhados de teatro, e a de Vincentt, o aluno mais simpático e também um dos mais inteligentes da turma de direito.
Para a surpresa dos dois, Venon sorriu também, um sorriso maldoso e vitorioso. “Vocês acham que eu sou burro?” Ele caminhou até a cabeceira. “Porque vocês acham que eu pedi para que Molko dormisse aqui? Aquele papo de aguçar a imaginação realmente pegou vocês? Não que eu não fique excitado pensando no rosto de Molko cheio de dor e prazer enquanto Vincentt exerce o seu trabalho, realmente deve ser algo absurdamente *lindo* de se ver, mas meus objetivos reais eram esses...” Ele abriu a gaveta e retirou alguns papéis de lá. “Minha Polaroid é *tão* útil algumas vezes!”
Fotos! Fotos de Vince e Brian dormindo na mesma cama e abraçados...
“Desgraçado...” Vince falava tentando conter sua ira serrando os punhos com bastante força. “Não pense que você vai ficar sozinho com o Brian, imbecil, porque eu *não* vou deixar!”
“Oh, não comece com seus estresses seu ‘inglêsinho’ metido a besta! Eu só quero CONVERSAR com ele, você não tem com o que se preocupar, nem todos por aqui são gays como vocês dois... além disso, se eu fosse você, Molko, exigiria mais confiança da parte dele...”
Vincentt olhou para Brian. “Não deixe que ele encha sua cabeça com besteiras...”
“É melhor você ir, Vince, não se preocupe comigo, não vai acontecer nada.”
Vince ficou um tempo olhando para Brian e logo em seguida voltou o olhar para Venon, cheio de raiva. “Encoste *um* dedo nele e você vai se arrepender por ter nascido...”
Venon começou a gargalhar. “Eu quero bacon e ovos, certo?”
Com isso Vince seguiu para a porta, queimando de ódio. Antes de sair ele ainda lançou um olhar preocupado para Brian, que apenas sorriu em resposta, como se quisesse dizer que ele realmente não precisava se preocupar.

“Nossa, você está com fome hoje, heim!”
Alguém disse por trás de Vince assim que ele terminou de fazer o seu pedido na cantina. Ele virou-se para ver quem era e ficou um pouco preocupado ao ver Kathelyn sorrindo para ele. “Não é tudo para mim, é que...”
“E para quem é? Quero dizer, não quero ser intrometida, só responda se puder...”
“Não se preocupe, não tenho porque esconder que estou pegando o café para um amigo que passou a noite estudando e está muito cansado para vir aqui na cozinha. É para o Venon.”
“Oh, entendo.” Ela disse sorrindo, mas logo começou a examinar a bandeja que a moça da lanchonete entregou para Vince e franziu a testa. “Sanduíches vegetarianos? Não sabia que Venon era vegetariano, na verdade eu sempre o vejo comendo carne, bacon e -”
“Os sanduíches não são para ele.” Vincentt a interrompeu. “Eu vou leva-los para o Brian, sabe?”
“Brian?! Ele não viajou?”
“Não, esse fim de semana ele ficou por aqui, você sabe como é aquele preguiçoso, não é? Sempre pedindo para que eu venha pegar o seu café da manhã...” Vince disse em tom brincalhão.
Kathelyn sorriu. “Pois é, o café, o almoço e o jantar para falar a verdade...” Ela complementou com uma piscadela.
“Bem,” Vince disse olhando para o relógio. “Acho melhor eu ir logo, ou -”
“Posso ir com você?” Kathelyn o interrompeu.
“Que?!”
“Bem, é que... eu não tenho nada para fazer e... bem, eu nunca consegui visitar a ala masculina, essa seria uma ótima oportunidade, durante o período de aulas eu nunca vou poder entrar lá, por causa daqueles seguranças, sabe? Além disso, poderíamos conversar mais um pouco...”
“Er... não acho que seja uma boa idéia Kathelyn...”
“Mas por quê?” Kathelyn o olhou ofendida.
“Bem, eu... eu...” Vincentt não sabia que desculpa ele poderia usar naquela situação.
“Eu marquei de falar com ele.” Brandon interveio de súbito. “Desculpe menina, mas você vai ter que nos dar licença.” Brandon falava com um sorriso falso no rosto.
“É, eu marquei com ele.” Vincentt disse meio aliviado e meio surpreso.
Kathelyn lançou um olhar odioso para Brandon e falou logo em seguida, olhando para Vincentt. “Está bem, então nossos planos ficam para outro dia...” Com isso ela seguiu pelo refeitório e sentou-se em uma mesa onde um menino do grupo de teatro estava sentado.
Vince olhou de soslaio para Brandon, esse começou a caminhar em direção a porta dupla e fez sinal com a cabeça para que Vincentt o seguisse. O rapaz de cabelos negros liberou um suspiro atordoado e começou a seguir o outro.

“Bem, bem, bem, Sr. Molko.” Venon falava andando em círculos em volta de Brian, assim que a porta foi fechada. “Agora que aquele ser insuportável foi embora poderemos conversar mais tranqüilamente...”
Brian rolou os olhos. “Pare de enrolar e diga logo o que você quer Venon.”
“Está bem, vou direto ao ponto.” Venon disse e seguiu para sentar-se em um das cadeiras do quarto. “Eu *detesto* o seu namorado, ele é idiota e confesso que até agora ainda não me recuperei do choque de ver uma pessoa interessante como você na mesma cama que aquele sem graça...”
“Vince *não* é sem graça!” Brian defendeu o namorado.
Venon o olhou. “Bem, pode ser que com você ele aja diferente, mas para mim ele *É* sem graça...”
“Você também não colabora nem um pouco para que ele te trate bem, não acha?” Brian perguntou erguendo uma sobrancelha.
“Pode ser... de qualquer forma, eu não fui com a cara dele.” Venon disse com um sorriso nocivo.
“Bem, mas eu fui, ele é meu namorado e eu preferiria que você não ficasse falando mal dele na minha frente.”
“Entendo.” Venon levantou e seguiu em direção a Brian. “Pra falar a verdade eu não pretendo ficar perturbando vocês por muito tempo, não é nada da minha conta se vocês estão trepando ou não, darei as fotos para você assim que você me fizer dois favores.”
Começou a chantagem, pensou Brian. “O que você quer?”
“Primeiro eu quero que você seja o meu modelo para algumas telas.” Ele disse encostando a ponta do dedo no nariz de Brian.
“Que?!” Brian perguntou incrédulo.
“Exatamente o que você ouviu, observar você nos últimos dias tem me dado inspiração para algumas telas...”
“Você tem andado me espionando?”
“Não! Eu jamais faria isso, eu apenas estava te observando com mais atenção.” Venon acrescentou com um sorriso malicioso.
“Bastardo!” Brian disse irritado empurrando o dedo que ainda estava em seu rosto.
“Não fique chateado. Não é minha culpa você ser uma completa ‘musa inspiradora’.” Ele disse alargando o sorriso. “A maioria das meninas daqui faria de tudo para ter metade de sua beleza, sabia?”
“Pare com essa idiotice! Diga qual é o outro favor.” Brian retrucou corando suavemente.
“Você aceita ser meu modelo?”
“Ah, eu não sei Venon... não sei se agüentaria o vexame de ter meu rosto em alguma tela exposta na sala de artes...” Brian disse começando a roer as unhas.
“Oh, quanto a isso não se preocupe, as pinturas que eu levarei para as aulas serão apenas inspiradas em você, a maioria será de arte moderna, as que não forem terão retoques para que apenas eu saiba que é você, terá a essência de sua beleza, mas não será você, as pinturas tipo fotografia prometo que ficarão só para mim.”
“E se eu não aceitar?” Brian perguntou meio hesitante.
“Bem, meu caro Molko, nesse caso me sentirei forçado a revelar o seu segredinho...” Venon forçou um tom de inocência.
“Está bem então, nesse caso eu me ‘torno o seu modelo’.” Brian declarou rolando os olhos. “Mas por quanto tempo terei que fazer isso...?”
“Até meu encanto por sua beleza acabar.”
“Como assim? Quanto tempo isso pode durar?”
”Bem, eu não sei, normalmente um mês é suficiente para que eu consiga capturar na tela o essencial do que eu queria mas de vez em quando varia, não se preocupe, nunca é muito mais do que isso, principalmente porque eu estou sempre procurando algo novo.”
“Okay, e qual o outro ‘favor’?”
“Bem, eu tenho notado que você é o menino com quem Kathelyn mais tem conversado...”
“Kathelyn, o que ela tem haver com isso?!” Brian perguntou assustado.
“Calma, deixe-me terminar. Bem, Eu tive uma certa queda pela Kathelyn assim que a vi, acho que no início do segundo mês que eu estava aqui, já estava apaixonado por ela, mas achava que não teria chances, ela é tão linda e nunca me deu bola, mas de uns dias para cá, ela tem insinuado muitas coisas, sabe?”
“Coisas? Que tipo de coisas?”
“Ela praticamente disse que está afim de mim.”

“Você gosta mesmo dele?”
Vincentt piscou os olhos, confuso. “Como?”
“Não venha me enrolar, você sabe muito bem do que eu estou falando, ou melhor, de quem eu estou falando.” Brandon diminuiu o tom de voz ainda mais. “Você realmente gosta de Brian ou só quer usa-lo?”
“Mas que pergunta!” Vince aproximou-se mais do outro rapaz. “É obvio que eu só quero usa-lo, acha mesmo que eu iria querer namorar ele?” Vince fez uma careta de nojo. “Eu *não* sou um ‘gay-pecador’ só estou passando por uma fase difícil e – AI!” Vincentt exclamou quando sentiu a mão puxar com força a sua camisa.
“Como é, Valo?! Não acredito no que estou ouvindo eu vou -” Os olhos de Brandon faiscavam em pura ira.
“Calma, cara!” Vince defendeu-se e retirou com violência a mão que segurava sua camisa. “Foi só uma brincadeira.” Ele declarou com um sorriso afetado. “Você acha mesmo que eu seria um canalha a ponto de ser assim tão falso?” Ele continuou e começou a tentar desamassar a camisa.
“Não faço a mínima idéia, não conheço você e por isso me preocupo com Brian.” Brandon retrucou de forma seca. “Não tenho nada contra você, mas estou bem disposto a começar a te odiar se por acaso alguma dessas palavras que você disse nessa brincadeira estúpida for verdade.”
“Não se preocupe, a única verdade no momento para mim é Brian, eu o amo entendeu? E na verdade não preciso que você fique o defendendo, eu e ele mesmo já somos o suficiente, por tanto não venha se intrometer e falar comigo como se você o conhecesse melhor do que eu, porque você não conhece!”
“Não fale nesse tom comigo!” Brandon disse em tom ameaçador.
“Eu falo com as pessoas no mesmo tom com que elas falam comigo. Quer saber? Se fosse por mim Brian nunca teria dividido o quarto com você, porque o que parece para mim é que você é um ‘homofóbico reprimido’ que está apaixonado por *meu* namorado e é fraco demais para admitir!” Vincentt estava quase gritando.
Algumas pessoas que estava no jardim começaram a olha-los com estranheza.
“Fale baixo, idiota.” Brandon disse voltando o olhar para o chão, temendo que alguém tivesse ouvido o que Vincentt tinha falado.
“Covarde.” Vince declarou antes de virar-se e começar a caminhar.
“Eu ainda não acabei!” Brandon falou, a raiva fazendo com que sua voz soasse um pouco alta.
Vince virou-se para encara-lo. “Isso já está chato, Ophille, melhor deixar o 2º Round para outro dia, ainda tenho que levar o café da manhã para o Bri, eu sei que você pode esperar um pouquinho, afinal é para o bem estar de ‘seu’ protegido! Vá entreter-se com seus números e contas por enquanto.” Vincentt terminou a frase com um sorriso maldoso e virou-se novamente, seguindo para os dormitórios.
 

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